quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mendonça diz a Fachin que decisão de Dino de reconduzir Andrei Rodrigues a PF foi ilegal

 

A guerra de liminares no Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a pressão sobre o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, para que adote uma medida capaz de conter a crise entre ministros. O episódio ganhou novos contornos após Flávio Dino derrubar a decisão de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada.

Após a decisão de Dino, ministros procuraram Fachin por telefone e cobraram providências. Um dos contatos, segundo apuração da TV Globo, foi feito pelo próprio André Mendonça, que classificou como “ilegal” a decisão do colega e pediu uma reação do presidente do STF diante do agravamento da disputa.
Mendonça cobra providências de Fachin

A ofensiva para que Fachin intervenha ocorre em meio à avaliação de magistrados de que o presidente da Corte precisa assumir o comando da crise e frear a escalada de decisões envolvendo diferentes alas do Supremo. Nos bastidores, há o entendimento de que os movimentos recentes de Mendonça e de ministros ligados ao outro polo da disputa atropelaram ou tentaram esvaziar prerrogativas do presidente do tribunal.

Fachin também deve receber nesta quarta-feira (9) o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do STF e um dos protagonistas da chamada crise Master no Supremo. A expectativa é de que o encontro trate do cenário institucional criado pela sucessão de decisões e dos próximos passos para tentar reduzir a tensão interna.

Dino apontou invasão de atribuições

Na liminar que reconduziu Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, Flávio Dino afirmou que André Mendonça invadiu atribuições que deveriam ser submetidas ao presidente do STF ou ao plenário da Corte. Para Dino, Mendonça não aguardou uma definição sobre os relatórios produzidos pela Polícia Federal antes de determinar os afastamentos.

Os documentos citados no processo incluem um relatório que apontaria uma suposta relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O outro é um relatório de inteligência, sem valor probatório, que questiona a condução de inquéritos relacionados ao INSS e ao caso Master por André Mendonça.

Fachin cancela sessão em meio à crise

A disputa entre os ministros elevou a tensão a um patamar considerado sem precedentes por integrantes do Supremo. Com a Corte mergulhada na crise institucional, Fachin cancelou a sessão plenária que estava prevista para esta quarta-feira.

A decisão de suspender a sessão ocorreu enquanto aumenta a cobrança para que o presidente do STF adote uma providência concreta para conter a guerra de liminares. Nos bastidores, ministros avaliam que a ausência de uma intervenção pode aprofundar o conflito e ampliar a exposição pública das divisões internas da Corte.




Dino determina reintegração imediata de Andrei Rodrigues à diretoria da PF


O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa à Diretoria de Inteligência Policial. A ordem reverte, na prática, o afastamento determinado um dia antes pelo ministro André Mendonça.

Como a decisão de Dino é posterior, é ela que fica valendo neste momento. O ministro justificou a medida pela necessidade de impedir “danos irreparáveis” a processos sob sua relatoria e evitar a paralisação de investigações com diligências em andamento.

“Com o objetivo de impedir a produção de danos irrepáráveis a processos submetidos à minha relatoria, defiro a tutela provisória para determinar ao Exmo presidente da República,mautoridade competente para nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, que assegure a imediata reintegração de Andrei Augusto Passos Rodrigues”, escreveu Dino.

Dino fala em caos administrativo na PF

No despacho, Dino sustentou que, enquanto o Plenário do Supremo não se manifestar definitivamente sobre o afastamento de Andrei, investigações urgentes não podem ser prejudicadas pelo que classificou como um “caos administrativo” imposto à PF pela decisão de Mendonça, que atingiu a direção da corporação.

“E, o que é pior, com a determinação de suspensão de atividades de inteligência da Polícia Federal do Brasil, como se houvesse um único Inquérito e um único julgador a envergar a toga do STF”, completou Dino, em crítica ao colega.

O ministro também estabeleceu uma proteção preventiva para impedir novos afastamentos ou outras medidas contra Andrei e Almada fundamentadas em “atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais, em cumprimento a determinações judiciais”.

Na avaliação de Dino, Andrei limitou-se a cumprir uma ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes. Por isso, mesmo que Mendonça considerasse necessário afastá-lo, a medida não poderia ter sido decretada em razão do cumprimento de uma determinação judicial.

Dino argumentou ainda que os efeitos da decisão de Mendonça ultrapassariam o caso que motivou a controvérsia e poderiam comprometer centenas de investigações conduzidas pela Polícia Federal, inclusive procedimentos que tramitam sob sua própria relatoria.

Segunda Turma teve maioria antes de pedido de vista

Antes da nova decisão, a Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues determinado por Mendonça. O julgamento no plenário virtual, porém, foi interrompido depois de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Mendonça afirmou ter sido vítima de um “monitoramento sistemático” e ilegal realizado pela inteligência da Polícia Federal durante mais de um mês. Segundo o ministro, pelo menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto, com informações sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.

