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| Foto: Ralph Braz | Pense Diferente |
O Museu Histórico de Campos atravessa uma quarentena de 40 dias sem energia elétrica, após o furto de cabos de cobre ocorrido em 25 de dezembro. A instituição museística, única administrada pelo município, está em risco, assim como seu importante acervo, durante todo esse período.
“A falta de iluminação apropriada e de controle climático compromete a integridade física das obras, contrariando as boas práticas museológicas e as normas de preservação do patrimônio histórico e artístico (...) impede o atendimento ao público visitante, prejudica o cumprimento da agenda institucional de exposições, visitas educativas e ações culturais, além de impactar diretamente os agentes culturais da cidade que utilizam o museu como espaço para o desenvolvimento de suas atividades, projetos e eventos”, disse Graziela Escocard, diretora do Museu.
De quem é a responsabilidade?
O reparo dos danos causados pelo furto não é de responsabilidade da concessionária de energia, a Enel, no caso do Museu. A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima (FCJOL), como responsável pela administração do Museu, deve acionar a Superintendência de Iluminação Pública para que execute a reposição dos equipamentos e restabeleça a energia no local.
No habitual jogo de empurra da prefeitura de Campos, principalmente no que diz respeito aos equipamentos culturais, o Museu permanece 40 dias no escuro. A FCJOL, embora tenha status de secretaria, não possui a estrutura orçamentária e de pessoal para funcionar adequadamente, e depende permanentemente do apoio — não raro negado — de outros órgãos municipais.
Consultada, a FCJOL diz que solicitou urgência e que aguarda o reparo para após o carnaval: “eles (Sup. Iluminação Pública) já providenciaram a parte de documentação, estão no processo de abertura orçamentária para reposição de energia elétrica do Museu, esse é o andamento atual”, disse Fernando Machado, vice-presidente da Fundação.
A cultura no escuro e no fim da fila
Em cidades que se pretendem minimamente civilizadas, museus não podem permanecer no escuro por semanas. Não se trata apenas de iluminação, mas de responsabilidade institucional com a memória, com o patrimônio público e com o direito da população ao acesso à cultura.
Ademais, há a fragilidade de segurança e do acervo. O tempo e a temperatura, no caso de acervos históricos, não são detalhes, mas elementos determinantes para sua preservação e acessibilidade. Mantê-los 40 dias sem energia é um abandono inaceitável sob qualquer critério cultural. Em relação à segurança da instituição, do acervo e dos funcionários, a situação se mostra evidentemente frágil e impossibilita o monitoramento por câmeras, além de impor condições insalubres para quem trabalha no Museu.
Em Veneza, a quarentena protegia a cidade da morte. Em Campos, a quarentena do Museu expõe o quanto a cultura segue tratada como um corpo estranho, isolado, à espera de que o problema desapareça sozinho. Mas a história ensina: quando a luz não volta a tempo, o dano.
Com informações: Blog do Edmundo Siqueira | Folha da Manhã


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