sexta-feira, 26 de junho de 2026

Alana Passos vai acionar Conselho de Ética e MP contra Tainá de Paula por fala sobre vereadores

Tainá de Paula

A vereadora Alana Passos (PL) vai protocolar representações no Conselho de Ética da Câmara do Rio e no Ministério Público (MP) contra Tainá de Paula (PT) — que, em discurso no plenário nesta quinta-feira (25), acusou um suposto envolvimento de parlamentares da Casa com a milícia.

Alana pretende exigir que a parlamentar petista dê nome aos vereadores supostamente ligados a milicianos ou apresente a investigação que embase as graves declarações.

Tainá de Paula informou que entregou uma carta de retratação à presidência da Câmara, que deverá ser publicada no Diário Oficial nesta sexta-feira (26). No texto, a vereadora reconhece ter feito “declarações excessivas e generalizadas” e afirma que as falas “não refletem a realidade nem fazem jus ao meu profundo respeito pelos meus pares e por esta Casa” .

Alana Passos

Acusações feitas devido à arquivamento de projeto

A fala foi proferida durante a apreciação de projetos na sessão, que esquentou com a discussão de uma proposta de autoria de Tainá de Paula. Um projeto de lei complementar, de autoria da parlamentar, buscava regulamentar o Termo Territorial Coletivo (TTC), um mecanismo voltado à garantia da segurança da posse de terra em favelas e comunidades vulneráveis.

O modelo do TTC prevê a separação entre a propriedade da terra e a propriedade das construções. Pelo texto, terrenos em comunidades passariam a pertencer coletivamente a associações ou entidades administradas pelos próprios moradores, enquanto cada família poderia manter a titularidade individual de sua residência.

Embora os defensores da proposta argumentassem que a medida ajudaria a proteger comunidades carentes da especulação imobiliária, a iniciativa enfrentou forte resistência da oposição.

Durante o debate, os vereadores Pedro Duarte (PSD), Rogério Amorim (PL) e Rafael Satiê (PL) contra-argumentaram sustentando que a proposta poderia representar uma afronta direta ao direito à propriedade privada.

Na hora da votação, o projeto obteve a maioria dos votos favoráveis, mas não alcançou o quórum de maioria absoluta necessário para a sua aprovação definitiva, sendo arquivado.

Inconformada com o resultado e com a derrota da proposta, Tainá de Paula subiu à tribuna para lamentar o desfecho e fez uma acusação contundente. Sem citar nomes, a parlamentar afirmou que “há vereadores aqui associados à milícia que não querem perder territórios”.

As declarações de Tainá em plenário

Confira a fala, da vereadora Tainá de Paula, feita ao microfone do plenário, na íntegra:

“Eu quero dizer da minha tristeza em nós, depois de mais de três anos ao redor da discussão do Termo Territorial Coletivo, o PL fazer uma manobra suja, incluindo figuras da base desse governo, desconstruindo um instrumento que garante a propriedade privada aos moradores mais pobres, e na verdade se trata disso. Há vereadores aqui associados à milícia, que querem que os territórios não tenham propriedade, que as pessoas mais pobres não tenham acesso à terra e, portanto, bombardearam um instrumento legítimo. Eu quero dar um recado para a milícia do Rio, eu quero dar um recado para o mercado imobiliário do Rio, que hoje interditou uma discussão importante, que é a garantia e a autonomia do direito à terra dos cariocas mais pobres dessa cidade.”
Reações

A declaração repercutiu no plenário. Rogério Amorim voltou ao microfone para rebater a fala da colega e manifestou solidariedade aos demais parlamentares. Segundo ele, se algum vereador tem conhecimento de ligações entre integrantes da Casa e organizações criminosas, tem a obrigação de denunciar formalmente os fatos, sob pena de conivência.

A fala de Tainá vai acarretar em uma resposta jurídica e institucional protocoladas por Alana Passos, que justificou a decisão de acionar o Conselho de Ética e o MP criticando a postura generalizada da parlamentar do PT.

“Não se pode jogar no ar uma acusação dessa gravidade só porque um projeto foi derrotado no plenário. Quando a vereadora Tainá de Paula diz que há parlamentares associados à milícia, ela tem obrigação de apontar quem são e em que investigação se baseia. Sem nome e sem prova, isso deixa de ser denúncia e vira ataque irresponsável contra a honra dos vereadores e contra a própria Câmara”, afirmou Alana Passos.