“Em segundo lugar, importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal (…) Houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, escreveu Mendonça.

O ministro também sustentou que Moraes já sabia da existência dos documentos antes do encaminhamento formal pela PF. Segundo Mendonça, Andrei enviou o material a Moraes em 1º de setembro.

“Verifica-se que o monitoramento e coleta dirigida de informações deste Ministro relator e do Advogado-Geral da União ocorria ao menos há mais de um mês”, escreveu Mendonça.

Relatórios aprofundaram crise no Supremo

A controvérsia ganhou força depois que Moraes afirmou ter conhecimento de relatórios de inteligência da PF que apontavam possíveis irregularidades na atuação de Mendonça em investigações relacionadas às fraudes no Banco Master e no INSS.

Os documentos, segundo as informações apresentadas, não têm assinatura nem brasão oficial da Polícia Federal. Com base no conteúdo, Moraes pediu investigação sobre Mendonça e apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade, abuso de poder e improbidade administrativa. Os relatórios levantam suspeitas de interferência indevida na PF e direcionamento de delações premiadas por possíveis interesses políticos.

Moraes afirmou não ter determinado a produção dos documentos. Posteriormente, ordenou que a Polícia Federal encaminhasse relatórios que contivessem referências a integrantes do STF.

Mendonça, por outro lado, interpretou o conteúdo como prova de que houve coleta direcionada de informações sobre ele e Jorge Messias. Um dos relatórios levantou a hipótese de que o chefe da AGU teria deixado de recorrer para preservar sua “relação política com o relator”, embora o próprio documento classificasse como baixa a confiança agregada na cadeia de inferências usada para sustentar a hipótese.

A escalada da crise levou o presidente do Supremo, Edson Fachin, a abrir prazo para manifestações dos envolvidos. Além de Moraes e Mendonça, devem prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro.

“As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito”, afirmou Fachin.

5º Circuito Imperial de Automobilismo promete trazer carros históricos de volta às ruas de Petrópolis


Petrópolis vai voltar a ouvir o ronco dos motores pelas ruas do Centro Histórico. Entre sexta-feira (11) e domingo (13), a cidade recebe a 5ª edição do Circuito Imperial de Automobilismo, evento que reúne carros clássicos, exposições, palestras e o tradicional Raid Histórico pelo traçado que, décadas atrás, recebeu algumas das principais corridas de rua do país.

A programação é gratuita e terá como principais pontos o Centro de Cultura Raul de Leoni, na Praça da Águia, e a Avenida Tiradentes, onde os veículos antigos ficarão expostos. No domingo (13), os carros deixarão a exposição para percorrer o antigo circuito de rua de Petrópolis em um desfile de duas voltas, com percurso de 3,2 quilômetros.

Para Sergio Cabral Jr., da Paddock Marketing Esportivo, agência que participa da organização ao lado de Renato Ceschini, idealizador do evento, o Circuito Imperial representa muito mais do que uma exposição de carros antigos.

“Quando me perguntam o que é o Circuito Imperial, a resposta mais rápida seria dizer que se trata de uma grande celebração da cultura automotiva. Mas a verdade é que o evento vai muito além de uma exposição de carros antigos estacionados no Centro Histórico. O Circuito Imperial é, na essência, a preservação da identidade de Petrópolis como um dos berços mais importantes do automobilismo brasileiro.”

Carros voltam ao antigo circuito

A proposta da quinta edição é justamente aproximar o público dessa história. O Raid Histórico será realizado no traçado original do antigo circuito de corridas de rua, passando por pontos como Avenida Tiradentes, Rua da Imperatriz, Obelisco, Rua do Imperador, Praça da Inconfidência, Rua Floriano Peixoto, Rua Alberto Torres, Avenida Ipiranga e Catedral São Pedro de Alcântara.

O percurso terá duas voltas, totalizando 3,2 quilômetros. De acordo com o regulamento da organização, poderão participar veículos antigos e fora de linha, nacionais e importados, fabricados até 1995, além de réplicas.

A iniciativa também busca mostrar às novas gerações uma parte da história da cidade que nem sempre é lembrada quando se fala em Petrópolis.

Uma cidade que já foi palco de grandes corridas

A ligação de Petrópolis com o automobilismo começou no início do século XX. Em março de 1908, Gastão de Almeida, Braz de Nova Friburgo e o mecânico conhecido como Chocolat fizeram a subida da Serra a bordo de um automóvel Dietrich, em uma jornada que ficou marcada na história do automobilismo brasileiro.

Com o passar dos anos, as provas de resistência deram lugar às corridas de velocidade. Entre as décadas de 1940 e 1960, as ruas do Centro Histórico se transformaram em pistas, com paralelepípedos, trilhos de bonde, pontes e canais compondo um circuito que exigia precisão dos pilotos.

