quinta-feira, 9 de abril de 2026

Fala de advogado do PSD comparando Rio a Gotham City no STF repercute na Alerj


A declaração do advogado do PSD, Thiago Fernandes Boverio, que comparou o Rio de Janeiro à fictícia Gotham City durante julgamento no Supremo Tribunal Federal, repercutiu na sessão da Alerj desta quarta-feira (8), em meio ao debate sobre o modelo de eleição para governador-tampão no estado.

A analogia foi usada pelo advogado ao defender que a escolha do próximo governador seja feita por voto direto, e não de forma indireta pela Alerj — o que favoreceria aliados de Cláudio Castro (PL), que formam maioria na Casa. Segundo ele, o cenário político fluminense, marcado pela atuação de organizações criminosas, poderia comprometer a legitimidade de uma eleição restrita ao parlamento.

A fala fez referência à cidade fictícia dos quadrinhos do DC Comics, conhecida por altos níveis de criminalidade e corrupção, e foi usada para ilustrar o argumento de que o ambiente político no estado exigiria maior participação popular no processo eleitoral.

No plenário, o deputado Bruno Dauaire (União Brasil) criticou a declaração e saiu em defesa das instituições fluminenses. Segundo o ex-secretário estadual de Habitação de Interesse Social, a comparação foi “muito triste”, principalmente no mesmo dia em que foi registrada a “maior apreensão de drogas da história do país”, com cerca de 48 toneladas no Complexo da Maré.

“É Gotham City? O Judiciário é Gotham City? Esta casa aqui é Gotham City? Ainda bem que os nossos mandatos passam, porque as instituições são maiores do que as pessoas que as ocupam”, afirmou o parlamentar durante sessão.

O deputado também questionou o uso da analogia durante julgamento na Corte.

“Não pode um advogado, num julgamento do STF, dizer que este estado é Gotham City. Se alguém errou, que pague. Mas a instituição não pode pagar”, completou.

O que está em jogo no STF

O Supremo analisa ações apresentadas pelo PSD que discutem o formato da eleição para o mandato-tampão no Rio após a vacância do cargo. A Corte vai decidir se o pleito será direto, com participação dos eleitores, ou indireto, realizado pela Alerj.

A legislação prevê a escolha indireta, feita pela Assembleia, mas ações apresentadas pelo PSD no Supremo — principalmente com a renúncia de Castro, no último mês, que poderia lançar um nome próximo para suceder o poder no Palácio Guanabara — questionam esse modelo e defendem a realização de eleições diretas.

O argumento central é que a escolha por votação restrita aos deputados pode ficar mais suscetível a pressões políticas e à influência de grupos externos, enquanto o voto popular ampliaria a legitimidade do processo. Do outro lado, há a avaliação de que a regra vigente deve ser mantida para garantir segurança jurídica e respeitar o modelo previsto na legislação.

As ações estão sob relatoria dos ministros Luiz Fux e Cristiano Zanin, e a decisão deve definir não apenas o formato da eleição, como também o grau de protagonismo da Alerj na escolha do próximo governador.