segunda-feira, 21 de setembro de 2026

‘Quem julga o julgador?’: Príncipe brasileiro faz reflexão sobre o STF


O tetraneto de Dom Pedro II argumentou sobre a limitação estrutural na qual não há ninguém que julgue as ações dos ministros da Suprema Corte.

— Não me cabe tomar partido, nem julgar as pessoas, mas momentos como esse nos convidam a refletir sobre algo muito mais profundo, que é o desenho das nossas instituições. Quando o conflito nasce dentro da própria corte, é a própria corte quem decide como apurá-lo. Não há no nosso arranjo atual uma instância acima das disputas, capaz de arbitrá-las sem suspeita de parcialidade — disse.

Dom Rafael citou um ponto da Constituição de 1824 que apresenta uma solução para essa questão.

— E aí surge uma pergunta que ninguém consegue responder satisfatoriamente: quem julga o julgador? E foi para responder a essa pergunta que a Constituição de 1824 previu o Poder Moderador, não um quarto poder político como os demais, mas um poder de arbitragem confiado a quem estava, por definição, fora das disputas entre eles — relembrou.

Usando outras monarquias como referência, o príncipe mencionou a importância de uma referência equilibrada e isenta.

— Hoje, nas monarquias parlamentares como o Reino Unido, a Espanha e até a Bélgica, esse espírito sobrevive de outra forma. O Chefe de Estado não governa e nem julga, mas, por não depender de eleição, de partido ou de composição política, ele exerce uma autoridade moral e uma função de equilíbrio que ajudam as instituições a permanecerem no seu lugar — comparou.

A reflexão termina convidando a população a refletir sobre a estrutura, e não apenas sobre os personagens da atual maior crise que vive a última instância do Judiciário.