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sexta-feira, 10 de julho de 2015

MPE DIZ QUE DESAPROPRIAÇÕES PARA PORTO DO AÇU SÃO NULAS



Em despacho a 2 Vara de Justiça de São João da Barra, datado de 12 de dezembro de 2013, o promotor público estadual, André Luiz Farias, lança mão de uma tese que pode anular todas as desapropriações realizadas pelo governo do Estado por meio da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) na Região do Açu. Ele diz que a responsabilidade pelas desapropriações visando à instalação de condomínios industriais, como foi o caso, "é responsabilidade do município". 

Com isso, segundo o promotor, tanto as desapropriações quanto as expropriações de terras - com base no decreto lei do governo estadual - para destinação a terceiros na zona rural de São João da Barra são nulas. O promotor afirma "que as desapropriações foram artifícios para beneficiar um único grupo empresarial", inicialmente, no caso, as empresas do empresário Eike Batista e posteriormente a Prumo Logística, a atual operadora do empreendimento. "É forçoso reconhecer que o fundamento utilizado pela parte autora para fundamentar a urgência na desapropriação e a consequente imissão provisória de posse não merece qualquer acolhida", afirma o promotor num trecho do despacho sobre o processo 0004693-14.2010.8.19.0053 de desapropriação que tem como autor da ação a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), e como réus as produtoras rurais Elaine Aparecida Ribeiro Peixoto, Ruana Márcia Ribeiro Peixoto e Amanda Ribeiro Peixoto, irmãs que integram um mesmo espólio desapropriado pelo governo do Estado no Açu. Na ação elas foram representadas pelo pai José Amaro Peixoto. 

Os argumentos do promotor são baseados no artigo 30 da Constituição Federal, que trata da competência exclusiva dos municípios, e na tese do constitucionalista José Afonso de Azevedo Silva. 



Mais de R$ 250 milhões só com aluguéis

As desapropriações no Açu são objetos de vários questionamentos na justiça em função dos valores praticados pelo Estado, terceirizações dos imóveis ainda na fase de imissão provisória de posse e a violência praticada pelo aparato do Estado durante a retirada dos proprietários de imóveis. "Essas terras atualmente estão vigiadas por homens armados, de forma que os ex-proprietários não conseguem entrar nem para resgatar um animal perdido. Hoje é mais fácil fotografar Cuba do que conseguir uma fotografia em terras sob o domínio do porto", destaca o advogado Antônio Maurício Costa, que defende vários produtores rurais do Açu. 

De acordo com reportagem publicada na edição de ontem de O Diário, só com aluguel de áreas desapropriadas a Prumo Logística deverá lucrar mais de R$ 250 milhões por ano. O governo do Estado tomou as terras dos produtores rurais por meio de um decreto lei e posteriormente entregou a iniciativa privada, que atualmente lucra com os alugueis milionários.




Fonte: O Diário

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EM SÃO JOÃO DA BARRA, ÓRFÃOS DE EIKE BATISTA TENTAM SOBREVIVER


(Foto: Ricardo Moraes)

Eles não estão incluídos no processo de recuperação e não vão fazer parte de nenhum cronograma de pagamento de dívidas. São a ponta menos visível da crise do grupo X, do empresário Eike Batista: pequenos empreendedores que investiram para aproveitar oportunidades no Porto do Açu e agricultores desalojados para construção de um distrito industrial na Zona Rural de São João da Barra, Norte Fluminense, local do empreendimento.

Com a suspensão das obras do estaleiro da OSX, que também pediu recuperação judicial, o clima é de apreensão no município de 35 mil habitantes. Desde abril, quando a crise se aprofundou, o movimento no comércio despencou e muitos empresários passaram a conviver com calotes da clientela. 

Dos empreendimentos previstos, incluindo siderúrgicas e um polo metal mecânico, apenas o terminal de minério de ferro e duas fabricantes de equipamentos petrolíferos continuam em obras. A maior parte do terreno do porto permanece como estava antes da chegada da empresa: com grandes pastos e áreas de restinga. A população tem esperança de dias melhores, embora saiba que o empreendimento não terá o mesmo porte inicial. 

“Está abandonado!”, gritou o motorista de ônibus ao ver a reportagem ao lado da cerca das obras do estaleiro da OSX, em São João da Barra, norte fluminense. Lá dentro, apenas um imenso galpão sem trabalhadores ou máquinas operando confirma: as obras estão suspensas. 

A desmobilização jogou uma pá de cal sobre as expectativas dos moradores da região, que, desde o início das obras do porto, colhiam os lucros da intensa movimentação de empregados das empreiteiras e prestadoras de serviço contratadas pelo empreendimento.

(Foto: Fernando Souza / Agência O Dia)

“Vendia 800 quentinhas”

“Cheguei a vender 800 quentinhas por dia”, conta Paulo de Freitas Bastos, dono de um restaurante. “Hoje, não passa de 200”, conclui. Ele deixou a capital em 2007 rumo ao município, atraído pelas oportunidades que o porto geraria. Bastos se viu envolvido na espiral de calotes que assolou a região após o começo da crise. Hoje tem aproximadamente R$30 mil a receber.

