segunda-feira, 23 de julho de 2018

Plebiscito: Petropolitanos decidirão em outubro futuro das charretes

(Foto: Alcir Aglio)
Nas próximas eleições os petropolitanos deverão definir voto favorável ou contrário a utilização da tração animal para o turismo da cidade. Se ocorrer a proibição, será o fim das vitórias. O tema divide opiniões, além disto, as pessoas que trabalham com a atividade estão no centro da discussão.

No processo eleitoral haverá a seguinte pergunta: “Você é a favor ou contra o uso de tração animal nos passeios turísticos realizados pelas charretes do município de Petrópolis?” Aqueles que são favoráveis à manutenção da atividade votarão no número 1, os contrários votarão 2.

Os vereadores Gilda Beatriz (MDB) e Wanderley Taboada (PTB) serão os responsáveis pelas comissões que serão criadas para debater o tema. O edital de convocação para o início do debate será feito na próxima semana.
Charreteiros

Em conversa com os charreteiros que trabalham na frente do Museu Imperial, é possível perceber a insatisfação. O grupo cobra as promessas que foram feitas em relação aos carrinhos elétricos e reclamam de fake news envolvendo os maus tratos com os animais.

Ronaldo José Mussel, de 63 anos, trabalha na atividade há mais de duas décadas, e afirma que há falta de visão das pessoas em relação a atividade.

- Nós trabalhamos e os cavalos trabalham para poder ter o que comer. Sem a atividade, como vamos sustentar os cavalos? Como vamos sustentar a nossa família? – questionou.

Além dos charreteiros, há também outra profissão desempenhada na atividade, trata-se do rendição.

- São pessoas que não entendem nada. Tem veterinário de dois em dois meses que avalia os cavalos. Ele é um profissional e entende mais sobre os cavalos do que nós. Tem gente que chega próximo a um cavalo desses, que está bem cuidado, e fala que está pele e osso. Teve uma vez que uma pessoa veio do Recife e perguntou, “cadê os cavalos magros daqui?” e eu respondi e mostrei que aqui não tem cavalo magro – lembrou.

Sobre os carrinhos elétricos, Ronaldo afirmou que já ocorreram propostas para a substituição, mas até o momento não houve nenhum resultado.

- Cadê os carrinhos elétricos? Onde eles estão? Nós fomos todos lá e assinamos para passar para o carrinho. Mas não tem nenhum carrinho! Você vê que em Paquetá substituiu, mas lá tem os carrinhos, a Prefeitura forneceu, e aqui não tem nada – declarou.

O charreteiro afirma que a mudança para os carrinhos elétricos poderia evitar transtornos.

- Tem empresários que não concordam com a substituição, mas nós concordamos para não nos aborrecer. Você tá trabalhando e as pessoas passam e dizem que está mau tratado, te xingam de covarde e você está trabalhando. Vai para casa aborrecido com coisas que não são verdade – disse.

Além disto, os charreteiros afirmaram que terão que fazer a avaliação na próxima terça-feira (24) que, além dos cuidados, os trabalhadores terão que pagar as taxas. Além de afirmarem que existem muitas fotos de outros lugares que são utilizadas para criar uma imagem negativa da atividade.
Favorável a tração animal

Para o vereador Wanderley Taboada, o fim da atividade seria o encerramento de uma tradição do período Imperial. Além de afirmar que há fiscalização e que os animais são bem cuidados. O vereador afirmou que existem, até mesmo, períodos de descanso para os cavalos, além de declarar que existe rotatividade dos animais no local.

- Sou contra os mau tratos com os animais, mas é por este motivo que tem fiscalização, é uma responsabilidade da Prefeitura. Além disto, é importante dizer que os animais são bem tratados e falar que o encerramento da atividade é quebrar uma tradição que vem do período Imperial – disse.

Segundo o vereador, a atividade é importante e atrai turistas para a cidade.

- Tanto quanto no Rio de Janeiro, como em outras cidades, há pessoas que vem para Petrópolis pelo reconhecimento da atividade. Eles vêm pelo passeio histórico no Centro, eles vêm pelo passeio. Isto é uma tradição que querem acabar – afirmou.

Além disto, o vereador recorda que haverá perdas de muitos empregos, além dos charreteiros.

- Eu avalio a perda de muitos empregos e é necessária uma avaliação ampla. Além dos charreiteiros, tem as pessoas responsáveis pela alimentação, capim, os responsáveis pela saúde dos animais. São famílias inteiras que dependem da atividade, vai muito além das charretes – declarou.
Contra a tração animal

Para a vereadora Gilda Beatriz, deve haver modernização da atividade. A parlamentar ainda afirma que, após a convocação para a criação da comissão, haverá o debate sobre a criação de alternativas para a atividade.

- As coisas evoluem e se transformam. Hoje em dia você tem o smartphone, antes era tudo por fax ou linha fixa de telefone, atualmente temos até o WhatsApp. Antes nós tínhamos a locadora de vídeo, hoje temos o Netflix. Para nós, que somos protetores dos animais, essa discussão precisa ser efetiva, haver modernização, e os animais precisam ser libertos – afirmou.

Segundo a parlamentar, uma das alternativas pode ser a utilização das charretes elétricas.

- Em vários lugares houve a substituição para a charrete elétrica. E esta modalidade é muito legal pois ela pode ter o perfil histórico do local. Combinando com a arquitetura da cidade. Fica muito mais bonito, além de poder ocorrer a prática de passeios noturnos – acredita.

Sobre a manutenção dos empregos na atividade, Gilda afirma que deverá haver prioridade para aqueles que atualmente trabalham com as charretes de tração animal.

- Eu estarei na frente desta campanha pelo número 2, contra a tração, mas haverá a criação de uma comissão para o debate mais amplo. Deste modo, podemos trazer a charrete elétrica dando prioridade para as pessoas que já exercem a atividade. Nessa comissão sairá idéias e propostas para encaminhar para o Executivo – afirmou.

A vereadora completou, afirmando a modernização pode ser feita através de verbas federais, tal como emendas e por intermédio do Ministério do Turismo. Gilda já havia feito um projeto para por fim na atividade e acredita que a melhor forma seria fazer o procedimento de forma gradativa, mas afirma que o plebiscito é uma grande conquista e solicitou votos para o número 2.
Protetores dos Animais

Para o protetor dos animais independente, Pedro Bellotti, há uma relação direta de custo e benefício no debate, declarando que o município só tem a ganhar com a medida.

- Eu acredito que é uma relação de custo benefício e eu sou contrário a tração animal para objetivos turísticos. Não acredito que o governo tenha atenção e possa fiscalizar todos os animais. Deste modo, pode haver sim maus tratos – afirma.

Além disto, Pedro declara que existem regras estaduais que poderiam ser aplicadas no município, lembrando de cidades que já executam regras que proíbem a atividade.

- Existe uma lei estadual que define a proibição da utilização da tração animal. Em uma emenda é feita a exceção para a cidade de Petrópolis e isso não pode ser assim. Acredito que deva haver adequação, com a proibição da atividade – disse.








Fonte: Diário de Petrópolis