domingo, 30 de novembro de 2025

Fogos de artifício com estampido em Campos: sem fiscalização causam transtorno à animais , idosos e TEA


Está proibida a utilização de fogos de artifício que produzam som na cidade de Campos dos Goytacazes. Isso significa que em dias de jogos de futebol ou mesmo em festas como o réveillon e outros grandes eventos na cidade não poderão ser utilizados artefatos “barulhentos”. A decisão, que passará a valer no dia 4 de outubro de 2020, é uma vitória para as associações de proteção aos animais e a pessoas que possuem sensibilidade auditiva, como é o caso de quem tem Transtorno do Espectro Autista, por exemplo. Àqueles que infringirem a nova lei, serão aplicadas penalidades de caráter educativo e, em caso de reincidência, multa no valor equivalente a 500 (quinhentos) UFICAS (Unidade Fiscal de Campos).

A Lei nº 9.004, publicada no dia 04 de agosto de 2020, originou-se de um projeto da vereadora Joilza Rangel encaminhado ao Executivo Municipal após a parlamentar receber diversas solicitações por parte de mães de crianças com autismo e outras questões que acarretam sensibilidade ao som produzido por artefatos pirotécnicos.


Cachorro morre durante foguetório em Campos

Lenita, que tem um abrigo de cães e é conhecida pelo seu trabalho com os animais, usou as redes sociais para lamentar a m0rt3 de um dos seus cachorros no sábado (29). Ela afirmou que a m0rt3 foi causada por um foguetório à noite.

Aos prantos, Lenita lamentou a perda em um vídeo.

“Ele era deficiente, mas super bem tratado, não resistiu aos fogos. Ele m@rreu no meu colo”, disse.

Na noite de sábado, muitas pessoas recorreram aos fogos de artifício para comemorar o título da Libertadores do Flamengo.


TEA

A presidente da AMA-Campos, Marcela Peixoto Ferreira, comemora a conquista. “Essa lei é muito importante pra nós pais e mães de crianças e adolescentes autistas. Muitas pessoas com o TEA apresentam sensibilidade auditiva devido às alterações sensoriais. Esse também é o caso daqueles que têm qualquer outro tipo de transtorno mental. Como os fogos de artifícios são utilizados em várias ocasiões, como jogos, festas comemorativas etc., muitos foram ajudados com essa lei que já vem sendo implantada em várias cidades tanto no Brasil e no mundo”, disse Marcela. Ela lembra ainda que poucos são os que se conscientizam e se sensibilizam perante o abalo emocional e físico (agitação, crises de choro e gritos, tremores etc.) que os fogos de artifícios com barulhos causam nos indivíduos nessas condições. “Agora, com a lei em vigor, poderemos nos tranquilizar e garantir a qualidade de vida dos nossos filhos. Lutamos há tempo por inclusão. Ainda estamos longe de conquistá-la, de fato. Mas essa lei representa um passo dado nesse caminho”, concluiu.

Animais

Sabe-se que o barulho causado por fogos de artifício costuma assustar os animais domésticos. Muitos se escondem, têm medo e ficam agitados, principalmente quando a duração desses espetáculos pirotécnicos é grande. De acordo com os integrantes do grupo voluntário de proteção animal “Lambeijinhos”, a aprovação da lei é motivo de comemoração para os simpatizantes da causa.

“Os fogos são agressivos a audição dos animais, causam pânico, desespero e desorientação, o que pode resultar em fugas, infarto, crises convulsivas e até morte. Recentemente, em Campos, em um momento de Pânico por conta de fogos de artifícios, um cachorro pulou de uma altura de dois andares. E isso não é tão incomum quanto se pensa. Essa lei irá beneficiar a todos que amam os seus bichinhos de estimação”, disse Rita, uma das integrantes do grupo.

O veterinário Márcio Duarte lembra ainda que não somente os animais de estimação sofrem com o barulho dos artefatos pirotécnicos. Segundo ele, animais de grande porte, como cavalos, costumam sofrer ainda mais. “É claro que os animais que vivem em apartamento são bastante prejudicados e correm riscos de saúde e também acidentais. Mas aqueles animais que estão acostumados com a tranquilidade de uma fazenda e são surpreendidos com o barulho dos fogos, são ainda mais afetados. Em Lagoa de Cima, por exemplo, há muitas fazendas e, no réveillon, o costumeiro sossego dá lugar a um alvoroço que pode acarretar graves problemas à saúde dos animais que vivem ali”, declarou.

O veterinário aproveita para lembrar que pessoas que não possuem sensibilidade auditiva, mas que se encontram em uma situação de recolhimento, precisam ser respeitadas. “Pacientes acamados sofrem bastante com o barulho desses fogos. Não à toa existe um acordo tácito de que não se pode soltar fogos próximo a áreas em que haja hospitais. Mas, na prática, isso não é respeitado, como é o caso da região da Pelinca, em Campos”, afirmou.