domingo, 18 de outubro de 2026

Obra contra cheias no Quitandinha tem nova data e orçamento ultrapassa R$ 100 milhões


A Prefeitura de Petrópolis abriu uma nova data para a licitação que prevê a elaboração dos projetos e a execução de obras para reduzir as cheias na bacia do Rio Quitandinha. O certame, inicialmente marcado para o dia 22 de setembro, foi transferido para 18 de janeiro de 2027. A contratação, que tem orçamento estimado em R$ 100,77 milhões, passou por uma revisão de custos após uma empresa interessada apontar inconsistências na planilha original, que previa investimento de R$ 96,22 milhões.

A correção elevou o valor estimado em cerca de R$ 4,55 milhões, o equivalente a aproximadamente 4,72%. Segundo a Prefeitura, a Secretaria de Obras providenciou os ajustes necessários no edital e estabeleceu uma nova data para a concorrência, respeitando o prazo de 60 dias úteis para a apresentação das propostas, conforme a legislação.

O projeto integra as ações de prevenção de cheias financiadas pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Seleções), do Governo Federal. A proposta prevê a implantação de sete reservatórios de amortecimento e de uma galeria suplementar de águas pluviais na Rua Coronel Veiga, com o objetivo de reduzir os impactos das chuvas intensas em áreas historicamente atingidas por alagamentos.

Os reservatórios terão capacidade estimada entre 3 milhões e 6 milhões de litros cada. A ideia é armazenar temporariamente parte da água que chega ao sistema durante os temporais e liberá-la de forma gradual após a diminuição das chuvas. Com isso, a expectativa é reduzir a pressão sobre o leito do rio e minimizar o risco de transbordamentos.

Além da Rua Coronel Veiga, a intervenção deve contribuir para a redução dos impactos de enchentes em pontos críticos como Ponte Fones, Duas Pontes, Rua Washington Luiz e Rua do Imperador.


Luchsinger diz que quer fazer delação e não vai poupar Lula nem Lulinha


A empresária e lobista Roberta Luchsinger manifestou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), o desejo de firmar um acordo de delação premiada que, segundo ela, não poupará o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A PF (Polícia Federal) investiga Roberta e Lulinha por suposto tráfico de influência no governo federal. A empresária de 41 anos, diretora da RL Consultoria e Intermediações, foi alvo nos últimos meses de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

"[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade", disse Roberta.

Questionada sobre o que teria a acrescentar às investigações em curso, a empresária mencionou “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp.

"O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu", descreveu.


Ao longo da entrevista exclusiva à CNN, Roberta reiterou a intenção de firmar um acordo de colaboração premiada e alegou que a “máquina pública” está sendo voltada contra si.

"No momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe uma trâmite legal para isso, eu estarei lá, pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimenada em cima de mim", acrescentou.

A CNN Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto e com a defesa de Fábio Luís Lula da Silva para que se manifestem sobre as falas de Roberta Luchsinger. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado assim que houver retorno.
Lula chamou Roberta de "pilantra" e "Vorcaro feminino"

Em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto, e ao Flow Podcast no início deste mês, o presidente Lula se referiu a Roberta como "pilantra" e a comparou com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.


"Pelo o que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, porque o Vorcaro conseguiu enganar um monte de gente e ela também parece que enganou um monte de gente. Deve ser o Vorcaro feminino, porque ela conseguiu passar por muita gente, conversar com muita gente", destacou Lula na ocasião.

Na entrevista deste sábado, Roberta criticou Lula e observou que o mandatário age com “mau-caratismo” e “canalhice” ao chamá-la de “pilantra” em rede nacional.

“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário”, concluiu.

Em nota, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele "desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger". "Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", continua.

"Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores."

Em nota enviada à CNN, a defesa de Fábio Luís, o Lulinha, também negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e que sua relação com qualquer ministro sempre foi de natureza pessoal. Ele afirmou ainda que as acusações de Roberta “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades” e que “comprovará sua inocência nos autos”.

Leia a íntegra da nota abaixo:

Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.