Nomes importantes do automobilismo passaram por Petrópolis, entre eles Juan Manuel Fangio, Chico Landi, Bird Clemente, Camilo Christófaro e Emerson e Wilson Fittipaldi. A cidade também revelou pilotos e personagens ligados ao esporte a motor.

Foi justamente essa memória que inspirou a criação do Circuito Imperial. Para Sergio Cabral Jr., o evento permite que o público não apenas conheça essa história, mas tenha contato direto com ela.

“É exatamente esse resgate que movimenta o Circuito Imperial. O traçado original do circuito de rua, hoje tombado como patrimônio imaterial da cidade, volta a ganhar vida. Ver esses carros lendários acelerando e completando voltas pelas mesmas curvas do Centro Histórico não é apenas olhar para o passado; é colocar a história do esporte a motor em movimento diante dos nossos olhos.”

Programação terá pilotos e mulheres no automobilismo

Além dos carros antigos, a quinta edição terá atividades voltadas à história e ao presente do automobilismo.

No sábado (12), às 15h, o Centro de Cultura Raul de Leoni receberá um talk show mediado por Luiz Saloma, agente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O encontro reunirá três pilotos para uma conversa sobre o automobilismo nacional e diferentes categorias do esporte.

Já no domingo (13), às 11h, será a vez de Rachel Loh, engenheira da equipe Mattheis/Mercado Livre Racing, da Stock Car, participar de uma palestra sobre a importância da presença feminina no automobilismo.

Nos dois dias, o Centro de Cultura também receberá exposições de miniaturas, fotografias, troféus e objetos relacionados ao esporte. Na Avenida Tiradentes, ao lado da Catedral, estarão os veículos antigos.

A programação de domingo será encerrada com o Raid Histórico. O alinhamento dos carros começa às 9h na Avenida Tiradentes, e o desfile pelo Centro Histórico está previsto para começar por volta das 13h.

Servidores da Educação realizam manifestação em frente a prefeitura de Campos


Uma manifestação dos profissionais da rede municipal de ensino, foi  realizado na manhã desta quarta-feira (9), em frente à sede da Prefeitura de Campos. A Guarda Civil Municipal está no local acompanhando a manifestação. Entre as reivindicações está a cobrança do plano de carreira.

Os profissionais da educação já haviam realizado manifestação em frente à prefeitura outras duas vezes neste ano cobrando o cumprimento de seus direitos. Foram realizadas conversas com representantes da prefeitura na tentativa de resolver as questões cobradas. No entanto, novamente a classe volta a protestar.

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe) destaca que a tabela salarial prometida não foi cumprida.

“Nós, profissionais da Educação de Campos, estamos cansados de esperar. A tabela salarial que foi prometida até hoje não saiu”, disse a nota de divulgação.

Segundo o Sindicato dos Profissionais Servidores Públicos Municipais (Siprosep), a manifestação ocorre após a Prefeitura não cumprir o compromisso de apresentar uma tabela de vencimentos do magistério. O documento, segundo ela, permitiria aos profissionais verificar se a carreira prevista em lei municipal está sendo respeitada.

“A última manifestação foi garantida no acordo lá dentro, que seria entregue para a gente, via ofício, uma tabela de vencimento no magistério, onde a gente conseguiria ver se a carreira dos professores estaria sendo respeitada ou não. Eles pediram para o sindicato mandar o ofício e não responderam. Então, sem acesso à tabela, a gente não pode garantir aos professores que eles irão receber essa carreira, que é uma lei municipal”, afirmou.


Candidato ao senado, Pedro Paulo cumpre agenda em Campos e SFI, ao lado de Carla Machado





A deputada estadual e candidata à reeleição Carla Machado irá reunir, na tarde desta quarta-feira (09),com o candidato ao Senado, Pedro Paulo(PSD), lideranças políticas e apoiadores em agendas realizadas nos municípios de Campos dos Goytacazes e São Francisco de Itabapoana.

A primeira reunião irá acontecer em Travessão, às 17h30. Já no município de São Francisco de Itabapoana, a reunião está agendada para às 19h, ambas com a presença do Pedro Paulo (PSD)


REUNIÃO EM AGOSTO

Em reunião realizada no Clube Rio Branco em agosto, Carla Machado destacou a união de vereadores, ex-vereadores e lideranças em torno de sua candidatura. Segundo a deputada, o grupo reúne pessoas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer o interior do estado.

“Mais que vereadores, mais que política, são pessoas que têm o ideal de melhorar suas cidades, de melhorar a qualidade da vida das pessoas, de ter mais oportunidade para essa juventude bonita, garantir o direito de ir e vir. Acho que eu peguei a nata para poder se unir a nós nessa luta, junto com Eduardo Paes, com Pedro Paulo, para ver um estado do Rio diferente e um interior forte”, afirmou.


