sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

UE aprovam acordo com o Mercosul após mais de 25 anos de negociações


Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters. A decisão ainda depende da formalização por escrito dos votos até as 17h no horário de Bruxelas, o equivalente a 13h no Brasil, conforme relataram as fontes.

A sinalização favorável representa um passo decisivo para a conclusão de um dos tratados comerciais mais longamente negociados pela União Europeia. Com o aval político do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fica autorizada a assinar oficialmente o acordo na próxima segunda-feira (12), durante cerimônia prevista no Paraguai.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores. O impacto esperado vai além do agronegócio, tradicional foco das negociações, alcançando também setores da indústria brasileira, como bens manufaturados, químicos e autopeças.


Aval político em Bruxelas

De acordo com a AFP, a maioria dos 27 países da União Europeia votou a favor do pacto durante a reunião de embaixadores realizada em Bruxelas. O apoio majoritário confirma uma mudança de cenário após anos de impasses e revisões no texto, sobretudo em capítulos ambientais e de sustentabilidade.

A decisão provisória foi tomada mesmo diante da oposição de alguns Estados-membros, liderados pela França e pela Irlanda, que têm manifestado preocupação com os possíveis efeitos do acordo sobre seus agricultores. Esses países argumentam que a abertura do mercado europeu a produtos do Mercosul pode gerar concorrência desleal, especialmente em áreas sensíveis como carne bovina, aves e açúcar.


Resistência francesa e críticas ao impacto econômico

Na véspera da votação, o presidente da França, Emmanuel Macron, reiterou publicamente que Paris manteria posição contrária ao tratado. Em comunicado, ele ponderou que a diversificação de parceiros comerciais é importante, mas questionou os ganhos econômicos do acordo.

“Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu Macron.

A resistência francesa reflete a pressão de agricultores e sindicatos rurais, que temem perda de competitividade e exigem garantias mais rígidas em relação a padrões ambientais e sanitários. Protestos do setor agrícola têm se intensificado nos últimos meses, tornando o tema politicamente sensível em vários países do bloco.

Próximos passos e efeitos esperados

Com a aprovação provisória, o acordo entra agora em sua fase final de formalização política. Após a assinatura pela Comissão Europeia, o texto ainda precisará passar por processos internos de ratificação, que podem variar de acordo com a natureza jurídica do tratado e as regras de cada país-membro.

Para o Mercosul, a validação do pacto pela União Europeia é vista como estratégica em um cenário de reorganização das cadeias globais de comércio. Para a UE, o acordo representa uma forma de ampliar sua presença econômica na América do Sul e reduzir dependências comerciais em um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas.

Apesar do avanço, diplomatas reconhecem que o caminho até a plena entrada em vigor do tratado ainda pode enfrentar obstáculos políticos e jurídicos, especialmente nos países onde a oposição interna permanece forte.