domingo, 30 de junho de 2019

Complexo Portuário do Açu : Ferrovia trará benefícios à região


A interligação da Ferrovia Vitória a Minas até o Complexo Portuário do Açu é um investimento promissor e que gera expectativa para o desenvolvimento regional e também nacional. Segundo a Porto do Açu Operações, a previsão é que o complexo conte com acesso ferroviário a partir de 2026. Na última semana, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, anunciou que tem como prioridade levar a Ferrovia Vitória a Minas, operada pela Vale, ao Porto do Açu, passando pelo polo petroquímico Comperj, ambos no Rio de Janeiro. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Porto do Açu Operações e a Prefeitura do São João da Barra comentaram sobre a questão que já é discutida há tempos.

Para o presidente regional da Firjan, Fernando Aguiar, a ferrovia trará inúmeros benefícios para a região. “Além da própria construção em si, que trará muitas frentes de emprego, tem a questão da ligação umbilical com o Porto do Açu que trará benefícios na escoação da produção das empresas que já estão instaladas no complexo portuário. Além disso, a ferrovia irá ajudar a conectar o agronegócio ao Porto. É uma obra extensa que, segundo já foi conversado com a Firjan, deve levar de 5 a 6 anos para ser concluída, mas que é preciso começar logo. O Brasil tem uma deficiência de ferrovias e essa é uma das pautas que a Firjan tem se engajado para que saia do papel”, disse.

Em nota, a Porto do Açu e a Prumo informou que, quanto pronta, a “Rio-Vitória” vai diminuir gargalos logísticos significativos, reduzindo o chamado custo Brasil: “A Porto do Açu e a Prumo vem trabalhando junto com o Estado do Rio de Janeiro e autoridades do governo federal para que a Ferrovia Rio-Vitória (EF-118) siga como prioridade na lista de projetos do governo federal. Em julho do ano passado, ela foi incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). Pelo modelo previsto atualmente, o valor a ser pago pela outorga referente a renovação das concessões poderá ser direcionado aos trechos incluídos nos projetos prioritários da Secretaria Especial do PPI, um modelo até então inédito no Brasil. É uma chance de tirar do papel o traçado que vai criar um anel ferroviário, interligando os estados do Sudeste ao Centro-Oeste e a importantes portos do país. A previsão é que o Complexo do Porto do Açu conte com acesso ferroviário a partir de 2026”.

A prefeita de São João da Barra, Carla Machado, afirmou que a ferrovia irá aproximar as principais capitais da região. “A chegada dessa Ferrovia a São João da Barra é de grande relevância em termos de logística para as empresas instaladas no complexo portuário do Açu e aproxima, cada vez mais, a nossa cidade das principais capitais”, disse.

Segundo o ministro Tarcísio de Freitas, o projeto de engenharia e a precificação da malha da EFVM de Cariacica (ES) até o Rio de Janeiro serão feitos pela mineradora Vale, que conseguiu junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prorrogação do contrato de concessão por mais 30 anos, antecipando investimentos que seriam feitos apenas a partir de 2027.

— É preciso levar uma ferrovia para porta do Açu. Isso ainda está em avaliação. Levar ferrovia ao Açu será feito com recursos provenientes da prorrogação ou com recursos públicos. Fazer chegar no Açu é uma prioridade — disse Freitas a jornalistas em evento empresarial no Rio, segundo a agência Reuters.

Investimento pode chegar a R$ 5,5 bi

Em novembro de 2017, o então governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, atualmente preso pela Lava Jato, e o então governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, chegaram a assinar uma carta endereçada ao ex-presidente Michel Temer, reforçando os principais pontos do projeto e a importância da ligação ferroviária para os estados. A assinatura foi feita durante a visita de ambos os governantes ao Porto do Açu. A ferrovia Rio-Vitória faz parte do Programa de Infraestrutura e Logística (PIL), lançado pelo Governo Federal em 2012. O programa foi revisto pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2015 e a ligação ferroviária foi mantida.

Em fase adiantada de estudos e projetos, nova ferrovia Rio-Vitória prevê a concessão, por parte da União, de ferrovias, rodovias, portos e aeroportos em todo o país. A EF-118 terá 577,8 km de extensão, sendo 169,2 Km no Espírito Santo e 404,6 Km no Rio de Janeiro, e interligará os complexos portuários dos dois estados. O projeto prevê a implantação de seis túneis, 171 viadutos rodoviários, 130 pontes ferroviárias, 117 passagens inferiores e 60 passagens de pedestres.

A previsão é que sejam investidos R$ 5,5 bilhões no desenvolvimento da ferrovia entre as duas capitais (o montante será aplicado de acordo com fases que serão definidas).