terça-feira, 5 de maio de 2026

Marcos Brandão é preso apontado como “laranja” de Thiago Rangel

Foto: Silvana Rust

A Operação Unha e Carne teve continuidade nas prisões em Campos. Marcos Aurélio Brandão Alves, apontado como possível “laranja” no esquema de contratos fraudulentos de reformas em escolas estaduais, foi preso nesta terça-feira (5). Marcos Aurélio foi conduzido para a Delegacia da Polícia Federal em Campos, e em seguida encaminhado para a casa de custódia.


De acordo com a decisão de Alexandre de Moraes, Marcos Aurélio atualmente é procurador da conta bancária da empresa VML Comércio e Serviços Eireli, e, por diversas vezes, recebeu recursos de contratos fraudulentos de reformas em escolas estaduais, repassando os valores para contas de outras empresas, administradas por Luis Fernando, apontado como operador financeiro do deputado Thiago Rangel.

Em várias ocasiões, Marcos Aurélio realizou saques de altos valores em dinheiro, como R$ 500 mil, R$ 151 mil em espécie e também realizou depósitos no valor de R$ 50 mil na conta da empresa de postos de combustíveis de Luiz Fernando.


PF prende Luiz Fernando Passos, operador financeiro de Thiago Rangel

Foto: Silvana Rust

Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como principal operador financeiro do deputado estadual Thiago Rangel, também foi alvo da operação Unha e Carne, e foi preso nesta terça-feira (4). De acordo com a decisão de Alexandre de Moraes, Luis Fernando era o responsável pelo provisionamento, recebimento e repasses de valores ilícitos, sob o comando o parlamentar. Ele teria utilizado empresas registradas em nomes de terceiros para repassar valores desviados, incluindo recursos da Secretaria estadual de Educação.

De acordo com a investigação, Luiz Fernando discute diretamente com Thiago Rangel sobre a liberação de obras em escolas estaduais, chegando a enviar uma planilha com procedimentos licitatórios e valores de desvio e empresas participantes.


As empresas E H Almeida Reformas e Construções Ltda e E H Almeida de Souza Casas de Festas, em nome de sua esposa, funcionavam como receptoras dos recursos. O dinheiro vinha de empresas como a VML Comércio e Serviços e a Var Construtora, sendo esta última apontada como uma das principais contratadas nas reformas das escolas, que recebiam diretamente do poder público. Durante a operação, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas empresas do casal.

Luiz Fernando e sua esposa são sócios do Posto de Combustíveis Beira Valão de Campos. Entre setembro e outubro de 2024, em pleno fervor das suspeitas de fraude, o posto provisionou saques em espécie no valor de R$ 4 milhões. Desse total, quase R$ 3 milhões foram efetivamente sacados por Luiz Fernando, que, assim como os demais envolvidos, se recusou a informar a finalidade dos valores às instituições financeiras.

Na operação desta terça-feira (4), também foram presos Rui Carvalho Bulhões Júnior, Júlia Gomes de Souza Figueiredo e Vinícius de Almeida Rodrigues.


Ricardo Couto exonera, além da filha, a irmã do deputado Thiago Rangel

 


O governador em exercício Ricardo Couto segue atuante na reestruturação dos primeiros escalões do estado. Nesta terça (05), porém, após a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), Couto mostrou não ter apenas uma ‘caneta de ouro’, mas também uma ‘varinha mágica’. Isso porque o governador exonerou, um dia antes da operação da PF, não só Thamires Rangel (PMB), filha de Thiago Rangel, como também Marilucia Rangel Lima, irmã do parlamentar.

A irmã do deputado estadual, preso na quarta fase da Operação Unha e Carne, foi exonerada do cargo de assistente II da Subsecretaria de Conscientização Ambiental, onde recebia, mensalmente, um salário de R$ 11,5 mil, e era subordinada da própria sobrinha, nomeada por Cláudio Castro (PL) como subsecretária adjunta. A decisão foi publicada nesta terça-feira (5) no Diário Oficial.


PF investiga um suposto esquema de “caixa 2”

Ainda durante a investigação, a Polícia Federal apontou a existência de um suposto esquema de “caixa 2” que teria sido prometido por Rodrigo Bacellar (União) a Thiago Rangel para financiar a campanha eleitoral de sua filha, Thamires Rangel, à Câmara de Campos dos Goytacazes, em 2024.

Segundo a PF, os valores teriam chegado a R$ 2,9 milhões.


PF diz que Bacellar prometeu R$ 2,9 milhões para campanha da filha de Thiago Rangel


A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Rodrigo Bacellar, deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, teria se comprometido a repassar R$ 2,9 milhões para financiar campanhas de aliados do deputado estadual Thiago Rangel, preso nesta terça-feira (5) durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne.


