sábado, 24 de dezembro de 2016

De carona, servidora percorre 120 km para retirar cesta básica

(Foto: Reprodução RJ TV)
Arlete Maria da Rosa acordou cedo ontem para receber uma das cestas básicas distribuídas pelo Movimento Unificado dos Servidores Públicos (Muspe), que fez uma campanha de arrecadação de alimentos e produtos de higiene para ajudar o funcionalismo do estado. Às 7h, ela já estava numa longa fila em frente ao Sindicato dos Servidores da Justiça, na Travessa do Paço, no Centro, onde, desde quarta-feira, produtos vêm sendo entregues a quem, sem receber salário, não consegue mais ir a um supermercado. Moradora de Cabo Frio, na Região dos Lagos, Alerte percorreu, de carona, 120 quilômetros para pegar um saco com arroz, feijão, biscoito, macarrão, óleo, farinha, açúcar, café e leite. Será sua ceia de Natal.

— Está difícil. Natal é uma data importante. Todo mundo gosta de passar com a família, de fazer alguma coisa em casa. Mas não posso. Abro o armário e não tem nada. Abro a geladeira e também não tem. E não é só comida que falta. A gente, como todo mundo, paga luz, água, gás. As concessionárias não querem saber se deixei de receber. Cortam tudo e pronto. De coração, nunca pensei que fosse passar por isso — desabafou Arlete, que há 36 anos trabalha como auxiliar de enfermagem.

Após retirar seu contracheque da bolsa, a servidora apontou para o valor que esperava receber este mês: R$ 709,23. Na noite de quinta-feira, o estado anunciou que o salário de novembro começará a ser pago, em cinco parcelas, no dia 5 de janeiro. Ontem, o governador Luiz Fernando Pezão disse lamentar a situação do funcionalismo e voltou a criticar os arrestos nas contas do estado:

— Tenho consciência do que os servidores estão passando. Sei o que o atraso representa. Estou doído com isso. Os arrestos nos impossibilitam de fazer o gerenciamento do caixa e priorizar os pagamentos. É impossível fazer algum planejamento financeiro, tomar medidas necessárias, priorizar os pagamentos do funcionalismo, que sempre foi a nossa meta, sem gerenciamento do caixa.

CEIA DA MISÉRIA

Pela manhã, servidores fizeram um protesto em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras. O ato foi chamado de Ceia da Miséria. Após comerem pão e água, cerca de 500 manifestantes fizeram uma passeata: soprando apitos, batendo panelas e soltando fogos, eles pararam o trânsito na região. Também houve protesto diante da residência do governador, no Leblon.

Para o professor aposentado do estado Rubens Silva, a situação dos servidores é dramática.

— Sou professor, sofredor. Não tenho nada, sequer posso pagar um café. Este será o primeiro ano que não vou dar presentes de Natal — contou Rubens.













Fonte: G1