Durante o discurso, Pedro Paulo também destacou a receptividade recebida durante a passagem em carro aberto pelas ruas de Campos ao lado de Carla Machado. O deputado federal chegou a mencionar os pedidos feitos por moradores para que a deputada seja candidata à Prefeitura de Campos nas eleições de 2028.

Questionada sobre a possibilidade de disputar o cargo no futuro, Carla Machado evitou antecipar o cenário eleitoral e afirmou que o foco, neste momento, está na eleição para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


terça-feira, 8 de setembro de 2026

TCE-RJ manda Prefeitura de Petrópolis suspender pagamentos a escritório e aponta 7 possíveis irregularidades




O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou que a Prefeitura de Petrópolis não faça novos pagamentos ao escritório Celso Gonçalves Sardinha, Sociedade Individual de Advocacia, referentes a honorários de êxito do Contrato nº 46/2022. A decisão foi tomada pelo plenário do Tribunal, por unanimidade, em sessão realizada em 12 de agosto de 2026.

O caso havia sido revelado em primeira mão pelo Correio da Manhã, em dezembro de 2023, quando o jornal mostrou que a Prefeitura teria que explicar ao TCE-RJ a contratação milionária do escritório de advocacia. Na época, o Tribunal já havia determinado que o município apresentasse informações sobre os contratos e disponibilizasse os documentos no Portal da Transparência.

Agora, quase três anos depois da representação apresentada pela então vereadora Gilda Beatriz Doria Mendes da Silva, o TCE-RJ concedeu uma tutela provisória, medida usada para evitar que uma situação considerada de risco continue enquanto o processo ainda é analisado. A decisão, porém, não representa o julgamento definitivo sobre a legalidade do contrato. O município e o escritório ainda deverão apresentar suas manifestações.


O processo ainda terá a manifestação da Prefeitura e do escritório contratado. Só depois dessa etapa o Tribunal poderá avaliar de forma definitiva os questionamentos levantados pela área técnica. O próprio acórdão registra que a decisão foi tomada por unanimidade pelo plenário do TCE-RJ.
Contrato previa 12% sobre o resultado obtido

O Contrato nº 46/2022 foi firmado entre a Prefeitura de Petrópolis e o escritório Celso Gonçalves Sardinha para a adoção de medidas administrativas e judiciais relacionadas à correção de informações da DECLAN-IPM.

A DECLAN-IPM é uma declaração usada para calcular o Índice de Participação dos Municípios (IPM). Esse índice ajuda a definir quanto cada cidade recebe da parcela do ICMS arrecadado pelo Estado que é destinada aos municípios.

No caso de Petrópolis, a contratação estava relacionada a inconsistências encontradas nas declarações da empresa GE Celma. A intenção era aumentar o valor considerado para o município no cálculo do IPM e, consequentemente, sua participação na distribuição do ICMS.

O contrato estabeleceu uma remuneração de 12% sobre o chamado “proveito econômico” obtido pelo município. Inicialmente, o valor estimado do contrato era de R$ 5 milhões.

Segundo a análise feita pela Coordenadoria de Auditoria em Receita (CAD-Receita), porém, os pagamentos realizados entre 2022 e 2024 chegaram a R$ 35.135.906,31. O TCE-RJ ressalta que o fato de os pagamentos terem ultrapassado a estimativa inicial, sozinho, não prova uma irregularidade. A preocupação está, entre outros pontos, na ausência de estudos prévios, faixas de remuneração e um teto para os honorários.

TCE-RJ aponta sete possíveis irregularidades
  1. Terceirização de atividades consideradas típicas e estratégicas da administração municipal;
  2. Possível ausência de singularidade do serviço, questionando a justificativa para a contratação sem licitação;
  3. Possível desproporcionalidade dos honorários, com pagamento de 12% sem estudos que definissem adequadamente a base econômica, faixas de remuneração ou teto;
  4. Divergências entre informações sobre pagamentos encaminhadas ao Tribunal e aquelas divulgadas no Portal da Transparência;
  5. Pagamento de honorários de êxito antes do trânsito em julgado da decisão judicial que fundamentou os pagamentos;
  6. Possível cumulação dos honorários contratuais de 12% com honorários de sucumbência;
  7. Questionamentos sobre a duração de 60 meses do contrato, diante da justificativa inicialmente utilizada para a contratação.É importante destacar que o TCE-RJ trata esses pontos como possíveis irregularidades nesta etapa do processo. A decisão definitiva sobre a legalidade da contratação ainda depende do contraditório, ou seja, da apresentação das justificativas e defesas dos envolvidos.
Pagamentos de honorários são suspensos

A principal decisão tomada pela Corte foi determinar que a Prefeitura de Petrópolis se abstenha de fazer qualquer novo pagamento ao escritório a título de honorários ad exitum, relacionados ao Contrato nº 46/2022 e seus aditivos, até que o TCE-RJ faça uma nova deliberação sobre o mérito do caso.

