Os municípios do Estado do Rio de Janeiro deixarão de receber neste ano a complementação da União ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) na modalidade Valor Aluno Ano por Resultado (VAAR). O motivo seria a falta de uma legislação específica do Estado que institui o chamado ICMS Educacional, cujo projeto de lei está em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) desde 2022. Para Campos, o prefeito Wladimir Garotinho alerta que a perda na Educação chega a aproximadamente R$ 30 milhões.
O governo do estado tinha dois anos, a partir de 2020, para criar a Lei do ICMS Educacional — uma regra segundo a qual os municípios que alcançassem melhores índices na Educação receberiam mais recursos na divisão do ICMS. Pois mais de cinco anos depois, a lei não foi criada. E, por isso, as 92 cidades fluminenses vão deixar de receber, juntas, R$ 117 milhões em verbas federais para a Educação em 2026.
O Rio de Janeiro é o único estado brasileiro que não aprovou a lei até hoje. Se o problema se estender no ano que vem, em 2027 os municípios podem perder até R$ 700 milhões.
— É um absurdo, um desleixo total com a educação do estado. A lei está na Alerj desde 2022 e não foi votada, estourou o prazo legal e com isso nenhum município vai receber. Só a educação de Campos vai perder cerca de 30 milhões em 2026. Depois vão dizer que é implicância minha com Bacellar, mas ele era o presidente durante todo esse período. Para educação das crianças os projetos não vão à pauta, mas para votar soltura de deputado anda rápido até demais — declarou o prefeito Wladimir.
Em agosto de 2022, próximo ao fim do prazo inicial de dois anos estabelecido pela União, o Governo do Estado chegou a enviar para a Alerj o projeto de lei 6.358, com o intuito de adequar aos novos critérios estabelecidos. O Governo também chegou a entrar com um recurso, conseguindo mais prazo para criar a lei até dezembro de 2024. No entanto, o texto ainda segue sem votação na Alerj.
A equipe de reportagem entrou em contato com o Governo do Estado e com a Alerj, e aguarda posicionamentos.


