terça-feira, 28 de abril de 2026

Rodrigo Amorim propõe honraria a Cazarré e repúdio a Porchat


O deputado estadual Rodrigo Amorim (PL) protocolou um projeto de resolução para conceder a Medalha Tiradentes ao ator Juliano Cazarré, idealizador do curso O Farol e a Forja, lançado na última semana e voltado para o público masculino.

Em contrapartida, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisa nesta quarta-feira (29) uma proposta do mesmo parlamentar que visa declarar o humorista Fábio Porchat como “persona non grata” no Rio de Janeiro.

Amorim afirma que, para além da carreira artística, Cazarré tem posicionamentos que justificam a honraria.

— [O ator] é reconhecido por se posicionar publicamente em defesa de valores conservadores, manifestando opiniões alinhadas aos princípios de valorização da família e da liberdade religiosa — afirmou.

Por outro lado, o deputado critica declarações públicas feitas por Porchat, referindo-se de forma “jocosa e desrespeitosa” ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL).

— O escárnio manifestado pelo referido humorista, em tom de deboche, não apenas atinge a honra do ex-presidente e de seus apoiadores, mas também despreza a liturgia do cargo e os valores democráticos que sustentam a Nação — argumentou.

A controvérsia ganhou força após Cazarré passar a divulgar conteúdos e iniciativas voltadas à masculinidade, com foco em temas como liderança, espiritualidade e papéis sociais dos homens.

O humorista, colega de Juliano na TV Globo, ironizou a proposta em um vídeo publicado nas redes sociais, o que gerou reações e ampliou o debate entre visões conservadoras e progressistas sobre o tema. Para Amorim, as críticas ao ator estariam relacionadas ao seu posicionamento firme.

— A homenagem reconhece a relevância de personalidades que, por meio de sua visibilidade pública, participam ativamente da construção do debate de ideias no país, reforçando o pluralismo e a liberdade de expressão como pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito — finalizou o deputado.

O Farol e a Forja contará com palestras sobre temas como empreendedorismo, paternidade, saúde masculina e vida espiritual. A atividade está marcada para os dias 24, 25 e 26 de julho deste ano, no Centro Universitário Católico Ítalo-Brasileiro, em São Paulo.


Câmara de Teresópolis volta atrás e revoga lei que permitia prédios de até 20 andares



A Câmara Municipal de Teresópolis aprovou, nesta terça-feira (28), o Projeto de Lei 007/2026, que revoga a legislação anterior que permitia a construção de edifícios de até 20 andares — o equivalente a 60 metros de altura — em áreas específicas do bairro do Alto.

A nova proposta, de autoria do Legislativo, anula a Lei Complementar 351/2025, aprovada por unanimidade no fim do ano passado. A medida agora segue para sanção do prefeito Leonardo Vasconcellos e reabre o debate sobre o modelo de ocupação urbana na região.
Mudança no zoneamento e áreas afetadas

A legislação revogada previa alterações no zoneamento em vias estratégicas do Alto, como as ruas Alfredo Rebello Filho, Hidelgardo de Noronha, Augusto do Amaral Peixoto e Sloper. Com a norma, terrenos nessas áreas poderiam receber grandes empreendimentos imobiliários, incluindo construções próximas ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

Entre os projetos previstos estava um empreendimento no terreno do antigo cassino do Higino. A possibilidade de verticalização intensiva também alcançava outros lotes da região, o que gerou preocupação entre moradores e especialistas.
Pressão popular e questionamentos legais

Nos últimos meses, a proposta se tornou alvo de críticas e mobilizações populares contrárias à construção dos chamados “espigões”. Paralelamente, o tema também foi questionado no âmbito jurídico.

Em 6 de abril, a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Teresópolis recomendou que a empresa responsável por um dos projetos suspendesse planos de construção acima dos limites previstos no Plano Diretor da cidade. O Ministério Público apontou que a lei contrariava diretrizes urbanísticas e decisões do Supremo Tribunal Federal, que exigem compatibilidade entre novas normas e o Plano Diretor.

Ainda segundo a recomendação, edificações desse porte poderiam gerar impactos negativos, como alterações no microclima, sobrecarga da infraestrutura urbana — incluindo trânsito, abastecimento de água e redes de energia — além de comprometer a paisagem e o patrimônio histórico-cultural da região.
Empresa recua e promete aguardar decisões

Diante da recomendação, a empresa envolvida informou que irá cumprir integralmente as orientações do Ministério Público. Também declarou que não solicitará licenciamento com base na legislação revogada até a conclusão dos processos judiciais ou eventual revisão do Plano Diretor.

