A reunião fora da agenda entre o governador em exercício Ricardo Couto e o ex-governador Cláudio Castro abriu mais um capítulo da crise política e administrativa no Rio de Janeiro. O encontro aconteceu por volta das 15h de ontem, na sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e, segundo relatos de bastidores, foi marcado por cobrança, incômodo e tensão em torno dos cortes orçamentários e das exonerações que vêm sendo conduzidos no Palácio Guanabara.
De acordo com interlocutores do governo, a iniciativa partiu de Ricardo Couto, que teria procurado Cláudio Castro para uma conversa presencial sobre o processo de enxugamento da máquina estadual. Desde que assumiu interinamente o comando do estado, Couto vem promovendo exonerações, revisões administrativas e um pente-fino em contratos, movimento que já produziu ruído político entre aliados do antigo governo.
No encontro, ainda segundo aliados de Castro, o ex-governador demonstrou insatisfação com a forma como esse ajuste vem sendo apresentado. A queixa central é que a narrativa adotada pela gestão interina estaria transmitindo a ideia de descontrole financeiro e de desorganização administrativa herdada do governo anterior, leitura que Castro rejeita. O desconforto aumenta porque o pacote de cortes passou a ter também um peso político, ao atingir cargos e estruturas associadas à gestão que deixou o poder em março.
O encontro ajuda a mostrar que a transição no estado está longe de ser pacífica. Embora Ricardo Couto ocupe o cargo de governador em exercício por força da crise sucessória aberta após a renúncia de Cláudio Castro e a vacância da vice-governadoria, o ex-governador segue tentando preservar sua narrativa política e evitar que o ajuste atual seja convertido em atestado de fracasso de sua administração.
Com informações O Globo