Segundo a PF, parte do valor teria como destino a campanha de Thamires Rangel, filha de Thiago Rangel. Ela foi eleita vereadora em Campos dos Goytacazes em 2024, aos 18 anos, e ficou conhecida como a vereadora mais jovem do país. A investigação também aponta que o dinheiro seria usado para outros candidatos ligados à base política do parlamentar.


A suspeita aparece em material compartilhado da Operação Postos de Midas, que já apurava a atuação de um suposto esquema criminoso ligado a Thiago Rangel. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam a existência de financiamento eleitoral ilícito, tratado na investigação como possível caixa dois.

Em trecho da representação enviada ao STF, a corporação afirma que há evidências de crimes violentos e de apoio financeiro irregular no valor de R$ 2,9 milhões envolvendo Rodrigo Bacellar. A PF sustenta que o dinheiro teria sido direcionado para a campanha da filha de Rangel e de outros nomes da base do deputado.Trecho do documento citado na investigação.



O ponto é considerado relevante pelos investigadores porque ajuda a estabelecer a ligação política entre Bacellar e Thiago Rangel. Rangel é apontado pela PF como líder de uma organização criminosa suspeita de direcionar obras em escolas públicas do Rio de Janeiro, desviar recursos e lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis.

A investigação que resultou na operação desta terça-feira começou a partir da análise de um computador apreendido no gabinete de Rodrigo Bacellar, nas fases anteriores da Operação Unha e Carne. No equipamento, os investigadores encontraram uma planilha chamada “PEDIDOS EM 12-04-23”.


De acordo com a Polícia Federal, o arquivo continha uma relação de deputados estaduais acompanhada de campos como “o que tem” e “o que está pedindo”. Para os investigadores, a planilha fazia referência à indicação e ocupação de cargos em órgãos públicos estaduais considerados estratégicos.

Ainda segundo a PF, a planilha indicava que Thiago Rangel tinha influência sobre cargos no Detran de Campos dos Goytacazes, na Alerj e no Ipem-RJ, o Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro.

A Polícia Federal cruzou essas informações com dados da Operação Postos de Midas e passou a investigar indícios de desvio de recursos públicos, direcionamento de obras em escolas estaduais e lavagem de dinheiro. O grupo, segundo a apuração, teria usado empresas e postos de combustíveis para movimentar valores de origem suspeita.

A filha de Thiago Rangel, Thamires Rangel, também teve passagem recente pelo governo estadual. Ela chegou a assumir, aos 19 anos, o cargo de subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do Rio, durante a gestão de Cláudio Castro. Na semana passada, deixou o posto após uma série de exonerações promovidas pelo governador interino Ricardo Couto.


Rodrigo Bacellar já estava preso em desdobramentos anteriores da Operação Unha e Carne, mas recebeu novo mandado de prisão preventiva nesta fase. Thiago Rangel também foi preso nesta terça-feira. A decisão foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Além das prisões, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao esquema investigado. A operação também determinou o afastamento de Thiago Rangel das funções públicas enquanto a apuração estiver em andamento.

A Assembleia Legislativa informou que está à disposição das instituições para colaborar com o esclarecimento dos fatos. A defesa de Thiago Rangel afirmou que recebeu a notícia da operação com surpresa, que está tomando conhecimento do teor da investigação e que o deputado nega a prática de qualquer ilícito.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular. A Polícia Federal ainda deve detalhar a participação atribuída a cada alvo no decorrer da investigação.


Frederico Barbosa Lemos, de SFI é exonerado por Ricardo Couto: recebia mais de R$ 8 mil



O ex-prefeito de São Francisco de Itabapoana, Frederico Barbosa Lemos, apareceu na lista da “varredura” do governador em exercício, Ricardo Couto, quando teve sua exoneração publicada no Diário Oficial no último dia 30 de abril. Marido de Francimara Barbosa Lemos e suplente de deputado estadual, o político ocupava o cargo de assessor na Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e tinha remuneração de R$ 8.167,37 por mês.


Frederico foi nomeado para o cargo de assessor de relações intermunicipais em novembro de 2024. Ou seja, ocupou a vaga por 1 ano e 5 meses.

Cabe ressaltar que, desde que assumiu o Executivo, o desembargador Ricardo Couto tem feito um pente-fino nas contas do estado do Rio e já exonerou mais de 1.500 servidores. O governo já confirmou que as exonerações em massa vão continuar.