“Antes de abril, tinha fila de ônibus, estava lotado de trabalhadores. Agora, está deserto”, lamenta Denis Toledo, dono de uma lan house no centro de Barra do Açu, próximo ao porto.

“Chegaram de mansinho e depois nos mandaram sair” 

Pesquisador do Instituto Federal Fluminense (IFF) Roberto Moraes estima que haja R$ 2 milhões em dívidas de fornecedores das empresas X junto a empresários do Norte Fluminense. Como se tratam de subcontratados, estes credores não fazem parte do processo de recuperação judicial.

Dono de uma pousada e um restaurante na cidade, João Batista Stellet Alves prefere não revelar o prejuízo que teve. Ele investiu R$300 mil no empreendimento, inaugurada em 2012. 

“Eles primeiro chegam de mansinho, medindo as terras. Depois botam a placa e dizem que é deles”. A reclamação do produtor rural Reginaldo de Almeida, em frente ao terreno que pertence a sua família há 40 anos, foi feita com dedo em riste. Na mira, uma placa que identifica o terreno de 13 quilômetros quadrados, desapropriado para receber o polo siderúrgico da ítalo-argentina Ternium.

Com a retração do mercado de siderurgia e a entrada da empresa no grupo controlado pela Usiminas, porém, o empreendimento foi interrompido em setembro e a expectativa é que a companhia devolva as terras, hoje improdutivas. Outros produtores também foram desapropriados para as obras do distrito industrial.


A DESAPROPRIAÇÃO

A desapropriação iniciou em 2009. Estudos feitos à época definiram a necessidade de 70 quilômetros quadrados de área, antes dividida em 466 lotes de pequenos produtores rurais. Desde então, 292 propriedades já foram desapropriadas, mediante ação judicial.

Em contrapartida, o governo ofereceu em troca um assentamento próximo, além de auxílio-produção de um a cinco salários por dois anos. “Foram pagos R$ 2,8 milhões para 190 famílias, das quais 35 foram para o assentamento”, disse o governo estadual à reportagem.

Para os casos em que não houve acordo, já existem ações na Justiça e, hoje, as indenizações vem sendo feitas por depósito judicial. A resistência ao processo, que vem sendo usado como arma pela oposição ao governo Cabral, aumenta à medida em que o projeto do porto perde tamanho.

“Não precisava ter abraçado o mundo com tanta pressa. Esse porto está lá longe e nós perdemos pasto e área para plantar”, diz o produtor Manoel Peixoto, 61 anos.

Há um ano ele foi detido por resistência à desapropriação. A área de apenas um alqueire, está atualmente cercada por arame farpado. “Me agarraram pelo pescoço e me algemaram com meus dois filhos, como bandidos”, recorda. Ele lamentou terem jogado areia sobre a terra, que ficou improdutiva — mesmo que não seja mais usada pelo porto.


Fonte: O Dia

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

MORADORES DO AÇU IRÃO ACAMPAR EM FRENTE DA SEDE DA LLX


(Foto: Ricardo Moraes/ Reuters)

Moradores do distrito do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, preparam manifestação no Rio de Janeiro. Eles irão protestar contra as desapropriações de suas terras para abrigar o Porto de Eike Batista. Será montado acampamento em frente a sede da LLX.


Fonte: Roberto Barbosa

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

DESAPROPRIAÇÃO DE TERRAS E MORTE NO AÇU

(Arquivo/ Foto: ANI)

No mesmo dia em que falece num hospital em Campos, José Irineu Toledo de 83 anos a casa de sua família está sendo desapropriada no Açu. A família se dirigia para Campos por conta do aviso do falecimento no hospital e no mesmo momento policiais militares e segurança chegavam à residência deles no Açu para cumprir mandado judicial de desapropriação da casa com retirada de gado e demais pertences.

A família aturdida por conta das duas perdas e da necessidade de acompanhar ambas. O senhor José Irineu Toledo era cadeirante, doente e vinha passando pelo desgaste da desapropriação já tentada pela Codin/LLX junto à Justiça no meio de junho.Daqui a pouco o blog dará mais informações obtidas junto à família.

O senhor José Irineu Toledo morava há 60 anos na localidade de Água Preta, em propriedade de 6 alqueires, sítio Camará, herdada dos pais. Junto com sua esposa Da. Maria da Conceição Viana Toledo de 78 anos ele teve 7 filhos e 11 netos.

A despeito de todos os problemas policiais militares e seguranças que acompanham oficial de justiça já retiraram o gado da propriedade do senhor José Toledo.

O blog acaba de ser informado que outra figura marcante no Quinto Distrito de São João da Barra, o senhor Anadir Lopes, quase centenário e que também teve sofreu desapropriação das suas terras faleceu em casa em Mato Escuro. O senhor Anadir tinha uma quitanda na estrada da Figueira que liga Água Preta ao Açu acompanhando o empreendimento. Depois da desapropriação foi senhor Anadir foi morar em Mato Escuro.



Fonte: Blog do Roberto Moraes