O termo ad exitum significa, de forma simplificada, uma remuneração condicionada ao resultado. Neste contrato, o escritório receberia um percentual sobre o benefício econômico obtido pelo município.

A preocupação do Tribunal está principalmente no fato de que parte dos pagamentos foi realizada com base nos efeitos de uma decisão judicial que ainda não havia se tornado definitiva.Segundo a decisão, mais de R$ 35 milhões foram pagos com base em um benefício econômico decorrente de decisão judicial ainda não transitada em julgado. O próprio Poder Judiciário chegou a suspender a execução dessa decisão durante a tramitação do caso.

O trânsito em julgado ocorre quando uma decisão judicial não pode mais ser modificada por meio dos recursos cabíveis.
Para o TCE-RJ, esse ponto é importante porque, enquanto uma decisão puder ser alterada ou anulada, existe o risco de o município ter que devolver valores recebidos. Nesse cenário, os honorários de êxito já pagos ao escritório poderiam gerar dificuldade para recuperar recursos públicos.

O Tribunal cita entendimento anterior segundo o qual, em contratos com remuneração ad exitum, o pagamento deve ocorrer somente quando estiver garantida a irreversibilidade do benefício obtido pelo ente público.

Prefeitura terá 15 dias para prestar esclarecimentos

Além de suspender novos pagamentos, a decisão determina que o atual prefeito de Petrópolis seja comunicado e apresente, no prazo de 15 dias, esclarecimentos sobre os sete pontos levantados pela área técnica do Tribunal.

Entre os questionamentos estão a terceirização de atividades da administração municipal, a justificativa para a contratação sem licitação, a forma de cálculo dos honorários, as diferenças encontradas nas informações sobre pagamentos e a realização de pagamentos antes do trânsito em julgado da decisão judicial.

O TCE-RJ também determinou que sua Procuradoria acompanhe os processos judiciais relacionados ao contrato, inclusive para verificar futuras decisões que possam afetar a validade da contratação ou a exigência dos honorários.

A representação que deu origem ao processo foi apresentada pela então vereadora Gilda Beatriz em 22 de novembro de 2023. Ela questionou a contratação do escritório sem licitação e argumentou que a Prefeitura já possuía estrutura própria de advocacia pública.

Entre os pedidos feitos ao Tribunal estava a suspensão dos pagamentos de honorários de êxito.
Naquele mesmo ano, o Correio da Manhã publicou em primeira mão informações sobre o caso e mostrou que a Prefeitura teria que prestar esclarecimentos ao TCE-RJ sobre o contrato. Na ocasião, segundo a reportagem, já haviam sido empenhados mais de R$ 33 milhões, liquidados mais de R$ 28 milhões e pagos mais de R$ 17 milhões ao escritório em honorários de êxito.

Prefeitura de Petrópolis – A Prefeitura de Petrópolis informa que o contrato com o escritório Celso Gonçalves Sardinha (Contrato nº 46/2022) foi firmado e executado exclusivamente pela gestão anterior. A atual administração nunca realizou nenhum pagamento a essa empresa, justamente por entender que a contratação não era lícita.

É importante destacar que foram pagos mais de R$ 35 milhões a este escritório entre os anos de 2022 e 2024. Quando o atual governo assumiu, a liminar que gerou esses repasses milionários já havia sido derrubada. Além disso, a Justiça julgou o mérito da ação e o município perdeu, definindo que a cobrança não deveria ter sido feita contra a GE Celma, mas sim contra o Governo do Estado.

A situação financeira de muita dificuldade enfrentada pelo município hoje foi causada justamente por conta desse processo. Essa ação judicial desastrosa provocou uma queda gigantesca de arrecadação, o que levou a dívidas não pagas pela gestão passada e deixou uma herança que compromete as contas municipais até os dias de hoje.
Diante de tudo isso, a Prefeitura concorda integralmente com a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) de suspender o contrato, considerando a medida essencial para proteger o dinheiro público. Confirmamos que o prazo de 15 dias dado pelo TCE-RJ será rigorosamente cumprido. Nossas equipes já estão reunindo toda a documentação para responder ao Tribunal com total transparência e agilidade.


Desesperado Lula faz reunião no Alvorada para definir reação à decisão de Mendonça sobre a PF


Lula reuniu auxiliares próximos no Palácio da Alvorada, na manhã desta terça-feira (8), para avaliar a reação do governo à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

Segundo reportagem do jornal O Globo, entre os integrantes do governo que participam das conversas está o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira. Lula estava reunido com integrantes da coordenação de sua campanha quando foi informado sobre a decisão de Mendonça.