A carta de retratação

Tainá pediu desculpas em uma retratação enviada à Câmara do Rio, reiterando que “divergências políticas devem ser tratadas exclusivamente no campo das ideias e do debate democrático”. Leia, na íntegra, o texto que será publicado no Diário Oficial:

“No calor dos debates ocorridos na sessão plenária desta quinta-feira (25/6), proferi declarações excessivas e generalizadas que não refletem a realidade nem fazem jus ao meu profundo respeito pelos meus pares e por esta Casa.

Peço desculpas aos vereadores e vereadoras que porventura possam ter se sentido ofendidos. Reitero que as divergências políticas devem ser tratadas exclusivamente no campo das ideias e do debate democrático, mantendo-se sempre o respeito ao decoro parlamentar.

Além disso, gostaria de adicionar que o Rio de Janeiro perdeu uma oportunidade histórica hoje. É importante garantir às pessoas mais pobres dessa cidade o direito à terra. Esse é o debate de que precisamos e que vamos continuar a fazer.”


 

Fim de semana em Petrópolis tem previsão de chuva e temperaturas chegando aos 13ºC


A previsão do Climatempo indica que Petrópolis terá um fim de semana prolongado com chuva, períodos de sol entre nuvens e termômetros não ultrapassando a máxima dos 22ºC. A temperatura mínima na Cidade Imperial pode chegar aos 13ºC durante o período.


Nesta sexta-feira (26), o dia será de sol entre nuvens e chuva passageira. À noite, o tempo fica nublado e com possibilidade de chuvisco. Os termômetros variam entre 15ºC e 18ºC


No sábado (27), a previsão indica sol e aumento de nuvens pela manhã, com pancadas de chuva à tarde e à noite. Já as temperaturas variam entre 14ºC e 21ºC.


No domingo (28), o dia será de sol com algumas nuvens e névoa ao amanhecer. Já a noite será de tempo limpo. Os termômetros variam entre 13ºC e 22ºC. Já na segunda-feira (29), feriado em celebração à chegada dos Primeiro Colonos Alemães a Petrópolis, a previsão indica muitas nuvens ao longo de todo o dia, com aberturas de sol em alguns períodos. A mínima pode registrar 13ºC e a máxima não deve ultrapassar os 22ºC.



Petropolitano Henrique Avancini é Campeão Brasileiro de Contrarrelógio


Henrique Avancini, um dos maiores nomes da história do Mountain Bike brasileiro, em sua trajetória de adaptação ao ciclismo de estrada, conquistou o Campeonato Brasileiro de Contrarrelógio nesta quinta-feira (25), em Brasília.

Cerca de 18 meses após iniciar sua transição entre as modalidades, Henrique Avancini percorreu os 27,8 km do circuito em 34min40s, com 48,09 km/h de média, garantindo assim, a camisa de Campeão Brasileiro.


A medalha de prata ficou com João Pedro Rossi, que concluiu a prova em 35min17s. O pódio foi completado por Gabriel Sousa Silva, 3º colocado com o tempo de 35min46s. Todos os ciclistas pertencem a Localiza Meoo/Swift Pro Cycling.

“Estou vivendo verdadeiramente um sonho”

Após a conquista, Henrique Avancini destacou o significado especial do resultado e o processo de adaptação ao ciclismo de estrada.


“Essa vitória tem um significado muito especial. Venho vivendo um processo de aprendizado desde que decidi direcionar minha carreira para o ciclismo de estrada”.

“Estou vivendo verdadeiramente um sonho. Conquistar um Campeonato Brasileiro mostra que estamos no caminho certo. É uma modalidade diferente, são épocas diferentes e subir ao lugar mais alto do pódio torna esse momento ainda mais marcante”, destacou Henrique Avancini.


Prefeito veta auxílio-alimentação para vereadores em Nova Friburgo



O prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon (PL) vetou o Projeto de Lei 193/2026, que criava um auxílio-alimentação de R$ 50 por dia útil para os vereadores do município. A proposta havia sido aprovada pela Câmara Municipal em maio e poderia gerar um impacto anual estimado em cerca de R$ 277 mil aos cofres públicos.

Na justificativa do veto, o Executivo argumenta que a medida contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo a Prefeitura, o município ultrapassou o limite prudencial de gastos com pessoal, situação que impede a criação de novas despesas dessa natureza. O governo municipal também apontou questionamentos relacionados à moralidade administrativa e ao impacto financeiro da concessão do benefício.