O documento do MP também ressaltou a necessidade de maior participação popular em mudanças urbanísticas dessa magnitude, com realização de audiências públicas e consulta a conselhos municipais.
Prefeito comenta decisão da Câmara

Em entrevista ao programa Hélio Carracena, da Diário TV, o prefeito Leonardo Vasconcellos comentou a revogação da lei e afirmou que respeitará a decisão do Legislativo, apesar de ter posicionamento diferente sobre o tema.

“O vereador apresentou o projeto e perguntou se eu ficaria chateado com a revogação. Mantenho minha convicção de que seria melhor para o bairro do Alto ter duas torres de 20 andares do que dez de dez andares. Seriam menos automóveis, menos poluição e melhor para o meio ambiente. Mas, respeitando o Legislativo e os poderes, vou acatar a decisão da Câmara”, declarou.
Debate sobre desenvolvimento urbano continua

A revogação da lei não encerra a discussão sobre o crescimento urbano em Teresópolis, especialmente em áreas de interesse turístico e ambiental. O tema deve continuar em pauta, com expectativa de novos estudos e debates envolvendo poder público, especialistas e a sociedade civil.


Homem morre durante assalto a residência na Baixada Campista

Foto: Ralph Braz | Pense Diferente

Um assalto a residência terminou com a morte de um homem de 56 anos na madrugada desta terça-feira (28) em Campos dos Goytacazes. O caso aconteceu na Estrada do Canto, na localidade de São Martinho ,na Baixada Campista.

De acordo com a PM, os agentes foram acionados após informações de que uma casa havia sido roubada. Chegando ao local, encontraram mãe e filho, uma idosa de 80 anos e um homem de 56, imobilizados e amordaçados. Segundo relatos, os criminosos teriam invadido a casa pedindo o dinheiro da venda de uma das casas da família. A quantia não foi roubada.

O homem, identificado como Aldemar Salvador da Silva Carvalho, estava em um dos quartos do imóvel com sangramento na boca, já em óbito. A suspeita inicial é de que a vítima tenha sofrido um mal súbito. A filha de Aldemar relatou que o mesmo possuía saúde debilitada, não sendo constatados sinais de espancamento ou perfurações na vítima pela perícia.

Na fuga, os bandidos levaram um veículo Fiat Strada branco, de cabine simples, carregado com frutas e verduras, além de um aparelho celular da marca sansung A06.

Após perícia, o corpo foi removido ao Instituto Médico Legal (IML) , onde passará por exame de necropsia que identificará causa da morte. O caso está sendo investigado na 134º Delegacia de Polícia de Campos. Até a publicação desta matéria, nenhum suspeito foi localizado.


Manipulação e desespero: pesquisa que favorece Lula tem ligação ao governo


Integrante do grupo de comunicação FSB, que presta serviços ao governo Lula (PT), a empresa de pesquisa Nexus divulgou levantamento (nº BR-01075/26) que aponta Lula cinco pontos (41% a 36%) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno, mas Flávio está apenas dois pontos à frente (42% x 40%) no Sul. Pode ter sido erro, na melhor hipótese: é a única pesquisa que aponta vantagem tão pequena do candidato do PL na região. Os demais institutos apontam até 19 pontos em favor de Flávio na Sul. Procurado, o Nexus/FSB não explicou tamanha diferença.

Quaest

Na pesquisa Genial/Quaest de 15 de abril, na região Sul Flávio aparece com 40% contra 23% do atual presidente Lula; 17 pontos de diferença.

CNT e Paraná

No primeiro turno da CNT/MDA de 14 de abril, Flávio tem 40% e Lula, 28% na região Sul. No Paraná Pesquisa de 2 de abril foi 49,5% a 30,2%.

Datafolha

Até no último levantamento nacional Datafolha nacional, de 11 de abril, no Sul Flávio soma 39% contra 28% de Lula.




Couto nomeia Ronaldo Damião na Saúde e encerra ciclo sob comando de Dr. Luizinho


A Secretaria de Saúde do Estado está oficialmente sob novo comando. O governador em exercício Ricardo Couto formalizou nesta terça-feira (28), em publicação no Diário Oficial, a exoneração de Claudia Maria Braga de Mello e a nomeação do médico Ronaldo Damião para assumir a pasta. A escolha marca uma inflexão no padrão político recente da pasta. Damião se torna apenas o segundo nome, em cerca de uma década, a assumir o cargo sem ligação direta com o deputado federal Dr. Luizinho, que vinha exercendo forte influência sobre as indicações no setor desde sua passagem pela secretaria entre 2016 e 2018, durante o governo de Luiz Fernando Pezão.