A medida agravou a tensão entre o Palácio do Planalto e o ministro. No governo, a atuação de Mendonça já vinha sendo acompanhada com desconfiança diante de vazamentos relacionados a investigações sob sua relatoria.

Mendonça é relator do caso Banco Master, de inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e das apurações relacionadas às fraudes no INSS.

AGU prepara recurso contra decisão

Enquanto Lula discute a reação política e institucional, o advogado-geral da União, Jorge Messias, informou a interlocutores que pretende recorrer contra o afastamento de Andrei Rodrigues.

A argumentação deverá se concentrar na competência para decidir sobre o comando da Polícia Federal. Messias sustentará que Mendonça, ao determinar monocraticamente o afastamento do diretor-geral, interferiu em uma atribuição privativa da Presidência da República.

Com isso, a controvérsia deixa de envolver apenas o STF e a cúpula da Polícia Federal e passa a atingir diretamente o Executivo.

Mendonça, por sua vez, afirma que o afastamento é necessário para permitir que integrantes da Corte, o advogado-geral da União e servidores da própria PF “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.

O ministro também afirma ter sido monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias, episódio que está no centro da justificativa para as medidas adotadas contra a cúpula da corporação.

Mendonça manda Corregedoria investigar Andrei

Além de afastar preventivamente Andrei Rodrigues, a decisão de Mendonça determina que a própria Corregedoria da Polícia Federal investigue a atuação do diretor-geral.

“À Polícia Federal, por meio da sua Corregedoria, que promova a abertura de procedimentos investigatórios de natureza penal e administrativo-disciplinar voltados à apuração dos graves fatos identificados, devendo submeter a este relator as medidas que considerar necessárias no curso das apurações”, diz a decisão.

O afastamento de Andrei ocorre em meio à escalada de uma crise envolvendo o gabinete de Mendonça, integrantes da direção da Polícia Federal e ministros do Supremo.

A reação do Planalto agora passa a ser um dos elementos centrais do impasse. Além do recurso que será apresentado pela AGU, Lula discute com seus principais auxiliares qual posição o governo deverá adotar diante de uma medida que atingiu diretamente o comando de uma instituição subordinada ao Executivo.


André Mendonça afasta Andrei Rodrigues da diretoria da Polícia Federal


Em mais um capítulo da crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal, o ministro André Mendonça determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF. Na decisão, o magistrado afirma que vem sendo monitorado pela corporação há mais de 30 dias.

Mendonça também afastou Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial da PF. As medidas foram submetidas ao referendo da Segunda Turma do Supremo, e o ministro pediu ao presidente do colegiado, Luiz Fux, a convocação de uma sessão virtual extraordinária ainda nesta terça.

Segundo Mendonça, os afastamentos são necessários para que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da própria Polícia Federal “exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais”.

A Segunda Turma é composta por Mendonça, Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. Este último tem se declarado impedido nos julgamentos relacionados ao caso Banco Master.


Mendonça suspende produção de relatórios de inteligência

Além dos afastamentos, o ministro determinou a “suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento, ainda que interno, de todo e qualquer relatório de inteligência que se destine à análise de atos praticados no exercício das funções constitucionais de prestação jurisdicional, advocacia pública e de polícia judiciária”.

“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, escreveu Mendonça.

Na decisão, o ministro também argumentou que a manutenção dos servidores nas funções poderia representar risco às investigações em andamento.

“A restrição temporária ao exercício funcional é significativamente inferior ao dano potencial que poderia decorrer da utilização das prerrogativas inerentes aos respectivos cargos para fins de comprometer a colheita de provas, dificultar a atuação dos órgãos de investigação e persecução, ou interferir em procedimentos administrativos destinados à apuração dos mesmos fatos.”

A medida ocorre em meio ao acirramento da disputa envolvendo Mendonça e Alexandre de Moraes. Relatórios da Polícia Federal utilizados por Moraes serviram de base para acusações contra Mendonça por supostos crimes de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução dos casos Banco Master e INSS.

Relatório recomendou monitoramento de Mendonça e Messias

Os documentos utilizados na disputa não apresentam autoria, brasão da República ou a padronização esperada para documentos dessa natureza, de acordo com a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública.

Um dos relatórios recomenda “monitoramento e coleta dirigida” sobre André Mendonça e sua relação com Jorge Messias.

A orientação aparece em uma análise intitulada “postura da Advocacia-Geral da União e o quadro de risco associado”. O próprio documento classifica esse trecho como aquele de “menor lastro documental” e o “único de natureza prospectiva”.

O texto registra ainda que os elementos não autorizariam “afirmação institucional, providência formal ou manifestação externa”. Mesmo assim, ao final, afirma que o material “autoriza monitoramento e coleta dirigida”.

Mendonça sustenta que está sendo monitorado pela Polícia Federal há mais de 30 dias. A revelação aumenta a tensão entre integrantes do Supremo e a cúpula da corporação em meio às investigações relacionadas ao Banco Master.