O projeto foi aprovado em primeira e segunda discussão pela Câmara, com 11 votos favoráveis e oito contrários. De autoria da Mesa Diretora, a proposta alterava a Lei Municipal nº 4.996/2023 para estender aos parlamentares um benefício já concedido aos servidores do Legislativo.

Votaram a favor os vereadores Janio de Carvalho (União), Carlinhos do Kiko (PL), Cascão do Povo (Podemos), Walace Piran (PL), Bruno Silva (MDB), Max Bill (MDB), Angelo Gaguinho (PL), Tia Karla (Republicanos), Evandro Miguel (MDB), Cláudio Leandro (PL) e Dirceu Tardem (PL).

Já os votos contrários foram de Maicon Gonçalves (Mobiliza), Marcus Marins (PSD), Maiara Felício (PT), Cláudio Damião (PT), Gabriel do Zexinho (Solidariedade), Rômulo Pimentel (Podemos), Cristiano Huguenin (PP) e José Carlos (União).

Durante a tramitação da proposta, a votação foi acompanhada por manifestações contrárias de parte do público presente no plenário, que reagiu com vaias à leitura da ementa. O texto também recebeu uma emenda aditiva determinando que os vereadores interessados no benefício apresentassem requerimento formal para adesão ao auxílio.

Texto ainda pode virar lei

Com o veto do prefeito, o projeto retorna à Câmara Municipal, que poderá manter ou derrubar a decisão do Executivo em nova votação.

Príncipe relata sumiço de bens após voltar ao Palácio Grão-Pará


Um novo capítulo foi acrescentado à disputa judicial envolvendo o Palácio Grão-Pará, em Petrópolis. Após obter na Justiça a reintegração de posse do imóvel, o príncipe Dom Pedro Tiago de Orleans e Bragança constatou o desaparecimento de bens pessoais que estariam na residência durante o período em que ficou impedido de acessar o local, entre eles, segundo a defesa, um carro utilizado pelo integrante da Família Imperial.


A informação foi confirmada ao Correio Petropolitano pelo advogado do príncipe, Fabrizio Bon Vecchio. Segundo ele, a ausência dos objetos só foi percebida após o cumprimento da decisão judicial que devolveu a posse do imóvel ao integrante da Família Imperial e um boletim de ocorrência já foi registrado para apurar o desaparecimento.

Bens estavam encaixotados

De acordo com a defesa, ao retornar ao Palácio Grão-Pará, Dom Pedro Tiago encontrou seus pertences pessoais embalados e acondicionados em caixas. Foi durante a organização desses materiais que o príncipe percebeu que alguns itens não estavam mais no imóvel. O advogado não detalhou quais objetos estariam desaparecidos.

Ainda segundo a defesa, um boletim de ocorrência já foi registrado para apurar o desaparecimento dos bens. Além disso, a Companhia Imobiliária de Petrópolis deverá ser notificada para prestar esclarecimentos sobre o paradeiro dos objetos que permaneciam no imóvel durante o período da disputa possessória.


Carro foi o primeiro item percebido

Embora não tenha confirmado oficialmente a lista completa dos bens desaparecidos, Fabrizio Bon Vecchio informou que o veículo utilizado por Dom Pedro Tiago foi o primeiro item cuja ausência foi identificada após o retorno ao imóvel.

A defesa também informou que pretende levar ao Poder Judiciário todos os prejuízos que entende terem sido causados ao príncipe durante o episódio que resultou na ação de reintegração de posse.
Disputa segue na Justiça

No último dia 11 de junho, a 2ª Vara Cível de Petrópolis concedeu liminar determinando a reintegração de posse do Palácio Grão-Pará a Dom Pedro Tiago de Orleans e Bragança. A Justiça entendeu que houve esbulho possessório após a troca das fechaduras e o impedimento de acesso ao imóvel.

Posteriormente, a Companhia Imobiliária de Petrópolis apresentou pedido de reconsideração, alegando que o imóvel havia sido retomado após o encerramento de um contrato de comodato firmado com o pai do príncipe. O pedido, porém, foi rejeitado pela Justiça, que manteve integralmente a liminar. O processo principal segue em tramitação na 2ª Vara Cível de Petrópolis.



quinta-feira, 25 de junho de 2026

Caminhada das Lanternas acontece neste sábado nas ruas do Centro Histórico de Petrópolis


A tradicional Caminhada das Lanternas (Laternenumzug) acontece neste sábado (27/6), pelas ruas do Centro Histórico. A procissão ecumênica faz parte da programação da 37ª Bauernfest – Festa do Colono Alemão e tem início às 20h.