As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.


sábado, 17 de outubro de 2026

‘Lulistas’ abandonam o vermelho em tentativa de mudar posicionamento e acabam fortalecendo campanha de Flávio


Apoiadores de Lula (PT) passaram a publicar fotos vestindo a camisa da Seleção Brasileira e roupas verdes e amarelas neste sábado (17), após uma tentativa de mudança de posicionamento, abandonando o vermelho da esquerda, que remete ao socialismo e do Partido dos Trabalhadores.

Anos depois de setores da esquerda externarem resistência ao uso desses símbolos nacionais por associações ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos movimentos de direita, agora a iniciativa foi de retomar aos adereços.

Adotado pelo PT como a principal cor, o vermelho, em diferentes tons, foi utilizado por partidos comunistas, socialistas, trabalhistas e sociais democratas em uma origem que remonta ao século 19.

O uso inicial do vermelho pela esquerda se deu quando a cor passou a estampar a bandeira do Partido Comunista — e por isso ainda é ligada à uma esquerda radical, embora já tenha sido incorporada por partidos socialistas e sociais-democratas.

Lula também aderiu à mobilização e publicou uma fotografia vestindo a camisa da Seleção Brasileira.


Na Globo, Flávio desmente Lula: “Está promovendo terrorismo”


Durante entrevista à Rede Globo nesta sexta-feira (16), Flávio Bolsonaro (PL) acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário na disputa presidencial, de espalhar informações falsas sobre suas propostas. O senador afirmou que o petista estaria provocando medo entre servidores públicos e trabalhadores de empresas estatais ao divulgar possíveis medidas de seu governo.

– O meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo em cima de servidores públicos, em cima de estatais – declarou Flávio, ao comentar as informações que circulam sobre sua candidatura.

A campanha do PT tem espalhado notícias falsas para assustar os eleitores, com acusações que incluem supostos planos de acabar com aposentadorias, reduzir direitos dos servidores e privatizar empresas públicas.

Flávio classificou a disputa eleitoral como um assunto sério e defendeu que as propostas dos candidatos sejam discutidas com base em informações que considera corretas.

– Eu estou concorrendo à eleição para presidente da República, que é coisa muito séria, Renata – afirmou, durante a conversa com a jornalista Renata Lo Prete.

Ao abordar a situação econômica do país, Flávio responsabilizou Lula pelo cenário fiscal e criticou o nível dos juros. O senador argumentou que a retirada do atual presidente do governo seria, em sua avaliação, uma medida central para enfrentar o desequilíbrio das contas públicas.

– O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula. Ele hoje é o maior problema nesse desencontro de contas – disse Flávio.

Para sustentar sua crítica, o parlamentar comparou as projeções de juros feitas em outubro de 2022 com a taxa que mencionou na entrevista. Ele afirmou que a estimativa anterior apontava para um patamar de 7%, enquanto a taxa atual estaria em 14%. Flávio também citou a dívida pública brasileira, que, segundo ele, chega a R$ 11 trilhões.

Centro Cultural Estação Nogueira promove ação especial do Outubro Rosa neste sábado

Foto: Marco Oddone

A Prefeitura vai realizar, neste sábado (17), a 2ª edição do Estação Ativa no Outubro Rosa, que acontecerá no Centro Cultural Estação Nogueira. A ação, em conjunto com a Associação Petropolitana dos Pacientes Oncológicos (APPO), é uma iniciativa voltada à promoção da saúde, da prevenção e do bem-estar de toda a família. O evento será das 10h às 17h, e tem a parceria do Encontro Saúde e Bem-Estar e da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A programação inclui atividades voltadas à saúde do corpo, saúde bucal, nutrição, saúde mental e espiritual, além de oficinas para as crianças e sorteios. Às 10h, o público poderá participar de uma roda de conversa com a Associação Petropolitana dos Pacientes Oncológicos, com foco na conscientização e na importância do cuidado com a saúde.

A iniciativa integra as ações do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, reforçando a importância de manter os cuidados com a saúde e ampliar o acesso à informação. Para participar dos sorteios, os visitantes devem levar 2kg de alimentos não perecíveis. As 100 primeiras pessoas que chegarem ao evento também receberão uma camisa do Outubro Rosa.


