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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

APÓS 7 ANOS, PORTO DO AÇU FICA PRONTO EM ABRIL

(Foto: Divulgação)
São João da Barra, RJ - Considerado por muitos um sonho megalomaníaco do empresário Eike Batista, o Porto do Açu é um projeto que impressiona.

Sete anos e R$ 3,9 bilhões depois do início da obra pela antiga LLX, hoje Prumo Logística, a infraestrutura portuária básica do porto em São João da Barra, norte fluminense, recebe os últimos reparos até abril.

Os dois terminais foram inaugurados no fim de 2014, com o primeiro embarque de minério e a primeira operação comercial.

Apesar do avanço, transformar a área de 90 quilômetros quadrados - maior que a ilha de Manhattan, em Nova York - em complexo industrial ainda é um desafio.

Há duas semanas, quando o jornal O Estado de S. Paulo visitou o local, caminhões faziam fila para transportar pedras usadas no revestimento do canal do porto.

Os últimos blocos gigantes de concreto feitos pelas espanholas Acciona e FCC - de um total de 89 - estavam sendo assentados no fundo do mar.

A americana Edison Chouest, do segmento marítimo, cravava as primeiras estacas para a construção de sua base de apoio no Terminal 2, que abriga empresas da cadeia de óleo e gás.

A área molhada do Terminal Multicargas está pronta. A Prumo busca contratos para movimentar ali contêineres e cargas de bauxita e coque a partir do terceiro trimestre.

Seis mil pessoas, segundo a Prumo, trabalham nas obras do Porto ou de algumas das nove empresas instaladas no local. Juntas, considerando o aporte da própria Prumo, elas já investiram R$ 6,2 bilhões no complexo.

E ainda há muito o que fazer, porque só 10% do Açu estão ocupados. Atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobrás. O cenário pode dificultar os planos da EIG Global Energy Partners, dona do Açu desde 2013, para o projeto.

Em entrevista ao jornal O Estado, depois de comprar o ativo de Eike Batista, o presidente da companhia americana, Blair Thomas, disse que o porto era a joia da coroa do grupo X, graças à localização privilegiada: "O Açu será o ‘hub’ logístico para o desenvolvimento do pré-sal".

A perspectiva se mantém, mas o prazo de desenvolvimento do pré-sal pode ser mais lento que o desejável, atrasando os planos da Prumo de ter um fluxo de caixa positivo em dois anos.




Fonte: Exame

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CEDAE SUSPENDE FORNECIMENTO DE ÁGUA EM SÃO JOÃO DA BARRA DEVIDO A SALINIDADE


(Foto: Ralph Braz)

O portal OZK, com sede em São João da Barra, publicou nesta quinta-feira (05) que a Cedae interrompeu o tratamento e fornecimento de água no município norte fluminense, por causa de salinidade na água do Rio Paraíba do Sul. Segundo o veículo, a interrupção aconteceu das 23h30min de quarta-feira (04) às 5h30min desta quinta (05). A assessoria de Comunicação da Cedae confirmou o corte no fornecimento, mas garantiu que o abastecimento já está normalizado na região. 

O Jornal do Brasil publicou nesta quarta-feira (04) uma reportagem apresentando estudos feitos pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), a pedido da própria LLX, que comprovam a salinidade na água em propriedades de Barra do Açu, após contaminação provocada por um acidente em um dos tanques da empresa de Eike Batista.

Segundo o jornalista Leonardo Ferreira, do portal OZK.com, vários moradores ligaram para a redação do veículo na noite de quarta (04), reclamando da falta d´água em diversos pontos do município. Em contato com a filial da Cedae em Barra de São João, o jornalista foi informado pelo gerente regional da Cedae, Ranieli Felisberto, que a suspensão no fornecimento da água aconteceu por conta da salinidade acentuada e de difícil tratamento para consumo. “O diretor me afirmou que a água fornecida às residências estava com alto grau de salinidade”, contou o jornalista.

A assessoria de comunicação da Cedae justificou que o procedimento foi necessário para fazer o tratamento na água do Rio Paraíba do Sul, que apresentou na noite de quarta (04) um grau muito elevado de salinização. Segundo a Cedae, o fato ocorreu porque a maré subiu e invadiu o rio. “O alto índice de salinidade registrado ontem é raro, conseguimos captar e suspender rapidamente o fornecimento”, explicou o assessor da Cedae. 


