Considerada a segunda maior festa germânica do país, a 37° Bauernfest teve início, nessa sexta-feira (19), e contará com diversas atrações ao longo dos 17 dias de evento com programações diversas por toda a Cidade Imperial.
O coordenador da literatura e mestre em história da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), professor Bruno Tamamcoldi Muniz comenta que o nome da festa celebra o historiador Gustavo Ernesto Bauer, um dos fundadores do Clube 29 de Junho e criador da Casa do Colono, guardião da memória germânica local. “O termo Bauer significa 'agricultor' em alemão, o que conecta a festa diretamente à essência dos trabalhadores rurais", disse.
Bruno conta que, desde o início do século XX, os filhos e netos dos pioneiros germânicos já mantinham viva a chama de suas origens. No bairro Fazenda Inglesa, pequenas quermesses organizadas em casas e barracões eram o cenário de reencontros embalados por músicas, danças e os sabores afetivos da culinária germânica. “Em 1983 que essa iniciativa familiar ganhou um novo propósito: transformar-se em uma festa pública, capaz de difundir a história e as tradições dos colonos para toda Petrópolis. Nascia ali, com duração de três dias, o primeiro Festival Germânico”.
Sobre o local escolhido para a estreia, o professor explica que foram escolhidos os arredores do Palácio de Cristal, que foi construído inicialmente para abrigar as exposições agrícolas e a sua bela praça, onde está fincado o cruzeiro que demarca a chegada dos pioneiros. “Aquele já era o ponto de encontro habitual das famílias alemãs para piqueniques, jogos e brincadeiras de final de semana, mas havia ali outra conexão afetiva profunda”.
O professor explica que o ponto já era conhecido como a Praça da Confluência, por se tratar de um ponto de encontro geográfico entre os rios Quitandinha e Palatinado, servindo de alusão à Praça de Koblenz, localizada no oeste alemão, onde os Rios Reno e Mosela se cruzam na Alemanha.
É contado por Bruno que, em 1990, por conta de uma parceria estratégica entre o Clube 29 de Junho, os idealizadores da festa e a Prefeitura, o evento foi profissionalizado, onde houve um crescimento exponencial que moldou o festival ao formato que é conhecido nos dias atuais. “A Bauernfest é uma celebração que possui uma identidade marcante, que se renova a cada ano para encantar novos visitantes e abraçar seu público fiel, consolidando-se como um pilar essencial do calendário turístico e cultural do estado e do país”.
O professor conclui ressaltando como a celebração de Petrópolis impõe-se pela escala da sua autenticidade, não nascendo de um plano de marketing ou de uma atração criada para o turismo de massa, mas sim, sendo criada de maneira orgânica dos quintais da Fazenda Inglesa e da memória afetiva de famílias que transformaram a dor da imigração em orgulho comunitário. “Não se trata apenas de chopp, gastronomia e turismo, e veja, são importantes, mas, trata-se de honrar o solo, os rios e o legado de Gustavo Ernesto Bauer e tantos outros”, concluiu.


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