A concentração será na Igreja Luterana, na Rua Ipiranga, seguindo em direção a Catedral São Pedro de Alcântara, passando pelas avenidas Koeler e Roberto Silveira, até chegar no Palácio de Cristal, palco principal da Bauernfest.


A caminhada é uma tradição cristã que tem origem na Idade Média em boa parte da Europa. No período medieval, durante o inverno, a procissão das velas tinha um significado especial, representando a esperança e a luz em meio a escuridão e ao frio. Era um simbolismo de que o fogo ia aquecer as casas até o sol voltar na primavera.

A Bauern vai até 05 de julho no Palácio de Cristal e arredores. A programação completa está no site da Prefeitura (petropolis.rj.gov.br).


CPI da tragédia de Petrópolis inicia trabalhos e convoca o ex-secretário Bernardo Rossi


Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) instalou, nesta quinta-feira (25), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar os desdobramentos dos serviços de assistência prestados na Região Serrana após a tragédia climática que atingiu Petrópolis, em fevereiro de 2022.

Na primeira reunião, os integrantes do colegiado aprovaram a convocação do ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi (União), que será o primeiro a prestar depoimento.

Além de Rossi, o colegiado também aprovou a convocação do ex-secretário estadual de Obras Uruan Cintra, do ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Renato Jordão Bussiere e do atual secretário estadual de Obras, Raul Fanzeres.

Bussiere foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Sem Refino, realizada pela Polícia Federal com autorização do ministro Alexandre de Moraes, que investigava supostas irregularidades envolvendo a refinaria Refit.

Os deputados decidiram convidar ainda os representantes da Defensoria Pública do Estado (DP-RJ), da Câmara Municipal de Petrópolis, da imprensa local e de entidades da sociedade civil para participar da próxima reunião.

Plano de trabalho

As convocações fazem parte da primeira etapa de oitivas. O colegiado pretende ouvir autoridades e ex-gestores que participaram da formulação e da execução das ações adotadas após a tragédia, com o objetivo de avaliar as medidas implementadas na assistência às vítimas e na recuperação das áreas atingidas.

O plano de trabalho completo será apresentado na próxima reunião, mas a prioridade inicial são áreas de Meio Ambiente e de Obras, responsáveis pelas principais intervenções realizadas na região.
Levantamento de informações

O colegiado definiu que toda a documentação produzida pela Comissão Especial criada pela Alerj em 2022 para acompanhar os desdobramentos da tragédia em Petrópolis será incorporada aos trabalhos da CPI.

O material reúne relatórios, registros de diligências, fotografias, documentos sobre pagamentos realizados pela Prefeitura de Petrópolis, além de informações sobre obras executadas ou planejadas pelo governo estadual após o desastre.

A Prefeitura de Petrópolis e a Secretaria de Estado de Assistência Social serão oficiadas para apresentar dados sobre o número de famílias que ficaram desabrigadas, quantas já foram reassentadas e quais benefícios ainda são concedidos às vítimas.

Trabalhos durante o recesso

Para cumprir o prazo de 90 dias previsto para o funcionamento da comissão e evitar impactos do calendário eleitoral, os integrantes da CPI decidiram manter os trabalhos durante o recesso parlamentar de julho, que começa na próxima quarta-feira (1º). Para isso, solicitarão autorização à Mesa Diretora da Alerj.

A CPI foi proposta pelo deputado Rodrigo Amorim (PL), que foi eleito presidente do colegiado. Já a deputada Sarah Poncio (SDD) foi eleita vice-presidente e o deputado Alexandre Knoploch (PL) exercerá a relatoria. Também fazem parte da comissão os deputados Yuri Moura (PSOL), Alan Lopes (PL), Sérgio Fernandes (PSD) e Wellington José (União).


Rotina: caminhão arrasta fios, danifica poste e interdita trecho da Avenida 28 de Março, em Campos


Um caminhão provocou transtornos no trânsito após arrastar a fiação aérea e danificar um poste nesta quinta-feira (25), na Avenida 28 de Março, no bairro Turf Club, em Campos. O acidente ocorreu quando o veículo seguia pela Rua Benedito Queiroz e tentava acessar a 28 de Março. 

