As obras de restauração do Theatro Dom Pedro II, localizado na Praça dos Expedicionários, no Centro Histórico de Petrópolis, foram novamente paralisadas após a Prefeitura deixar de pagar a empresa responsável, que está há quatro meses sem receber pelos serviços prestados, segundo informações recebidas pelo Diário.
Segundo a placa instalada em frente ao Theatro, o valor total da obra é de R$ 2.322.890,00 (dois milhões, trezentos e vinte e dois mil, oitocentos e noventa reais), com início em 27 de novembro de 2023 e prazo de conclusão previsto em 240 dias, período mais do que ultrapassado.
Com as obras se arrastando desde 2019, quando a intervenção iniciou, o espaço não passava por uma grande obra há 16 anos, recebendo apenas pequenas intervenções entre os anos de 2009 e 2011. Na época, a Prefeitura informou que o serviço custaria R$ 1.686.000,00, com a maior parte dos recursos provenientes de emenda parlamentar.
No projeto de 2019 estava prevista a revitalização da infraestrutura do prédio, como a revisão das instalações elétricas, recuperação do sistema de ar-condicionado, adequação para acessibilidade, conserto de infiltrações, entre outras melhorias.
Instalação do ar-condicionado
Em tantas idas e vindas, a justificativa apresentada pelo poder público das últimas vezes, para a demora, era de que enfrentava problemas técnicos relacionados à instalação do ar-condicionado e, por isso, a obra ainda não havia sido concluída.
Na semana passada, no dia 31 de março de 2026, a Prefeitura e a concessionária de energia Enel fizeram o içamento dos três aparelhos do ar-condicionado que, segundo a prefeitura, serão conectados na infraestrutura elétrica a partir dessa semana.
"Uma parte do sistema de climatização já tinha sido instalada em algumas salas, com aparelhos split, e agora vamos concluir esse serviço com o ar-condicionado central, que será conectado na infraestrutura elétrica, que já tinha ficado pronta antes. Em seguida, mais alguns serviços serão concluídos”, disse o secretário de Obras, Maurício Veiga.
Atualmente, a prefeitura divulgou que o espaço está sendo totalmente reformado, desde o palco, restauro de cadeiras, carpete, pinturas artísticas; instalação de soluções de acessibilidade (rampa, plataforma elevatória, elevador); reforma das salas de música, de dança, administrativas (que ficam na área anexa), banheiros; troca de esquadrias; granito nas escadas; instalações elétricas novas e sistema contra incêndio.
Cobrança pela retomada
Há sete anos, os petropolitanos vivem com a promessa de reinauguração do espaço. Revoltados com a demora, no mês passado, artistas, produtores culturais e moradores de Petrópolis realizaram um ato público em defesa da reabertura. A mobilização, intitulada “O Theatro é Nosso!”, aconteceu em frente ao espaço cultural.
A iniciativa reuniu artistas, fazedores de cultura e moradores que defendem a retomada das atividades no teatro e cobram transparência nas informações sobre o andamento das obras de restauração, além de um posicionamento mais claro sobre os prazos para a conclusão dos trabalhos e a retomada das atividades culturais no espaço.
O espaço foi inaugurado em 2 de janeiro de 1933 pela família D'Ângelo e construído unindo estilos arquitetônicos e decorativos de art-nouveau e art déco. A decoração interna reúne estilos geométrico, mitológico e futurista, como flores com corolas viradas para baixo.

