O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (Republicanos) anunciou, nesta quinta-feira (19), que não acompanhará o antigo aliado Washington Reis (MDB) no apoio ao prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara. Em tom de rompimento político, mas não pessoal, Garotinho condenou a aliança entre PSD e MDB e afirmou que Paes é “um aluno aplicado dos métodos de Sérgio Cabral”.
Sergio Cabral Filho é ex-governador e foi condenado a mais de 300 anos de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, entre outros crimes. Réu confesso, ficou pouco mais de 6 anos preso e, atualmente, está em prisão domiciliar, inelegível por 8 anos e atua como influencer nas mídias sociais.
A declaração foi feita nas redes sociais, ao som de “A Amizade”, do grupo Fundo de Quintal, logo após o anúncio de que a advogada Jane Reis, irmã de Washington, será a vice na chapa encabeçada por Paes.
Rompimento político, amizade preservada
No vídeo publicado, Garotinho relatou ter conversado longamente com Washington Reis na véspera e explicou que, “com a sinceridade que sempre pautou minha vida”, não poderia acompanhar a decisão do amigo de apoiar o prefeito carioca.
“Eduardo fez uma boa escolha, Washington, a meu ver, não”, afirmou o ex-governador, numa crítica direta ao ex-prefeito de Duque de Caxias, que preside o MDB fluminense.
Apesar do rompimento político, Garotinho procurou separar divergência eleitoral de relação pessoal. Disse que nada destruirá a amizade de “muitos carnavais” com Reis e que continuará a encontrá-lo “como sempre ocorreu”. A gratidão, segundo ele, é “imprescritível”. Ainda assim, foi categórico: “Nada me fará estar no mesmo palanque de Paes”.
Críticas a Paes e à aliança PSD/MDB
Garotinho afirmou que o prefeito do Rio representa o oposto dos princípios que nortearam sua trajetória pública. “Eduardo Paes é o contrário dos princípios pelos quais dediquei minha vida pública, de combate à corrupção e conceitos morais”, escreveu.
Ao classificar Paes como “aluno aplicado dos métodos de Sérgio Cabral”, Garotinho resgata um dos períodos mais controversos da política fluminense. Cabral, ex-governador, foi condenado em diversos processos decorrentes da Operação Lava-Jato no Rio, e sua gestão se tornou símbolo de escândalos de corrupção no estado.
A aliança entre PSD e MDB, que consolida um palanque robusto para Paes com apoio na Baixada Fluminense, foi vista por aliados de Garotinho como um movimento pragmático de consolidação de forças. O ex-governador, no entanto, decidiu se posicionar no campo oposto.
Histórico de embates e aceno aos bolsonaristas
As críticas marcam mais um capítulo na relação conturbada entre Garotinho e Paes. Ao longo dos últimos anos, os dois trocaram farpas públicas em diferentes momentos, sobretudo em disputas eleitorais e embates sobre a condução política do estado e da capital.
Paes, em ocasiões anteriores, ironizou o ex-governador ao comentar sua trajetória política e suas alianças. Garotinho, por sua vez, frequentemente questionou a proximidade do prefeito com antigos grupos de poder no estado e o modelo de gestão adotado na capital.
Agora, com a definição da chapa que terá Jane Reis como vice, o confronto ganha contornos mais diretos. Garotinho deixa claro que pretende se apresentar como alternativa de oposição ao projeto liderado por Paes ao governo do estado, e adota um discurso de combate à corrupção e defesa de valores morais, bem aceito junto aos segmentos conservadores da sociedade e das hostes bolsonaristas, de quem sonha ter o apoio eleitoral.
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