De acordo com o ato, Cláudia Mello deixa o cargo a pedido. Na sequência, o governo estadual oficializa a entrada de Damião como novo secretário de Estado de Saúde, consolidando a mudança no comando da área em meio a um processo de reorganização administrativa.

A nomeação ocorre no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, considerada uma das áreas estratégicas da gestão pública fluminense. A troca reforça a aposta do governo interino em um perfil técnico para conduzir a política de saúde no estado.

Perfil técnico e trajetória acadêmica

Antes de assumir o cargo, Damião atua como pró-reitor de Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor titular de urologia, ele também dirige o Hospital Universitário Pedro Ernesto entre 2020 e 2023, período marcado pela fase mais crítica da pandemia de Covid-19.

Com carreira consolidada na medicina, o novo secretário integra a Academia Nacional de Medicina desde 2002 e já preside a Sociedade Brasileira de Urologia. Ao longo da trajetória, também participa da formulação de políticas públicas e iniciativas voltadas à saúde, como o Programa Saúde do Homem.

Além disso, Damião atua na disseminação da campanha Novembro Azul no Brasil, voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças que afetam a população masculina.

Mudança em momento estratégico

A substituição no comando da Secretaria de Saúde ocorre em um cenário de ajustes promovidos pelo governo interino. A expectativa é de que a experiência de Damião em gestão hospitalar e políticas públicas contribua para enfrentar desafios estruturais e operacionais da rede estadual.

Com a publicação no Diário Oficial, a mudança passa a ter efeito imediato, marcando uma nova fase na condução da saúde pública no estado do Rio de Janeiro.


Mercado Imperial tenta retomar atividades, mas enfrenta impasses no entorno


O Mercado Imperial, tradicional ponto comercial de Petrópolis, tenta retomar o movimento após anos de dificuldades, mas ainda enfrenta uma série de entraves no entorno. Entre os principais problemas relatados por lojistas estão questões de acesso, segurança e organização urbana, que estariam impactando diretamente o funcionamento do espaço.

De acordo com informações reunidas em um memorial do próprio Mercadão, a ideia de um mercado imperial em Petrópolis surgiu ainda em 1904, inspirado em modelos de grandes cidades e com o objetivo de garantir melhores condições sanitárias à população. Já em 1928, uma nova estrutura foi construída para concentrar distribuidores. Em 1958, o espaço foi demolido durante a revitalização da Praça da Inconfidência e ampliação da Igreja do Rosário

Ao longo das décadas, o mercado desempenhou diferentes funções, mas se consolidou como um polo de venda de alimentos. Após um período fechado por problemas estruturais, passou por uma ampla reforma que durou cerca de quatro anos, sendo reinaugurado em 2015. A intervenção incluiu a restauração da fachada histórica, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), e adequações exigidas pelos órgãos de preservação.

Mesmo após investimentos dos proprietários para atender às normas de tombamento, lojistas afirmam que enfrentam dificuldades para manter as atividades. Além das questões estruturais no entorno, há relatos de aumento da insegurança na região, com presença de pessoas em situação de rua, brigas e uso de drogas nas proximidades, o que tem afastado clientes.

Prefeitura de Petrópolis: "jogo de empurra"

Procurada, a Prefeitura de Petrópolis informou que a Secretaria de Assistência Social tem realizado ações de zeladoria urbana na Praça da Inconfidência, com foco no acolhimento de pessoas em situação de rua, além de serviços de limpeza e apoio à segurança. As ações contam com a participação da Comdep e da Guarda Civil.

Sobre segurança, o município destacou que o patrulhamento ostensivo é de responsabilidade da Polícia Militar, mas afirmou que a Guarda Civil mantém rondas preventivas na região, incluindo o Terminal Centro e ruas próximas. Segundo a prefeitura, as ações ocorrem durante o dia e à noite, com apoio do Grupamento de Operações com Cães, e já resultaram na condução de suspeitos à delegacia, além de apreensão de drogas e uma faca.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que o Mercado Imperial está inserido no perímetro do conjunto urbanopaisagístico tombado do Centro Histórico de Petrópolis. O órgão esclareceu que, nesses casos, a fiscalização ocorre após intervenções ou mediante denúncias, e que, até o momento, não houve registro formal relacionado ao mercado. Também destacou que a organização do comércio local é de responsabilidade da Prefeitura, conforme o Código de Posturas.

