domingo, 25 de janeiro de 2026

Castro exonera presidente do Rioprevidência após operação da PF que investiga aplicações no Banco Master


O governador Cláudio Castro exonerou, na tarde desta sexta-feira (23/01), o presidente do Rioprevidência após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que mira a cúpula da autarquia. A decisão foi publicada no Diário Oficial no mesmo dia em que o dirigente entregou uma carta de renúncia, apresentada depois da ação policial.


O principal alvo da investigação é o então diretor-presidente Deivis Marcon Antunes, que, segundo apuração, está nos Estados Unidos desde o último dia 15. Apesar da renúncia, o ato oficial registra a exoneração por decisão do governador.

Na carta encaminhada ao governo, Antunes sustenta que atuou com espírito público e dentro de padrões éticos ao longo de sua gestão. No texto, ele afirma que dedicou sua atuação ao fortalecimento do Rioprevidência, com valorização de servidores, aprimoramento de processos internos e defesa dos interesses da autarquia, e rejeita qualquer tentativa de atribuir ilegalidade aos atos praticados enquanto esteve à frente do órgão.


Além dele, a Polícia Federal investiga o diretor de Investimentos, Eucherio Lerner Rodrigues, e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. O Rioprevidência é responsável pela gestão das aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais.

A Operação Barco de Papel resultou na apreensão de documentos, arquivos digitais, dinheiro em espécie e bens de alto valor em diferentes endereços ligados aos investigados. Na sede do Rioprevidência, os agentes recolheram arquivos digitais e documentos diversos. Em um imóvel em Botafogo, associado a Deivis Antunes, foi apreendido um veículo de luxo blindado, cerca de R$ 7 mil em espécie, dispositivos eletrônicos, um relógio e documentos. Em outro endereço, na Gávea, foram levados um veículo de luxo, aproximadamente R$ 3,5 mil em dinheiro, celular, notebook, mídias de armazenamento e documentos. Já em uma residência na Urca, a PF apreendeu equipamentos eletrônicos e papéis.

A investigação foi aberta em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que somam cerca de R$ 970 milhões aplicados pelo Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Segundo a PF, os investimentos ocorreram entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com títulos de vencimento em 2033 e 2034.