Couto exonera filha de Thiago Rangel, um dia antes prisão pela Polícia Federal


O governador em exercício Ricardo Couto exonerou Thamires Rangel (PMB), filha do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), um dia antes da deflagração da operação da Polícia Federal que prendeu o parlamentar e outros seis suspeitos de integrar uma rede de fraudes na Secretaria de Estado de Educação (Seeduc). A decisão foi publicada às 8h da manhã desta terça-feira (5) no Diário Oficial.


Durante a investigação, a PF apontou a existência de um suposto esquema de “caixa 2” que teria sido prometido por Rodrigo Bacellar (União) a Thiago Rangel para financiar a campanha eleitoral de sua filha em 2024.

Os valores teriam chegado a R$ 2,9 milhões e também podem ter sido destinados a outros candidatos ligados à base do deputado em Campos, como Dimisson Bombeiro (PMB).


Filha de Thiago Rangel foi nomeada por Castro aos 19 anos

Em outubro do ano passado, o então governador Cláudio Castro (PL) nomeou Thamires Rangel para o cargo de subsecretária adjunta de Conscientização Ambiental, quando ela tinha 19 anos.

Após deixar o posto, a jovem anunciou nas redes sociais seu retorno ao mandato de vereadora de Campos dos Goytacazes.


STF determina que Thiago Rangel seja afastado já do mandato após operação



A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) incluiu também o afastamento imediato do parlamentar de suas funções na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A medida, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, vale ainda para outros dois investigados presos na operação desta terça-feira (5) e permanece em vigor até a conclusão das investigações criminais.

Também foram afastados de seus cargos públicos Júcia Gomes de Souza Figueiredo, diretora regional de Educação Noroeste, e Fábio Pourbaix Azevedo, assessor e chefe de gabinete de Rangel na Alerj.


A ação integra a quarta fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudes em processos de compras públicas e contratação de serviços, incluindo obras de reforma na rede estadual de ensino. Além dos três presos, outros seis investigados são alvos de mandados expedidos no âmbito da operação.
Planilha e indicações políticas

De acordo com a decisão, as investigações avançaram a partir de dados extraídos de um computador apreendido na Alerj, vinculado ao gabinete do então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar. Entre os arquivos, foi encontrada uma planilha com nomes de deputados estaduais e indicações para cargos em órgãos estratégicos do governo, acompanhadas de anotações como “o que tem” e “o que está pedindo”.

No caso de Rangel, segundo a apuração, consta a indicação para a Superintendência Regional do IPEM em Campos dos Goytacazes — nomeação que teria sido efetivada poucos dias após a data do documento apreendido.
Suspeita de fraudes em obras

A partir do cruzamento de dados, a investigação reuniu elementos que apontam para um esquema de direcionamento de contratos na Secretaria estadual de Educação. Conforme a Polícia Federal, o grupo atuaria para favorecer empresas previamente escolhidas em licitações de obras de reforma em escolas públicas, especialmente no Norte Fluminense, região de influência política dos investigados.

Após a contratação, ainda segundo os investigadores, haveria o repasse de parte dos recursos públicos às pessoas envolvidas no esquema, configurando um possível desvio de verbas. As apurações seguem em andamento e devem embasar novas medidas judiciais nos próximos desdobramentos da operação.


Palácio Tiradentes celebra 100 anos com semana de programação cultural gratuita


O Palácio Tiradentes, sede histórica da Câmara dos Deputados e, posteriormente, da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), completa 100 anos nesta quarta-feira (6) com uma programação especial aberta ao público. Para marcar o centenário, o espaço recebe uma semana inteira de atividades culturais gratuitas, com visitas teatralizadas, novos roteiros guiados, exposições e homenagens.

A programação começa na terça-feira (5) com um novo percurso das visitas guiadas, desta vez voltado especialmente à arquitetura e às artes do edifício, destacando esculturas, pinturas e outros elementos que compõem sua identidade histórica e simbólica.
Aniversário do Palácio terá lançamento de selo e medalha comemorativa

No dia 6 de maio, data oficial do aniversário, será lançado um selo comemorativo em parceria com os Correios, além de um carimbo especial. Também está prevista a entrega da Medalha do Centenário, homenagem a pessoas e instituições ligadas à trajetória do Parlamento fluminense.

Às 14h, a sessão ordinária dos deputados estaduais acontecerá exepcionalmente no Plenário Barbosa Lima Sobrinho, dentro do Palácio Tiradentes.

Ao longo do mesmo dia, o público poderá participar de visitas guiadas teatralizadas, realizadas de hora em hora a partir das 10h, com atores que interpretam personagens históricos e reconstituem momentos marcantes do Parlamento.
Exposição e programação cultural seguem até o fim da semana

A agenda continua no dia 7 de maio, com a exibição do documentário “Memórias do Parlamento – especial 100 anos”, produzido pela TV Alerj. Já na sexta-feira (8), funcionários da casa serão homenageados com uma visita guiada especial que apresenta os bastidores do funcionamento do prédio.