Governo Hingo Hammes tem desaprovação de 81% da população, indica levantamento Iguape


O governo do prefeito Hingo Hammes tem desaprovação de 81% da população petropolitana. É o que indica levantamento realizado pelo Instituto Guanabara de Pesquisas – Iguape

De acordo com o material, o governo de Hingo é reprovado por 81,9% da população de Petrópolis; outros 6,9% aprovam e 11,1% não souberam ou não responderam.

O Iguape entrevistou 576 pessoas com 16 anos ou mais, sendo 280 do sexo masculino e 296 do sexo feminino, no dia 28 de setembro. O nível de confiança do levantamento é de 95% e a margem de erro é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.

No grupo composto pelas regiões do Centro, 24 de Maio, Caxambu e Valparaíso, o índice de reprovação do governo chegou a 90,7%; 6,7% aprovam e outros 2,7% não souberam ou não responderam.

Já no grupo que engloba Mosela, Duchas, Pedras Brancas e Moinho Preto, o atual prefeito teve 9,3% de aprovação, o maior índice dentre as regiões participantes do levantamento; 85,% reprovam a gestão de Hammes e 5,3% não souberam ou não responderam.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Petrópolis terá feriado de São Pedro de Alcântara pela primeira vez nesta segunda-feira (19)


Petrópolis terá, nesta segunda-feira (19), o primeiro feriado municipal de São Pedro de Alcântara após a oficialização da data por lei. O santo, que já é padroeiro da cidade, recebe a homenagem em reconhecimento à sua importância histórica, cultural e religiosa para o município. Em 2026, a data também coincide com o Dia do Comerciário, celebrado na terceira segunda-feira de outubro no estado do Rio de Janeiro.


O feriado foi instituído pela Lei nº 9.155/25, de autoria do vereador Marquinhos Almeida, com coautoria do vereador Thiago Damaceno. A legislação reconhece uma tradição que faz parte da história de Petrópolis há mais de um século.

A ligação entre São Pedro de Alcântara e a cidade remonta ao período imperial. Em 1843, o Decreto Imperial nº 155 determinou que a primeira igreja de Petrópolis fosse dedicada ao santo, reforçando sua relação com a formação histórica e religiosa do município.


Dia do Comerciário

Além do feriado religioso, o dia 19 de outubro também marca o Dia do Comerciário no estado do Rio de Janeiro. Embora a data seja tradicionalmente associada ao dia 30 de outubro, no estado a comemoração ocorre na terceira segunda-feira do mês.

Por causa da data, o funcionamento do comércio terá restrições. Lojas de rua, shoppings e centros comerciais não podem funcionar, conforme as regras informadas para a celebração. Há exceções para estabelecimentos localizados em aeroportos, portos, rodoviárias e estações metroviárias e ferroviárias, desde que cumpram as exigências previstas, incluindo a formalização de termo de adesão ao trabalho especial, homologado pelos sindicatos envolvidos.


Petrópolis amplia campanha de conscientização e combate à hanseníase com o Janeiro Roxo


Foi sancionada a Lei 9.363/26, de autoria da vereadora Gilda Beatriz, que altera a Lei Municipal nº 7.627/2018 para instituir o mês Janeiro Roxo, dedicado à conscientização, prevenção e combate à hanseníase em Petrópolis. A mudança amplia o período de mobilização e busca fortalecer as ações de informação e orientação à população sobre a doença.

A legislação estabelece que as atividades tenham como objetivo esclarecer dúvidas sobre a hanseníase, suas causas, formas de prevenção, diagnóstico e tratamento. A iniciativa também pretende contribuir para a identificação precoce da doença e ampliar o conhecimento da população sobre a importância de buscar atendimento de saúde diante de possíveis sinais e sintomas.

Para a vereadora Gilda Beatriz, ampliar a conscientização é fundamental para combater a desinformação e o preconceito que ainda cercam a doença. “O Janeiro Roxo é uma oportunidade de levar informação à população, incentivar o diagnóstico precoce e mostrar que as pessoas com hanseníase precisam de acolhimento, respeito e acesso ao tratamento adequado. Combater o preconceito também é uma forma de cuidar da saúde”, destacou.

