quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Projeto para restauração do Mercado Municipal está desde 2023 na gaveta

Fotos: Ralph Braz | Pense Diferente

O projeto para a restauração do prédio histórico do Mercado Municipal, em Campos, está na gaveta do governo Wladimir Garotinho desde de 2023. Uma obra orçada, na ocasião, por R$ 22 milhões. Em recente entrevista, o assunto veio à pauta, quando o prefeito Wladimir Garotinho confirmou que a restauração do espaço histórico não pode ocorrer sem a mudança da feira livre, cuja proposta do seu governo é levá-la para a Praça da República - esse projeto já licitado. Porém, tal projeto enfrenta resistência de dez entidades locais ligadas à cultura.

-O projeto está pronto. Não andou, teve uma discussão muito grande. Para fazer a restauraçãodo prédio do Mercado é preciso tirar a feira da frente. É o primeiro passo. Eu licitei a obra da nossa feira, mas se criou uma celeuma e até para Justiça foram para impedir a Prefeitura de levar a feira para a Praça da República - falou o prefeito na entrevista concedida à historiadora Rafaela Machado, no "Elas têm história".


Segundo o prefeito, ainda na entrevista, por uma questão urbanística, a obra não avançou e caso não tenha mais a questão jurídica será possível restaurar o prédio do Mercado, inclusive, o governo tem dinheiro para a obra e não seria dos cofres da Prefeitura.

Porém, por entender a importância histórica da Praça da República, representantes de 10 instituições culturais ingressaram com uma ação no Ministério Público Estadual (MPE), em 2024. Sem atualização do caso no MPE, os membros dessas instituições ainda correm um abaixo assinado que já reúne 700 assinaturas contrárias à feira livre na Praça e cobram do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural de Campos (Coppam) o tombamento do espaço.

Fotos: Ralph  Braz | Pense Diferente

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes, o urbanista Renato Siqueira informa que a feira, que é um complexo interdependente, tem espaço propício, um projeto do arquiteto Sérgio Dias elaborado no então governo Arnaldo Vianna. O local é uma área que fica a cerca de um quilômetro da atual feira, também na Avenida José Alves de Azevedo, só que na esquina com a Rua Princesa Isabel, no IPS.

Na terça-feira (10), em nova reunião do Coppam, Renato Siqueira disse que voltou a cobrar do Conselho o cumprimento da petição para o tombamento da Praça da República. No momento, sem nenhum indicativo de que será acatado ou não.


A obra na Praça da República, orçada em quase R$ 19 milhões, enfrenta a resistência das seguintes entidades: Instituto Histórico e Geográfico de Campos dos Goytacazes, Academia Campista de Letras, Academia Pedralva de Letras e Artes, Associação de Imprensa Campista, Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas, Associação dos Amigos dos Museus Municipais de Campos dos Goytacazes, Centro Cultural Marcelo Sampaio, Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense Campus Campos Centro.

O projeto da nova feira livre já licitado pelo governo Wladimir prevê a construção de um edifício de 5.450 metros quadrados, com 381 baias para feira livre, 68 para peixaria, 13 pontos de açougue, 7 restaurantes, praça de alimentação e estacionamento. A iniciativa tem parceria público-privada.

As entidades que se colocam contrárias ao projeto alegam que a Praça da República está em uma Área Especial de Interesse Cultural (AEIC) e necessita de tombamento formalizado pelo Coppam para preservação de suas árvores e espaço de lazer.


"A Praça da República já foi significativamente descaracterizada, inclusive pela rodoviária urbana. A escolha do local não apenas favorece o comércio para a nova feira, justamente por sua localização etrânsito constante depessoas vindos de todos os distritos do município, como dá uso a um local subutilizado. Os impactos ambientais obviamente precisam ser discutidos, mas acredito que há um caminho possível para compensá-los e minimizá-los. O que não podemos é continuar como está, o belíssimo prédio do Mercado escondido, a feira com condições ruins para feirantes e clientes e, por discussões indevidas, impedir a ideia. Ajustar o projeto é necessário, impedi-lo, não".

"É um momento sui generis: há recursos disponíveis, há projetos aprovados e ideias de uso para esses patrimônios. Mas muitos deles estão parcialmente interrompidos por entraves políticos e administrativos", concluí Edmundo.


Na história - Foi na década de 1970 que o então prefeito Raul Linhares construiu a cobertura metálica da feira e da peixaria. A iniciativa, em parte de cunho mais político do que histórico, acabou por tirar a visibilidade do prédio do Mercado Municipal, que começou a ser construído em 1918 e foi inaugurado em 15 de setembro de 1921.

A arquitetura do prédio foi inspirada no Mercado de Nice, na França, com duas alas longitudinais e uma torre do relógio no entroncamento. Ele é considerado um tesouro do patrimônio arquitetônico de Campos. A mudança da feira e da peixaria para outro local é necessária para que o antigo prédio do Mercado mostre toda sua beleza. Hoje, ele está escondido pela parte metálica da feira livre e pelo prédio do Shopping Popular Michel Haddad.

A partir da restauração, o novo Mercado Municipal poderá ser transformado e sua área livre conjugada com um espaço gastronômico. A obra tem tudo para valorizar a área do Centro Histórico de Campos.