A jornalista e advogada Virna Alencar, de 36 anos, moradora de Campos, iniciou uma campanha de arrecadação para custear as despesas do tratamento contra um câncer de colo do útero, diagnosticado em estágio localmente avançado. Enquanto busca iniciar o tratamento o mais rápido possível, ela enfrenta negativas do plano de saúde para procedimentos e terapias essenciais, além de recorrer simultaneamente ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à Justiça para garantir a assistência
Durante o atendimento, foi submetida a uma ultrassonografia transvaginal e, posteriormente, a uma ressonância magnética pélvica, exame que indicou um câncer de colo do útero. Segundo Virna, os médicos constataram que a doença já havia ultrapassado o colo do útero, tornando inviável a realização de cirurgia.
“O câncer já tinha ultrapassado o colo do útero. Não adiantava apenas retirar o útero porque isso não resolveria o problema. Meu tratamento precisa ser feito com quimioterapia, radioterapia, braquiterapia e imunoterapia”, explicou.
Após o diagnóstico, teve início uma intensa bateria de consultas e exames. A confirmação da doença exigia uma biópsia, mas o processo também foi marcado por dificuldades. Segundo Virna, o plano de saúde negou inicialmente a realização da biópsia em centro cirúrgico. Como alternativa, foi realizada uma colposcopia, porém o material coletado foi insuficiente devido à profundidade e ao tamanho do tumor.
Diante da urgência, ela precisou custear a biópsia em centro cirúrgico para não atrasar o início do tratamento.
“Se avançassem mais na retirada do material durante a colposcopia, eu poderia ter uma hemorragia grave. Então precisei fazer a biópsia no centro cirúrgico pagando do meu bolso.”
Entre os gastos, R$ 2.500 foram pagos à equipe médica, R$ 1.500 ao hospital, R$ 450 pela colposcopia e R$ 4 mil por um exame de PET-Scan realizado no Rio de Janeiro, que também foi negado pelo plano de saúde.
Além disso, Virna ingressou com uma ação judicial para obrigar a operadora a fornecer o tratamento completo. Para isso, contratou uma advogada, cujo serviço custou R$ 6.900. Atualmente, o plano já negou a cobertura da radioterapia, enquanto quimioterapia, braquiterapia e imunoterapia seguem em análise. Paralelamente, ela iniciou atendimento pelo SUS, no Rio de Janeiro, onde passou pela primeira consulta oncológica e aguarda o planejamento das sessões de tratamento.
Segundo ela, a estratégia é iniciar o tratamento pela primeira via que for liberada, seja por decisão judicial ou pelo sistema público.
“O meu maior medo é a metástase. Quero começar o tratamento o mais rápido possível.”
Apesar da gravidade do quadro, um resultado trouxe alívio. O PET-Scan mostrou que o câncer permanece localizado e não apresenta metástases para órgãos distantes. “Receber esse resultado me deu esperança. A doença está em estágio localmente avançado, mas ainda não se espalhou para outros órgãos.”
A doença também mudou completamente sua rotina. Virna descobriu o câncer após deixar o emprego como vendedora em uma rede de lojas. Atualmente, recebe seguro-desemprego, sendo que a última parcela será paga em agosto e pretende solicitar auxílio-doença ao INSS.
Casada e mãe de Miguel, de dois anos e sete meses, ela afirma que o filho é sua principal motivação para enfrentar o tratamento. Por estar realizando consultas no Rio de Janeiro, permanece longe da criança, recebendo apoio de familiares, mas sonhando em conseguir realizar o tratamento em Campos.
“A saudade do meu filho é enorme. Minha maior vontade era conseguir fazer o tratamento em Campos para ficar perto dele.” Mesmo diante das dificuldades, Virna destaca que tem sido fortalecida pela fé e pela corrente de solidariedade que recebeu desde o lançamento da campanha.
Quem desejar contribuir com a campanha pode fazer uma doação via Pix:
Chave Pix (CPF): 139.483.827-19
Banco: Caixa Econômica Federal