Durante o mês de janeiro, o Poder Executivo poderá promover ações de conscientização, atividades educativas e iniciativas de prevenção, proteção e apoio às pessoas diagnosticadas com hanseníase e seus familiares. A lei também prevê o enfrentamento da discriminação contra quem convive com a doença, reforçando a importância do respeito e da inclusão social.

A atualização da legislação substitui a referência ao Dia Municipal pelo mês Janeiro Roxo, ampliando o período destinado à mobilização e permitindo maior alcance das campanhas informativas no município.


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Globo demite diretor após vazamento de mensagens com Vorcaro e suspeitas de interferência editorial


O vazamento de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Frederic Kachar provocou uma mudança no comando de parte dos negócios de mídia do Grupo Globo. Nesta quinta-feira (15), a empresa anunciou a demissão do diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, que estava havia 29 anos no conglomerado. A decisão ocorreu após a divulgação de conversas que levantaram questionamentos sobre os limites entre interesses comerciais e independência jornalística.

Em comunicado, a Globo afirmou que as mensagens trocadas entre outubro de 2023 e julho de 2025 revelaram “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. A empresa informou que teve acesso ao conteúdo na quarta-feira (14), um dia antes do desligamento.

Kachar, que ingressou no grupo em 1997, ocupava uma posição estratégica na administração de veículos como O Globo, Valor Econômico e publicações da Editora Globo, além de negócios ligados ao rádio.

As conversas, extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, mostram uma relação que ultrapassava as negociações habituais entre um anunciante e um executivo de comunicação. Os diálogos incluem discussões sobre reportagens, patrocínios, eventos privados e pedidos relacionados à exposição pública do banqueiro.

Reclamações sobre reportagens e pressão nos bastidores

Um dos episódios que mais chamaram atenção envolve a cobertura jornalística do Banco Master pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.

Em abril de 2025, Vorcaro reclamou diretamente a Kachar de uma reportagem sobre gestores do banco investigados por supostas irregularidades no mercado financeiro.

“Isso é sacanagem demais fred. numa boa”, escreveu o banqueiro, antes de acrescentar: “Diminui muito o jornalismo da Globo”.

Na resposta, Kachar demonstrou compreender o descontentamento do empresário e comentou o estilo da jornalista. O executivo afirmou que tentaria conversar com ela e, em outra mensagem, reconheceu sua autonomia profissional.

“Mas a Malu é livre. Ninguém a escala”, declarou.

A troca de mensagens expõe a tentativa de Vorcaro de levar suas reclamações sobre a cobertura jornalística diretamente a um integrante da alta administração da empresa.

Patrocínios e promessas de exposição na mídia

A proximidade também aparece em negociações comerciais envolvendo o Banco Master e eventos promovidos pelo Grupo Globo.

Em 2024, a instituição financeira patrocinou um evento realizado pelo conglomerado em Nova York, ocasião em que Vorcaro participou da abertura da programação.

Outras mensagens reveladas pela imprensa mencionam negociações relacionadas ao Baile da Vogue e ao camarote da Globo no Carnaval.

Segundo reportagem do UOL, Kachar também discutiu possibilidades de exposição editorial da influenciadora Martha Graeff, então companheira de Vorcaro, em publicações como Vogue, Marie Claire e Ela.

Esses episódios levantaram questionamentos sobre uma possível aproximação entre decisões comerciais e espaços jornalísticos. A existência das conversas, contudo, não comprova que todas as iniciativas discutidas tenham sido efetivamente realizadas.

Relação pessoal também aparece nas mensagens

Além dos assuntos profissionais, os diálogos revelados incluem convites para encontros privados e comentários de caráter sexual sobre mulheres e personalidades conhecidas.

A informalidade e o conteúdo dessas interações reforçaram a avaliação da empresa de que o relacionamento entre o executivo e o anunciante ultrapassou os limites considerados adequados.
Globo defende independência editorial

Diante da repercussão, o Grupo Globo afirmou que mantém seu compromisso com a ética e a transparência e reafirmou a independência de suas redações.

A empresa destacou a cobertura crítica realizada por seus veículos sobre o caso Banco Master como demonstração de que os interesses comerciais não determinaram o trabalho jornalístico.