Com o impacto, os fios foram puxados e um poste localizado em frente a um posto de combustíveis sofreu danos, ficando inclinado e oferecendo risco. O trecho entre a Rua Benedito Queiroz e a Rua General Couto Reis precisou ser interditado.

Em nota, a Enel Rio informou que uma equipe de emergência está no local e, com o auxílio da Guarda Municipal, isolou a área e os riscos. Ainda segundo a concessionária, uma equipe de manutenção está se deslocando para realizar a substituição do poste.

A Prefeitura de Campos, através da Guarda Civil Municipal (GCM), informou que recebeu a solicitação por meio da secretaria municipal de Obras e Infraestrutura (SOP) e deslocou equipes ao local para garantir a segurança da área. A via foi parcialmente interditada e o trânsito está sendo desviado pela rua anterior ao trecho afetado.

Informou ainda que a GCM aguarda a atuação da Enel, responsável pelo reparo da rede elétrica e pela substituição do poste danificado, prestando apoio à operação e orientando o fluxo de veículos até a conclusão dos serviços.

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Ministério da Justiça investiga Cazé TV por propaganda abusiva de bets


O Ministério da Justiça abriu um processo para investigar a CazéTV por suposta propaganda abusiva de apostas online, as bets. A investigação, instaurada nesta quarta-feira (24), foca na divulgação de promoções durante as transmissões dos jogos da Copa do Mundo de 2026.

Segundo a pasta, o canal foi notificado e informou que fará ajustes para seguir a lei. O órgão identificou transmissões que vão além da publicidade comum: as mensagens estimulavam o público a apostar imediatamente com promessas de ganhos mais altos, o que é proibido.

O ofício cita três casos nos jogos de Argentina, Inglaterra e Uruguai. Em um deles, narradores incentivavam o uso de QR Code. Em outro, o jornalista Casimiro Miguel comentou sobre o valor de uma recompensa da operadora KTO para um placar que, no fim, terminou zerado.

O documento é assinado por Daniel Amaral Nunes Carnaúba, diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

“Os registros audiovisuais acostados aos autos revelam, em tese, elementos que podem guardar relação com as hipóteses vedadas pela regulamentação setorial. (…) A divulgação de oportunidades promocionais vinculadas a partidas específicas, a utilização de mensagens que incentivam a realização imediata de apostas, a apresentação de odds majoradas acompanhadas de comentários destinados a reforçar a atratividade das ofertas anunciadas e a associação entre a paixão pelo futebol e a prática de apostas esportivas constituem circunstâncias que demandam análise quanto à sua compatibilidade com os princípios do jogo responsável, da transparência e da informação adequada ao consumidor”, escreveu Daniel.

As odds são os multiplicadores que indicam quanto o apostador irá receber sobre a quantia investida na plataforma. Quanto menor for a tendência pelo resultado em questão, maiores são os valores de retorno ao usuário.

Uma portaria de 2024 proíbe propagandas que sugiram ganho fácil ou estimulem a prática excessiva de jogos. O Código de Defesa do Consumidor também veda publicações que se aproveitem da falta de experiência do público ou induzam a comportamentos prejudiciais.

A Secretaria de Prêmios e Apostas confirmou que analisa o caso e já notificou os envolvidos. O órgão monitora o mercado de apostas na Copa do Mundo para garantir o cumprimento das regras de publicidade e os princípios do jogo responsável e da transparência.



Casa da Princesa Isabel vira palco de nova disputa judicial entre herdeiros da Família Imperial



Poucos meses antes da Proclamação da República, em 1889, a escadaria da Casa da Princesa Isabel, em Petrópolis, foi cenário de um dos registros mais emblemáticos da história do Brasil. Em 23 de maio daquele ano, Dom Pedro II reuniu sete integrantes da Família Imperial para uma fotografia feita por Otto Hees. A imagem tornou-se conhecida como o último retrato da família real em território brasileiro antes do exílio imposto após a mudança do regime político.

Mais de um século depois, o mesmo imóvel voltou ao centro das atenções, desta vez por causa de uma disputa judicial entre descendentes da antiga Casa Imperial. A residência histórica, localizada no Centro de Petrópolis, tornou-se objeto de uma ação de reintegração de posse que expõe divergências familiares envolvendo a Companhia Imobiliária de Petrópolis e integrantes da família Orléans e Bragança.


