quinta-feira, 30 de abril de 2026

Centro Histórico de Petrópolis perde identidade com descaso na Praça da Inconfidência


Quem passa pela Praça da Inconfidência, no Centro, depara-se com um cenário no mínimo desolador de desordem urbana e negligência, que perdura há décadas. O espaço encontra-se em total abandono, como mostra o chafariz, inoperante com lixo, mato alto e canteiros mal cuidados, além da confusão de carga e descarga dos supermercados ao redor e a permanência de pessoas em situação de rua, que ali passam o dia.

Mesmo após passar por reformas recentes, o antigo Mercado Municipal permanece fechado, reflexo dos problemas persistentes no entorno. A situação também chama a atenção de turistas hospedados nos hotéis da região e aumenta a insatisfação de comerciantes, que afirmam cobrar intervenções há anos.

“A última grande reforma na praça aconteceu no governo de Leandro Sampaio, no fim dos anos 90 e, após isso, foram feitas apenas manutenções pontuais e hoje, nem isso temos. A cabine fixa, colocada para a segurança, está apodrecendo no tempo. É um trambolho enferrujado. O chafariz, não me recordo da última vez que vi limpo e funcionando”, desabafou um comerciante.

A área, que tem como um de seus principais marcos a Igreja Nossa Senhora do Rosário, integra o conjunto arquitetônico do Centro Histórico, assim como toda a Rua do Imperador e vias adjacentes. No entanto, com o passar das décadas, a região deixou de receber projetos de preservação capazes de manter suas características originais. Ruas como Caldas Viana, Porciúncula e Paulo Barbosa, além do terminal rodoviário, hoje apresentam uma realidade distante das antigas imagens que registravam o local.

Para a presidente da Ama Centro Histórico, Myriam Born, o abandono do local não se justifica. “É uma área do Centro Histórico importante, onde fica o terminal de ônibus - antiga rodoviária e sempre foi muito abandonada quando deveria ser justamente o contrário é ali onde o povo mais passa, ali onde o povo mais tem que ter a visão da sua identidade, do seu patrimônio, porque esse patrimônio é de todos nós”, disse.

Myriam ressalta que a questão da falta de conservação deste lado do Obelisco, afeta não só o sentimento do petropolitano, como a parte da parte turística. “Sem essa consciência vai ser muito difícil a gente avançar, sendo Petrópolis uma cidade importante para o turismo no Brasil e que vive do turismo praticamente. Então, como é que a gente pode deixar uma área importante como aquela, com a Igreja do Rosário, que é tão bonita - e que faz parte do conjunto da Avenida da Rua do Imperador - neste estado. O chafariz e toda a praça abandonada, isso precisa realmente de um olhar mais profundo porque é ali que está o início, o embrião da Rua do Imperador. O que posso dizer é que a lamentamos profundamente quando a gente vê a cidade sendo tratada desta forma”, finalizou.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura para comentar os problemas citados, porém, até o fechamento desta edição, não obteve respostas.