Novo pediu prisão de Andrei Rodrigues

A decisão foi tomada durante a análise de um pedido apresentado pelo partido Novo, que solicitou “providências necessárias à preservação da independência, da integridade e da efetividade das investigações em curso”.

A legenda recorreu ao STF depois que um relatório de aproximadamente 200 páginas encontrou referências a Andrei Rodrigues no conteúdo extraído do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O Novo chegou a pedir a prisão do diretor-geral da Polícia Federal. Mendonça, no entanto, não acolheu essa medida e determinou seu afastamento temporário do cargo.

Na segunda-feira, o ministro havia encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) o relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Em uma das conversas, o banqueiro afirma precisar da proteção de “Andrei e Paulo”, apontados como referências a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu Vorcaro a Moraes uma semana antes de sua primeira prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025, segundo informações da investigação.

Um dia antes dessa mensagem, Vorcaro também havia escrito ao ministro: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”.

Os novos desdobramentos colocam a direção da Polícia Federal diretamente no centro da crise institucional envolvendo ministros do Supremo e as investigações do Banco Master, enquanto a Segunda Turma deverá decidir se mantém ou derruba os afastamentos determinados por Mendonça.

Antes de se chamar Casa do Alemão, tradicional endereço de Petrópolis tinha outro nome


Quem passa pela Serra Fluminense provavelmente já conhece a cena: uma parada rápida para comer um croquete, um pão com linguiça ou levar para casa os tradicionais biscoitos amanteigados. Há mais de 80 anos, a Casa do Alemão faz parte do caminho de quem chega ou deixa Petrópolis e transformou uma antiga panificação em uma das marcas mais conhecidas da cidade. Mas o nome pelo qual o estabelecimento ficou famoso só surgiu décadas depois da sua fundação e a história começa com a chegada de um casal europeu.

A história teve início em 1945, quando os irmãos da família Fontaine compraram uma padaria em Petrópolis, chamada Panificação Quitandinha. Na época, os biscoitos amanteigados eram uma das principais especialidades do negócio. A produção cresceu e, algum tempo depois, a família ganhou novos parceiros: Stephan e Julka Kern, um casal europeu que chegou ao Brasil ainda nos anos 1940.



Julka era doceira e Stephan, salsicheiro. Com a chegada dos dois, o cardápio da panificação passou a incorporar receitas de doces e produtos de salsicharia de inspiração alemã, ampliando a variedade oferecida aos clientes.

Foi Stephan, porém, quem acabaria dando à empresa uma identidade que ultrapassaria os próprios produtos. Vestido com um avental branco, ele costumava ficar no balcão e na porta da loja, conversando com os clientes, oferecendo degustações e apresentando novidades preparadas por ele.

A estratégia chamou atenção dos frequentadores. Aos poucos, as pessoas passaram a dizer que iriam “na casa daquele alemão”. O apelido pegou e, em 1977, a empresa oficialmente passou a se chamar Casa do Alemão.

Croquetes, biscoitos e pão com linguiça

Ao longo das décadas, a Casa do Alemão ampliou seu cardápio sem abandonar as receitas tradicionais. A produção continua concentrada na fábrica localizada no Quitandinha, de onde saem produtos como pães, croquetes, linguiças, doces e biscoitos.

Os famosos croquetes e o pão com linguiça estão entre os itens que ajudaram a tornar a marca como uma parada tradicional para quem circula pela Região Serrana. Os biscoitos amanteigados, por sua vez, estão presentes desde os primeiros anos da antiga Panificação Quitandinha e continuam entre os produtos mais associados à empresa.

Segundo a própria marca, as receitas tradicionais foram mantidas ao longo dos anos, enquanto a produção própria e artesanal permanece como um dos diferenciais do negócio.

De Petrópolis para outras cidades

O que começou em uma padaria de Petrópolis acabou ultrapassando os limites da cidade. Atualmente, a Casa do Alemão possui dez endereços listados pela marca, espalhados por Petrópolis, Rio de Janeiro e municípios da Região Metropolitana.

Em Petrópolis, são três unidades: Quitandinha, Centro e Itaipava. A marca também possui uma loja na Barra da Tijuca, no Rio, além de unidades em Duque de Caxias, São João de Meriti, Itaboraí e Tanguá.

Apesar da expansão, a empresa mantém a ligação com a cidade onde sua história começou. A fábrica continua localizada no Quitandinha, de onde parte a produção que abastece as lojas.

