quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Paralisação de médicos e enfermeiros nas Clínicas da Família do Rio: sobrecarga, insegurança, escassez de insumos ...


A quinta-feira (22) começou com longas filas para quem buscava atendimento nas Clínicas da Família do Rio. Ocorre que médicos e enfermeiros da rede municipal iniciaram hoje uma paralisação para cobrar melhores condições de trabalho da prefeitura, afetando o funcionamento das unidades de saúde em diversas partes da cidade. A mobilização foi confirmada pelo Sindicato dos Médicos do Estado (Sinmed/RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros (SindEnfRJ).

Segundo as entidades, a paralisação ocorre em protesto contra a precarização das condições de trabalho na atenção básica. Entre as principais reivindicações estão a falta de segurança nas unidades, a escassez de insumos básicos — como medicamentos, água, energia elétrica e equipamentos — e a sobrecarga das equipes. De acordo com os profissionais, há equipes responsáveis por mais de 4 mil pacientes, o que compromete a qualidade do atendimento.


A categoria também aponta desvalorização profissional, com ausência de reajuste salarial há quatro anos, cortes de adicionais e metas não pagas desde 2023, além do não cumprimento de acordos firmados anteriormente com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Profissionais relatam ainda alto índice de adoecimento mental, casos de burnout, elevada rotatividade nas equipes e dificuldades para garantir o tempo adequado de atendimento diante do volume de pacientes.

Violência nas unidades agrava situação na atenção básica

A insegurança nas unidades de saúde é apontada como um dos principais fatores da mobilização. Não raramente, diversas Clínicas da Família e outros equipamentos da rede municipal precisaram interromper o funcionamento por causa de tiroteios e confrontos armados no entorno dos equipamentos.

Levantamento da própria SMS realizado no ano passado e obtido pela Agenda do Poder aponta que, entre janeiro e setembro de 2025, 741 unidades de atendimento foram fechadas temporariamente em razão da violência armada — o equivalente a uma interrupção a cada nove horas. No mesmo período, mais de 200 profissionais solicitaram afastamento de unidades localizadas em áreas consideradas de risco.
À época, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, reconheceu o impacto da violência sobre o funcionamento da rede e relatou o medo de profissionais em atuar em determinadas unidades após episódios de invasões armadas e confrontos, além de cobrar medidas do Governo do Estado para garantir a segurança nas áreas afetadas.