O Mercado Imperial, tradicional ponto comercial de Petrópolis, tenta retomar o movimento após anos de dificuldades, mas ainda enfrenta uma série de entraves no entorno. Entre os principais problemas relatados por lojistas estão questões de acesso, segurança e organização urbana, que estariam impactando diretamente o funcionamento do espaço.
De acordo com informações reunidas em um memorial do próprio Mercadão, a ideia de um mercado imperial em Petrópolis surgiu ainda em 1904, inspirado em modelos de grandes cidades e com o objetivo de garantir melhores condições sanitárias à população. Já em 1928, uma nova estrutura foi construída para concentrar distribuidores. Em 1958, o espaço foi demolido durante a revitalização da Praça da Inconfidência e ampliação da Igreja do Rosário
Ao longo das décadas, o mercado desempenhou diferentes funções, mas se consolidou como um polo de venda de alimentos. Após um período fechado por problemas estruturais, passou por uma ampla reforma que durou cerca de quatro anos, sendo reinaugurado em 2015. A intervenção incluiu a restauração da fachada histórica, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), e adequações exigidas pelos órgãos de preservação.
Mesmo após investimentos dos proprietários para atender às normas de tombamento, lojistas afirmam que enfrentam dificuldades para manter as atividades. Além das questões estruturais no entorno, há relatos de aumento da insegurança na região, com presença de pessoas em situação de rua, brigas e uso de drogas nas proximidades, o que tem afastado clientes.
Prefeitura de Petrópolis: "jogo de empurra"
Procurada, a Prefeitura de Petrópolis informou que a Secretaria de Assistência Social tem realizado ações de zeladoria urbana na Praça da Inconfidência, com foco no acolhimento de pessoas em situação de rua, além de serviços de limpeza e apoio à segurança. As ações contam com a participação da Comdep e da Guarda Civil.
Sobre segurança, o município destacou que o patrulhamento ostensivo é de responsabilidade da Polícia Militar, mas afirmou que a Guarda Civil mantém rondas preventivas na região, incluindo o Terminal Centro e ruas próximas. Segundo a prefeitura, as ações ocorrem durante o dia e à noite, com apoio do Grupamento de Operações com Cães, e já resultaram na condução de suspeitos à delegacia, além de apreensão de drogas e uma faca.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que o Mercado Imperial está inserido no perímetro do conjunto urbanopaisagístico tombado do Centro Histórico de Petrópolis. O órgão esclareceu que, nesses casos, a fiscalização ocorre após intervenções ou mediante denúncias, e que, até o momento, não houve registro formal relacionado ao mercado. Também destacou que a organização do comércio local é de responsabilidade da Prefeitura, conforme o Código de Posturas.
Já o Inepac informou que realiza fiscalizações periódicas na cidade e que uma nova vistoria seria realizada, com o objetivo de apurar as ocorrências relacionadas à carga e descarga na Praça da Inconfidência. O instituto destacou que já se posicionou, em inquérito civil do Ministério Público, pela impossibilidade de regularização da atividade do supermercado no local, por entender que ela interfere na integridade e harmonia do bem tombado. Caso sejam constatadas irregularidades, o órgão poderá adotar medidas administrativas e encaminhar o caso à Justiça