Durante toda a semana, o público também poderá visitar a exposição “Baixada Fluminense: A Arte no Palácio”, que reúne obras de artistas da região e fica em cartaz até o dia 27 de maio.

Serviço

Centenário do Palácio Tiradentes
05 a 08 de maio
Rua Primeiro de Março, s/nº – Praça XV
Acesso para cadeirantes pela Rua Dom Manuel, s/nº



Patrimônio de Thiago Rangel saltou de R$ 224 mil para R$ 1,9 milhão em dois anos



O deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso nesta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, registrou uma forte evolução patrimonial nos dois anos que antecederam sua eleição para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Dados declarados pelo próprio parlamentar à Justiça Eleitoral mostram que seus bens passaram de R$ 224 mil, em 2020, para R$ 1,9 milhão, em 2022 — alta de cerca de 748%.


A evolução patrimonial ocorreu no intervalo em que Thiago Rangel exercia mandato de vereador em Campos dos Goytacazes. Na eleição municipal de 2020, ele declarou possuir dois veículos, uma moto aquática e participação de R$ 60 mil em um posto de combustíveis.

Dois anos depois, já na disputa por uma cadeira na Alerj, o parlamentar apresentou uma declaração significativamente maior. O principal salto aparece no setor de combustíveis: em 2022, informou participação em 18 postos como parte do patrimônio.

As investigações da Polícia Federal também apontam que, em 2014, Rangel trabalhava como motorista e tinha remuneração mensal de R$ 1 mil.

Crescimento patrimonial sob investigação

A ampliação dos bens declarados ganhou relevância no contexto das apurações federais. Thiago Rangel já havia sido alvo da Polícia Federal em 2024, na Operação Postos de Midas, que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis de Campos dos Goytacazes.

Na ocasião, os investigadores apontaram indícios de que empresas ligadas ao parlamentar teriam sido usadas para ocultar recursos provenientes de contratos públicos sob suspeita de irregularidades.

Nova fase da Operação Unha e Carne

A prisão desta terça ocorreu no âmbito de uma nova etapa da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de fraudes em processos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, na Secretaria Estadual de Educação do Rio (Seeduc).

Segundo a Polícia Federal, a Diretoria Regional Noroeste da secretaria seria área de influência política do deputado. A investigação aponta indícios de direcionamento de contratações realizadas por unidades escolares para empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo investigado.

De acordo com a PF, após o recebimento de recursos públicos, parte dos valores era sacada ou transferida para empresas que integrariam a estrutura financeira do esquema. Os investigadores sustentam ainda que recursos desviados teriam sido misturados a valores lícitos em contas vinculadas a uma rede de postos de combustíveis.

Nesta terça-feira, agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão na Alerj e em endereços na capital, em Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do parlamentar. O espaço segue aberto para manifestação.


*Com informações do G1.

Veja quem são os sete presos pela PF na 4ª fase da Operação Unha e Carne


A 4ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (5), teve como alvo um grupo ligado a suspeitas de fraudes em contratos na área da Educação do Estado do Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão.

Entre os presos estão o deputado estadual Thiago Rangel Lima, apontado pela Polícia Federal como líder da organização criminosa, e Rui Carvalho Bulhões Júnior, ex-chefe de gabinete e braço direito de Rodrigo Bacellar, deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.


Bacellar já estava preso por desdobramentos anteriores da mesma operação, mas também teve um novo mandado de prisão preventiva expedido nesta fase.

Segundo informações da investigação, a operação apura um esquema de direcionamento de contratos, ocupação de cargos estratégicos, fraude em licitações, peculato e lavagem de dinheiro. A apuração passou por materiais apreendidos na Alerj, incluindo uma planilha chamada “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx”, que indicaria pedidos e ocupação de espaços políticos em órgãos públicos.

Os sete presos na operaçãoThiago Rangel Lima

O deputado estadual Thiago Rangel Lima, do Avante, está entre os principais alvos da operação. Natural de Campos dos Goytacazes, ele iniciou a trajetória política como vereador e depois chegou à Assembleia Legislativa.

Segundo a Polícia Federal, Thiago Rangel seria o líder da organização criminosa investigada. O grupo é suspeito de manipular procedimentos de compra de bens e serviços, incluindo contratos ligados à Secretaria de Estado de Educação e a estruturas públicas de Campos dos Goytacazes.