No comunicado, também reconheceu os 29 anos de atuação de Kachar no desenvolvimento dos negócios de mídia do conglomerado.

O substituto do executivo no comando da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio deverá ser anunciado posteriormente.



Prisão de Márcio Canella provoca constrangimento entre deputados e amplia desgaste político da Alerj


Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que já havia chegado às eleições de outubro sob o impacto de uma crise política marcada por prisões e cassações de parlamentares ao longo da legislatura, voltou ao centro do noticiário policial nesta quinta-feira (15). Desta vez, o motivo foi a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo e segundo candidato mais votado para a Casa nas eleições deste ano.

A nova prisão repercutiu negativamente entre os deputados e ampliou o desconforto dentro do Parlamento fluminense. A cerca de dois meses do encerramento do ano legislativo, quando a Assembleia tenta concluir suas principais votações, mais uma investigação criminal envolvendo um de seus integrantes eleitos reacende o debate sobre o desgaste da imagem institucional da Casa.

Durante a sessão ordinária desta quinta-feira, os poucos parlamentares presentes no plenário evitaram comentar o assunto. Nos corredores, entretanto, o clima era diferente. Enquanto alguns deputados preferiram não se manifestar, outros aceitaram falar sob condição de anonimato. Houve ainda quem comentasse publicamente a prisão e suas possíveis consequências políticas.


Prisão provoca desconforto nos bastidores

Um aliado de Canella, que pediu para não ser identificado, lamentou a prisão e destacou a votação expressiva obtida pelo ex-prefeito de Belford Roxo, que conquistou o segundo maior número de votos na disputa por uma cadeira na Alerj.

“É muito ruim para Casa essa prisão, não tenho dúvida mais essa prisão, até porque houve um grande apela para sua candidatura e o seu retorno. Sem contar que ele foi o segundo deputado mais votado do estado. Gosto muito dele, mas ainda é muito cedo para fazer qualquer tipo de avaliação. Não dá para fazer qualquer juízo de valor”, afirmou.

Outro deputado, também ouvido reservadamente, procurou separar a situação criminal de Canella das responsabilidades institucionais da atual legislatura. Segundo ele, como o político ainda não foi diplomado para o novo mandato, o episódio não envolve, neste momento, as prerrogativas parlamentares decorrentes da futura diplomação.

“O problema do deputado Márcio Canella não está com a Casa. Ele é apenas deputado eleito e só depois da diplomação tem suas garantias constitucionais de parlamentar estabelecidas. Não é um problema desta legislatura”, avaliou.

O deputado acrescentou que, até onde tem conhecimento, as acusações contra Canella são de natureza criminal, e não eleitoral. Por isso, afirmou não identificar motivo automático para impedir a diplomação de Canella.

O parlamentar também avalia que o ex-prefeito poderá enfrentar obstáculos políticos na próxima legislatura, caso consiga assumir o mandato. Segundo ele, Canella teria se distanciado do grupo do governador eleito Douglas Ruas (PL) ao apoiar, ainda que discretamente, a candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do estado.

Na avaliação dele, o distanciamento poderia dificultar eventuais articulações futuras caso a Assembleia seja chamada a tomar alguma decisão relacionada à situação do deputado eleito. Trata-se, porém, de uma interpretação política individual, sem confirmação de que exista qualquer procedimento dessa natureza em andamento.

Na avaliação do parlamentar, esse afastamento poderá dificultar a busca de apoio político para Canella caso a Alerj seja chamada, futuramente, a deliberar sobre sua situação.

Esquema em postos de combustíveis

Márcio Canella foi preso na manhã desta quinta-feira, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. Também foi detido o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.

Segundo a PF, a investigação busca desarticular uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. O grupo investigado teria participação de agentes públicos e articulação política.

As apurações envolvem suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de cartel, entre outros crimes. Uma rede de 96 postos de combustíveis teria movimentado aproximadamente R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Esta não é a primeira vez que Canella é preso no âmbito da operação. Em julho, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, agentes federais encontraram um fuzil em seu carro. O político foi preso em flagrante e posteriormente colocado em liberdade mediante medidas cautelares.