Já o Inepac informou que realiza fiscalizações periódicas na cidade e que uma nova vistoria seria realizada, com o objetivo de apurar as ocorrências relacionadas à carga e descarga na Praça da Inconfidência. O instituto destacou que já se posicionou, em inquérito civil do Ministério Público, pela impossibilidade de regularização da atividade do supermercado no local, por entender que ela interfere na integridade e harmonia do bem tombado. Caso sejam constatadas irregularidades, o órgão poderá adotar medidas administrativas e encaminhar o caso à Justiça

Justiça exige documentos sobre coleta e transporte de lixo em Petrópolis


A crise envolvendo a coleta e o transporte de lixo em Petrópolis voltou a ser debatida em audiência pública, realizada nessa segunda-feira (27), na 4ª Vara Cível. Este foi o segundo encontro para tratar do tema - o primeiro ocorreu em dezembro de 2025 - atendendo a pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), quando foi discutido o orçamento previsto para a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) além de dívidas com fornecedores.

A audiência foi conduzida pelo juiz Jorge Luiz Martins Alves e contou com a participação das promotoras Vanessa Katz e Zilda Januzzi, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Petrópolis e integrante do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (GAEMA). Também participaram da reunião a diretora-presidente da Comdep, Fernanda Ferreira, e representantes das empresas contratadas para a prestação dos serviços. Durante o encontro, o magistrado exibiu, por meio de slides, imagens que mostravam acúmulo de lixo em diferentes pontos da cidade entre os dias 27 de março e 23 de abril. Ao comentar a situação, classificou o cenário como uma “crise sanitária”.

Chamou atenção, segundo os registros apresentados, o grande volume de lixo verde, entulho e restos de móveis descartados irregularmente pela população, fator que contribui para o agravamento do problema. Outro ponto discutido foi a dívida da Comdep com a empresa responsável pelo fornecimento de café da manhã aos funcionários, estimada atualmente em R$ 532 mil.

O juiz também questionou a renovação recente dos contratos com as empresas PDCA e Força Ambiental, responsáveis pela coleta e transporte de resíduos sólidos no município.

Ao final da audiência, o magistrado determinou a apresentação de uma série de documentos, entre eles os contratos referentes à coleta, transbordo e destinação final dos resíduos sólidos urbanos, planilha atualizada de débitos da Comdep, relatório com as rotas de coleta e os três últimos relatórios de fiscalização do contrato.

Em dezembro de 2025 a vereadora Júlia Casamasso protocolou uma Notícia de Fato junto ao MPRJ, por meio da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Petrópolis, denunciando falhas graves e recorrentes na coleta de lixo e na limpeza urbana da cidade. No documento, o mandato solicita que o Ministério Público oficie a Comdep e a Prefeitura para apresentação de informações e documentos sobre a execução dos serviços, contratos de terceirização, custos e fiscalização.


segunda-feira, 27 de abril de 2026

212 mil campistas (40,9%) inseridos em programas sociais


Às vésperas do Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, Campos apresenta um retrato complexo do mercado de trabalho e da realidade social. De um lado, o município mantém saldo positivo na geração de vagas, puxada principalmente pelo setor de serviços. De outro, quase metade da população está no Cadastro Único (CadÚnico), principal porta de acesso a programas sociais no país.

Em dezembro de 2023, Campos atingiu o recorde de 237,7 mil pessoas inscritas no CadÚnico. Em março deste ano, o número era de 212,1 mil campistas, o equivalente a 40,9% da população, segundo estimativa do IBGE de 2025, que 519 mil habitantes no município. Hoje, Campos ocupa a 6ª posição no Estado do Rio em número absoluto de cadastrados.


Os dados mostram que mais de 93 mil famílias estão inscritas no Cadastro Único em Campos. Desse total, 55,3% recebem o Bolsa Família, beneficiando cerca de 132 mil pessoas, com valor médio de R$ 685,29. O número de famílias atendidas pelo programa no município cresceu de forma expressiva nos últimos anos: eram 38.883 em 2020 e passaram para 51.640 em 2026, um aumento de 32,8%. Além disso, quase um quarto das famílias cadastradas possui algum integrante que recebe aposentadoria, pensão ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com sobreposição de diferentes formas de renda para garantir a subsistência.