Onde encontrar a Casa do Alemão:

Petrópolis — Quitandinha
Av. Ayrton Senna, 927 – Quitandinha, Petrópolis
Telefone: (24) 2291-4291

Petrópolis — Centro
Rua 16 de Março, 138 – Centro, Petrópolis
Telefone: (24) 3616-2088

Petrópolis — Itaipava
Estrada União e Indústria, 9.500, lojas 1 a 3 – Itaipava, Petrópolis
Telefone: (24) 99305-2522

Rio de Janeiro — Barra da Tijuca
Av. das Américas, 1.699 – Barra da Tijuca
Telefone: (21) 2497-2629

Duque de Caxias — BR-040, sentido Petrópolis
Rodovia Washington Luiz, km 13
Telefone: (21) 2676-1292

Duque de Caxias — BR-040, sentido Rio
Rodovia Washington Luiz, km 13
Telefone: (21) 2676-1499

Itaboraí — BR-101, sentido Região dos Lagos
Rodovia BR-101, km 284 – Posto Amigão de Itaboraí
Telefone: (21) 3637-2423

São João de Meriti — Dutra, sentido São Paulo
Rodovia Presidente Dutra, km 6
Telefone: (21) 2751-1294

Tanguá — BR-101, sentido Rio de Janeiro
Rodovia BR-101, km 276,6 – Posto Retiro dos Bandeirantes
Telefone: (21) 96628-6954


Petrópolis aposta em ecoturismo e 'agendas' florais para aquecer o setor em setembro


O setor de turismo de Petrópolis projeta uma nova estação com “casa” cheia. Conhecida pelo seu apelo histórico e pelo clima ameno, a Cidade Imperial redireciona suas estratégias promocionais para consolidar o chamado "Turismo de Primavera". O período é considerado estratégico pelos empresários locais, pois atrai um perfil de viajante focado em ecoturismo, gastronomia ao ar livre e contemplação da natureza, equilibrando o fluxo de visitantes após o encerramento da alta temporada de inverno.


A mudança na dinâmica dos viajantes é impulsionada pelas condições climáticas especiais do mês, que favorecem os passeios nos parques urbanos e nas reservas ecológicas da Região Serrana. De acordo com o presidente do Petrópolis Convention e Visitors Bureau, Fabiano Barros, setembro marca uma transição perfeita para o turismo de Petrópolis. “Deixamos para trás o turismo de casacos e lareiras para abraçar as caminhadas, os circuitos de compras floridos e os festivais gastronômicos que aproveitam a beleza natural da nossa região. O comércio de vestuário e o setor de serviços trabalham em sinergia, garantindo que o turista encontre uma cidade vibrante, com vitrines renovadas e atrativos culturais para toda a família", destaca.

Rua 16 de Março

A primavera também abre espaço para uma Petrópolis menos óbvia, revelada em caminhos cercados de verde, jardins, montanhas e pequenos vales. É uma estação que convida a trocar o roteiro tradicional por experiências em que a paisagem é parte do passeio. No Retiro, o Orquidário Binot, fundado em 1870 e considerado o primeiro do Brasil, reúne a tradição da floricultura à história de Jean Baptiste Binot, paisagista responsável pelos jardins do Palácio Imperial. O espaço, que permanece administrado por seus descendentes, é hoje um dos endereços que melhor traduzem a vocação floral da cidade.


Nos distritos, a primavera ganha ainda outros sabores e cenários. O Morango do Vale aproxima o visitante da produção local e de uma paisagem rural que combina agricultura e experiências gastronômicas. Já o Vale do Amor propõe uma experiência de contemplação em meio às montanhas, com jardins e diferentes tradições religiosas integradas à natureza. Em Araras e no Vale das Videiras, o roteiro pode incluir caminhadas, passeios de bicicleta, turismo de aventura, restaurantes, pousadas, produtos orgânicos, ateliês e galerias de arte.

Brejal e Bonfim completam esse mapa de experiências com o charme da vida rural. Nos circuitos ecorrurais do município, o visitante pode percorrer paisagens de montanha, conhecer produtores, provar e comprar produtos cultivados na própria região. São roteiros que aproximam turismo, gastronomia e agricultura e ajudam a transformar a visita em uma experiência mais sensorial e ligada ao território.

Rua Teresa

E há ainda a possibilidade de literalmente caminhar pela primavera dentro de uma das maiores referências de natureza da região. O Parque Nacional da Serra dos Órgãos, cuja maior área está em Petrópolis, oferece trilhas, cachoeiras, caminhadas e a possibilidade de observar de perto a exuberância da Mata Atlântica. Entre as opções está a Travessia Petrópolis-Teresópolis, percurso de 42 quilômetros realizado em dois ou três dias, além de trilhas de diferentes níveis de dificuldade.

O calendário de eventos e a valorização dos distritos, como Itaipava, Araras e Secretário ajudam a pulverizar o turismo por todo o município, movimentando a hotelaria, os restaurantes, o comércio e os serviços. Para setembro, a aposta do trade é justamente aproveitar essa diversidade de experiências e o clima da estação para atrair visitantes também para os roteiros de natureza, os circuitos gastronômicos e os distritos.