A investigação também aponta suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. Esse ponto conecta a atual fase da Unha e Carne a elementos já investigados na Operação Postos de Midas.Rui Carvalho Bulhões Júnior

Rui Carvalho Bulhões Júnior foi preso nesta terça-feira. Ele é ex-chefe de gabinete e apontado como braço direito de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj.

Rui atuou ao lado de Bacellar em diferentes estruturas políticas, como a Fenorte, a Secretaria de Governo e a própria Assembleia Legislativa. Na Alerj, ocupou a chefia de gabinete da presidência da Casa durante a gestão de Bacellar.

Para os investigadores, Rui fazia parte do núcleo político responsável por acompanhar indicações, cargos e espaços de influência em órgãos públicos. A suspeita é que essa estrutura tenha servido para facilitar o direcionamento de contratos dentro da administração estadual.

Fábio Azevedo

Fábio Azevedo é apontado como assessor parlamentar ligado ao gabinete de Thiago Rangel na Alerj. Ele também foi preso na operação desta terça-feira.

De acordo com as informações da investigação, Fábio teria atuação na articulação política do grupo dentro da estrutura parlamentar. A apuração busca identificar de que forma o gabinete e as relações políticas eram usados para viabilizar pedidos, recursos e contratos associados ao esquema.

Jucy Gomes de Souza Figueiredo

Jucy Gomes de Souza Figueiredo também está entre os nomes presos na 4ª fase da Operação Unha e Carne. Ela é identificada como superintendente regional da Secretaria de Estado de Educação.

Segundo a investigação, Jucy atuaria na ponta administrativa do esquema dentro da área da Educação. A suspeita é que a estrutura regional da Seeduc tenha sido usada para favorecer empresas previamente indicadas pelo grupo investigado em contratos de obras, reformas e serviços em escolas estaduais.

A presença dela entre os alvos coloca a gestão regional da Educação no centro da apuração desta fase da operação.

Luiz Fernando

Luiz Fernando é apontado como braço direito operacional de Thiago Rangel em Campos dos Goytacazes. Ele também foi preso nesta terça-feira.

Nas informações da investigação, Luiz Fernando aparece como uma pessoa de confiança de Rangel na execução prática do esquema. A suspeita é que ele atuasse na interlocução com operadores, empresas e pessoas usadas para movimentar recursos ligados ao grupo.

Marcos Aurélio

Marcos Aurélio está entre os presos da operação. Segundo as informações reunidas na investigação, ele aparece vinculado à gestão financeira de empresas ligadas ao grupo.

A apuração trata Marcos Aurélio como um dos possíveis operadores envolvidos na movimentação de valores. A suspeita é que parte dos recursos desviados tenha sido misturada a dinheiro lícito em contas de empresas, especialmente no setor de postos de combustíveis.Vinícius de Almeida

Vinícius de Almeida também foi preso na 4ª fase da Unha e Carne. Ele é apontado como integrante do núcleo de lavagem de dinheiro investigado pela Polícia Federal.

Segundo as informações da apuração, Vinícius atuaria como nome interposto, usado para ocultar patrimônio e movimentações financeiras atribuídas aos líderes do grupo. A investigação busca identificar o papel dele na estrutura de empresas e contas usadas para movimentar os valores suspeitos.

Rodrigo Bacellar teve novo mandado

Além dos sete presos, a operação também teve novo mandado de prisão preventiva contra Rodrigo Bacellar, deputado estadual e ex-presidente da Alerj. Ele já estava preso por desdobramentos anteriores da Operação Unha e Carne.

A investigação atual nasceu da análise de materiais apreendidos em gabinetes e instalações vinculadas a Bacellar na Assembleia Legislativa, na Rua da Ajuda, no Centro do Rio. Entre os documentos encontrados, a Polícia Federal identificou a planilha “PEDIDOS EM 12-04-23.xlsx”.

O arquivo, segundo a apuração, reunia nomes de políticos e campos como “o que tem” e “o que está pedindo”, em referência a cargos e espaços de influência em órgãos públicos considerados estratégicos.

Suspeita de fraudes e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal investiga se o grupo usava influência política sobre órgãos públicos para direcionar contratos e favorecer empresas previamente selecionadas. Na área da Educação, a apuração mira contratos de obras, reformas e serviços em escolas estaduais.

Outro ponto da investigação envolve a suspeita de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis. Segundo a apuração, valores desviados de contratos públicos teriam sido inseridos no sistema financeiro por meio de empresas ligadas ao grupo.

Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A operação segue em andamento, e a Polícia Federal ainda deve detalhar os materiais apreendidos, a participação atribuída a cada investigado e os próximos passos da apuração.