Ao mesmo tempo, o cadastro revela que 46,9 mil pessoas trabalham, sendo 22,7 mil com carteira assinada e 20,1 mil por conta própria, o que desmonta a ideia de que estar no CadÚnico significa, necessariamente, estar fora do mercado de trabalho.

Onde estão as vagas

Segundo o painel Retratos Regionais, elaborado pela Firjan, o setor de serviços foi o que mais gerou empregos em Campos em 2025, com saldo positivo de 1,8 mil vagas. O segmento de alimentação liderou, com 595 postos criados, seguido pelo comércio, com 307 vagas.

De acordo com Jonathas Goulart, gerente de Estudos Econômicos da Firjan, o mercado local mantém dinamismo próprio. “De forma geral, o mercado de trabalho brasileiro apresentou uma desaceleração nos últimos meses. 

Além do desemprego, especialistas chamam atenção para o crescimento do número de pessoas em situação de desalento, aquelas que estão fora do mercado e deixaram de procurar trabalho. Segundo o IBGE, só é considerado desempregado quem não trabalha e está em busca ativa de emprego. Quem não procura, por diferentes razões, fica fora dessa estatística, embora permaneça em condição de vulnerabilidade.

Novíssima informalidade

A presença de trabalhadores no CadÚnico também dialoga com estudos acadêmicos que analisam as mudanças recentes no mundo do trabalho. Pesquisas desenvolvidas pela Universidade de São Paulo (USP) apontam que a chamada “novíssima informalidade”, marcada pela plataformização e pela gestão por aplicativos, tem ampliado vínculos instáveis e reduzido a proteção social, aumentando a vulnerabilidade de parte dos trabalhadores.

Para o doutor em Serviço Social e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Valter Martins, o crescimento do CadÚnico não pode ser interpretado apenas como ampliação da vulnerabilidade social. “Esse número não reflete apenas aumento da pobreza, embora ele também expresse o agravamento das condições de vida de parte da população, sobretudo após os efeitos sociais e econômicos da pandemia. É preciso considerar que o cadastro passou por um processo de ampliação muito significativo. Portanto, o crescimento do número de cadastrados também está relacionado à ampliação do acesso a direitos, à entrada de novos públicos, aos processos de recadastramento e revisão cadastral. No caso de Campos, esse recorde revela, ao mesmo tempo, a persistência de desigualdades e vulnerabilidades sociais, mas também a centralidade que o Cadastro Único assumiu como porta de entrada para políticas públicas e direitos sociais para a população”, explicou.

Problemas estruturais

Na avaliação do geógrafo e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) Marcos Pedlowski, os números do CadÚnico refletem problemas estruturais históricos do município. “Um primeiro aspecto que me parece necessário de abordar é o fato de que não se tocou na estrutura agrária concentrada que foi geral pelo processo colonial, mantendo-se inalterada assim a estrutura social na qual o modelo escravagista se apoiou. Em segundo lugar, há que se constatar o fato de que os diferentes ciclos de riqueza não resultaram em processos efetivos de distribuição da renda e da criação de oportunidades. Por último, eu diria que o município não possui oportunidades reais de emprego para largos segmentos da população. Os empregos que aparecem são muitas vezes temporários, de baixa qualidade e insuficientes. Nesse sentido, os números do CAdÚnico são apenas um espelho dessa ordem. Mas, pior, da sua cristalização e perpetuação”, afirmou.

Conforme Pedlowski, o perfil dos cadastrados, com maioria de pessoas pretas, mulheres como responsáveis familiares e baixa escolaridade, não é casual. “Sem enfrentar a estrutura histórica da desigualdade racial e social, como esperar que algo seja diferente? Enquanto não se alterar a estrutura social não há como se pensar em uma diminuição da dependência das parcas formas de mitigação da pobreza que o Estado brasileiro desenvolveu para, grosso modo, diminuir as tensões que o modelo socialmente segregado gera”, analisou.

Entrada x saída

Fazendo o recorte somente do Bolsa Família no país, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) de 2025, aponta que, entre 2014 e 2025, houve um saldo positivo de saída, com mais beneficiários deixando o programa do que entrando. A pesquisa destaca que mais de 60% dos beneficiários de 2014 deixaram o Bolsa Família até 2025, com taxas maiores (até 71,25%) entre jovens de 15 a 17 anos.


