O Palácio de Cristal, uma das joias arquitetônicas e históricas de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, está no centro de uma nova polêmica envolvendo a gestão cultural do município. Segundo denúncia publicada na coluna de Cláudio Magnavita, no Correio da Manhã, o secretário municipal de Cultura, Adenilson Honorato, decidiu apadrinhar um evento carnavalesco tendo como palco justamente o frágil edifício de vidro, despertando preocupação entre especialistas, defensores do patrimônio e moradores da cidade.
A crítica central recai sobre a escolha do local. O Palácio de Cristal, composto majoritariamente por estrutura metálica e vidro, não foi projetado para suportar vibrações intensas e altos níveis de ruído. A possibilidade de apresentações com bateria de escola de samba e shows de pagode, com som reverberando em toda a estrutura, é vista como um risco real à integridade física do monumento histórico.
A situação causa ainda mais estranheza diante do cenário financeiro do município. Em estado de calamidade financeira, a Secretaria Municipal de Cultura, de acordo com Magnavita, não conseguiu apoiar sequer blocos carnavalescos tradicionais da cidade. Mesmo assim, optou por transformar um dos mais importantes bens culturais de Petrópolis em palco improvisado para o carnaval.
Ligado politicamente à secretária estadual de Cultura, Danielle Ribeiro, irmã do deputado federal Áureo Ribeiro (SDD/RJ), Adenilson Honorato chegou ao cargo cercado de expectativas. Havia a esperança de que sua atuação fosse capaz de atrair investimentos e fortalecer a preservação do vasto acervo histórico e cultural de Petrópolis.
No entanto, de acordo com a coluna de Magnavita, a condução da política cultural municipal tem sido marcada por decisões consideradas truculentas e por uma atuação voltada mais a interesses políticos pessoais, como a disputa por uma futura vaga na Câmara de Vereadores, do que à proteção do patrimônio histórico.
Um patrimônio frágil e simbólico
Inaugurado em 1884, o Palácio de Cristal é uma estrutura pré-montada encomendada pelo Conde d’Eu e construída nas oficinas da Société Anonyme de Saint-Sauveur, na cidade de Arras, na França. Inspirado no Palácio de Cristal de Londres e no Palácio de Cristal do Porto, o edifício foi concebido como um presente à Princesa Isabel, que pretendia utilizá-lo para o cultivo de hortaliças.
Ao longo de sua história, o Palácio de Cristal já sofreu intervenções consideradas agressivas. Em 1938, chegou a ser coberto com folhas-de-flandres e tijolos para abrigar o Museu Histórico de Petrópolis, antes da transferência do acervo para o atual Museu Imperial. Hoje, o espaço é utilizado para exposições e eventos culturais, sempre com a ressalva de que sua estrutura exige cuidados especiais.