Segundo reportagem do jornal O Globo, a nova ação ocorre poucos dias após outro conflito patrimonial envolvendo imóveis históricos da antiga monarquia brasileira ganhar repercussão. Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança, herdeiro de Dom Pedro II, conseguiu na Justiça uma liminar para retornar ao Palácio do Grão-Pará, após relatar ter sido impedido de acessar o imóvel. Naquele processo, a Companhia Imobiliária de Petrópolis figurou como ré, embora tenha entre seus sócios três descendentes da Família Imperial, incluindo Pedro Carlos de Bourbon de Orléans e Bragança, pai de Pedro Tiago e diretor da empresa.

Segundo andar é alvo da disputa

Paralelamente ao caso do Palácio do Grão-Pará, outro processo tramita na 2ª Vara Cível de Petrópolis tendo como objeto a Casa da Princesa Isabel.

Desta vez, a Companhia Imobiliária de Petrópolis aparece como autora da ação de reintegração de posse, protocolada em 28 de maio. Segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, até o momento não há decisão judicial sobre o pedido.

O processo teve início após petição apresentada em 5 de maio pelo advogado Arthur Leonardo Motta de Gomes Tostes, representante da companhia. No documento, a empresa sustenta ser proprietária do imóvel situado na Avenida Koeler, nº 42, no Centro Histórico de Petrópolis, onde mantém sua sede administrativa no pavimento térreo.

A controvérsia envolve exclusivamente o segundo andar do casarão

De acordo com a ação, o espaço havia sido cedido em regime de comodato — modalidade de empréstimo gratuito — ao sócio Francisco Humberto de Bourbon de Orléans e Bragança. Após o término de seu casamento, ele deixou a residência, enquanto sua ex-esposa, Maria Cristina Schmidt Peçanha de Orléans e Bragança, e o filho do casal, Francisco Theodoro Peçanha de Orléans e Bragança, permaneceram ocupando o imóvel.


Tentativa de acordo antecedeu ação

Segundo a Companhia Imobiliária de Petrópolis, depois da saída de Francisco Humberto foram iniciadas negociações para regularizar a permanência dos ocupantes mediante contrato de locação.

A empresa afirma que propôs a celebração de um contrato de aluguel, argumentando que o comodato havia sido firmado exclusivamente em favor de Francisco Humberto e que não se estendia aos demais moradores.

Na petição, a companhia relata que buscou contato por telefone e por e-mail, mas não obteve resposta.

Posteriormente, foi encaminhada uma notificação extrajudicial, cujo prazo terminou em 18 de abril. Segundo a empresa, a ausência de manifestação levou ao ajuizamento da ação.

No processo, a Companhia sustenta que, após o encerramento do prazo da notificação, “os réus passaram a praticar esbulho possessório e exercer a posse de forma precária e resistida, ostentando flagrante má-fé, uma vez a notificação sequer foi respondida”.

Como alternativa, a empresa propõe a cobrança de aluguel mensal de R$ 2,5 mil pelo uso do imóvel. O valor, segundo a ação, é inferior à média dos aluguéis cobrados pela companhia para imóveis comerciais localizados no Centro de Petrópolis, estimada em aproximadamente R$ 4 mil.

Defesa contesta versão apresentada

Procurado pela reportagem do Globo, Francisco Theodoro de Orléans e Bragança afirmou que apresentará sua versão no curso do processo judicial.

Por escrito, declarou que “as alegações da Companhia Imobiliária de Petrópolis são unilaterais e serão tratadas nos autos, por meio da defesa técnica” na ação judicial que ainda está em andamento.

A reportagem também buscou posicionamento da Companhia Imobiliária de Petrópolis e do advogado Arthur Leonardo Motta de Gomes Tostes, mas não recebeu resposta até a última atualização do texto.


Patrimônio histórico preserva memória da monarquia

Muito além da disputa judicial, a Casa da Princesa Isabel permanece como um dos imóveis históricos mais importantes de Petrópolis.

O palácio foi adquirido pela Princesa Isabel e por seu marido, o Conde d’Eu, em 1876. Antes disso, pertenceu ao Barão do Pilar, título concedido por Dom Pedro II a José Pedro da Motta Sayão, integrante da primeira diretoria do Banco do Brasil.

O edifício é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e preserva características originais da arquitetura neoclássica do período imperial. Sua fachada mantém o tradicional tom Rosa Grão-Pará, utilizado em residências ligadas à Família Imperial.

Outro símbolo histórico do imóvel são os jardins, onde permanecem camélias brancas plantadas pela própria Princesa Isabel. As flores tornaram-se conhecidas como um dos principais símbolos do movimento abolicionista no Brasil.