Ações e desafios

A reportagem também procurou a Prefeitura de Campos. Em nota, A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania avalia que o elevado número de famílias atendidas pelo Cadastro Único reflete a diversidade de perfis em situação de vulnerabilidade em Campos, muitas vezes com diferentes fontes de renda, como benefícios sociais, aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo a pasta, o principal desafio é o acompanhamento contínuo dessas famílias, a atualização cadastral e a ampliação do acesso aos serviços socioassistenciais, especialmente nos territórios com maior demanda.

A Secretaria destaca que o Cadastro Único cumpre hoje um papel ampliado, funcionando como principal porta de entrada para políticas públicas e direitos sociais, e não apenas como instrumento de enfrentamento à pobreza extrema. A presença de pessoas com vínculo formal de trabalho no cadastro, segundo o órgão, não representa distorção, mas o reconhecimento de diferentes faixas de renda dentro dos critérios federais.

Em relação ao Bolsa Família, a pasta ressalta a existência de mecanismos de proteção para famílias que ingressam no mercado de trabalho, permitindo a permanência temporária no programa com parte do benefício, favorecendo uma transição mais segura até a estabilização da renda. No âmbito municipal, o Cartão Goitacá, que tem 20 mil beneficiários, é apontado como estratégia complementar para a segurança alimentar, integrada às políticas federais. A Secretaria afirma ainda que o crescimento no número de inscritos desde 2020 está associado tanto aos impactos da pandemia quanto à ampliação do acesso da população às políticas públicas, reforçando o papel do Cadastro Único como instrumento de inclusão social e garantia de direitos.

Em março, longas filas de jovens e idosos durante mutirões de recadastramento, cenário comum em ações do tipo, muitas vezes marcadas por pessoas que passam a noite em busca de atendimento. O episódio evidenciou a dimensão da demanda por acesso a benefícios e atualização cadastral.

Pouco mais de cinco anos após a reportagem “Campos tem 45 mil famílias na extrema pobreza”, publicada em outubro de 2020, os números do CadÚnico indicam crescimento do contingente em situação de vulnerabilidade. A análise dos especialistas sobre o retrato de Campos revela um desafio central: crescer em vagas não significa, necessariamente, reduzir a pobreza.



Com informações J3 news

Planejamento para execução da recuperação da Ponte Barcelos Martins avança


O planejamento para execução da recuperação da ponte Barcelos Martins entrou na sua etapa final de estudos. Nesta segunda-feira (27), engenheiros consultores da Secretaria de Estado de Cidades foram recebidos por equipes técnicas da Prefeitura para dar sequência ao trabalho.

Consultor da Secretaria de Cidades, o engenheiro de Pontes e Viadutos Paulo Massa explicou a proposta apresentada. “Um dos pontos mais importantes é a segurança de quem passa por cima da ponte. Então, a proposta junto com a Secid é pegar todas as fundações da ponte e dar a mesma solução, que é estabilizar primeiro os pilares da ponte, depois entrar com o processo de içamento e recuperação estrutural de toda a ponte”.

A vistoria também foi acompanhada pelo engenheiro de Estruturas Luiz Eduardo Cardoso e por equipes da Secretaria Municipal de Defesa Civil. “Nesse trabalho nós estamos sugerindo uma análise por amostragem laboratorial para que essa estrutura tenha durabilidade. A norma da ABNT é clara, chama-se NBR 15.575, que é a norma de durabilidade e desempenho. Importante é você ter durabilidade na estrutura, então, identificar o local determinante do processo corrosivo, que é sempre progressivo, é fundamental”, disse Luiz Eduardo.

Dr. Herbert Sidney Neves recebe na quinta-feira a Medalha Tiradentes


O presidente e fundador do Grupo IMNE, o maior grupo de medicina privada da região, Dr. Herbert Sidney Neves, recebe na próxima quinta-feira (30), às 18h, no auditório anexo ao hospital Dr. Beda, a Medalha Tiradentes, a maior comenda da Assembleia Legislativa do Estado. A medalha foi proposta pela deputada Carla Machado.


A Medalha Tiradentes é a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), destinada a agraciar pessoas ou instituições que prestam relevantes serviços à sociedade fluminense. A comenda, que reconhece o mérito e a dedicação ao bem comum, é frequentemente concedida a figuras de destaque em diversas áreas.

Objetivo é reconhecer o mérito e a dedicação de indivíduos que contribuem para a sociedade.