O biólogo Carlos Rezende, do Centro de Biociências e Biotecnologia (CBB), esclarece que o processo de salinidade da água do Rio Paraíba do Sul, observado na noite desta quarta (04) e que provocou a interrupção no abastecimento do serviço, não tem nenhuma relação com a contaminação do solo e da água em propriedades do município e especificada no relatório da LLX. Rezende percorreu o Rio Paraíba do Sul na tarde desta quinta (05) e concluiu que a captação da água foi interrompida pela Cedae de forma adequada e preventiva, ao ser percebida uma grande entrada de água do mar na foz, ocasionada pelo baixo volume da água do rio, normal em períodos de pouca chuva.


Fonte: Jornal do Brasil

PORTO DO AÇU: SALINIDADE NA ÁGUA EM SJB PERSISTE DE ACORDO COM LLX



Depois das declarações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e das empresas OSX e LLX, do grupo empresarial de Eike Batista, garantindo que os impactos ambientais causados por uma falha técnica ocorrida durante as perfurações e extração de sal nas obras do Complexo Porto do Açu, no final do ano passado, já foram revertidos no município norte fluminense de São João da Barra, o Jornal do Brasil teve acesso a um documento que comprova que a contaminação ainda prejudica as propriedades na região. O relatório entregue por uma fonte interna da LLX ao JB contém um estudo técnico atual e detalhado do solo e da água da região, concluindo que os efeitos do desastre ambiental persistem.

O acidente ambiental ocorreu no ano passado, quando um dos tanques de transferência da empresa LLX apresentou uma falha técnica durante as perfurações e extração do sal para a construção do porto idealizado por Eike Batista. O problema provocou um derrame de água salgada que atingiu córregos, rios e propriedades dos pequenos agricultores, que denunciaram o caso ao Inea. Procurado pelo JB, o Inea garantiu que monitora o rio Quitingute, afetado pelo derrame, de 15 em 15 dias e a empresa OSX envia semanalmente os resultados do controle de águas superficiais e, mensalmente, de águas subterrâneas. O Inea afirmou através de nota, que todos os resultados atuais apontam que os níveis de salinidade retornaram ao padrão normal no rio Quitingute, em torno de 0,2% de salinidade. “A contaminação da área já foi solucionada”, diz a nota. O Inea ressaltou ainda que quer levantar os danos que podem ter ocorrido na época do acidente e se algum pode ter persistido até hoje.


No entanto, o relatório entregue pela fonte da LLX com uma pesquisa de campo, contratada pela própria LLX ao Instituto Federal Fluminense (IFF), constata que em mais de 10% das propriedades avaliadas a água está fora dos padrões normais para fins de irrigação. O intuito da pesquisa foi avaliar os impactos ambientais causados pelo empreendimento. Os estudos foram realizados com amostras de solo e água das propriedades atingidas no acidente e colhidas por pesquisadores do IFF, encaminhadas para o laboratório do Centro de Tecnologia Agrícola (Campo). O documento sigiloso e não divulgado foi denominado pelas partes contratadas como “Análise situacional dos produtores rurais ao longo do Canal Quitingute (Microbacia do Rio Doce, São João da Barra, RJ), como subsídio a análise do eventual impacto na agricultura decorrente de alterações de salinidade pontual e transitória do referido canal”.



O conteúdo exposto em 52 páginas destaca que os resultados foram obtidos a partir das análises de amostras de tecido vegetal, solo e água utilizada para irrigação em 55 propriedades localizadas próximas ao empreendimento. Os resultados indicaram que as propriedades apresentam solos com níveis críticos de fertilidade, podendo causar danos “às culturas existentes”. Foi constatado ainda um processo de salinização e sodificação em algumas propriedades, representando um aumento da fração de sódio presente no solo. “Os resultados das amostras de tecido vegetal indicaram que estas refletem os aspectos nutricionais do solo, assim como algumas espécies apresentam teores de sódio acima do previsto na literatura. As amostras de água utilizadas para irrigação apresentam em 64,5% do total, uma condutividade de média a alta, devendo ser utilizadas para irrigação com restrições”, destaca o documento.

No relatório consta que as amostras foram entregues ao laboratório do CAMPO no dia 17 de março de 2013 e cita as metodologias analíticas adotas no estudo e nas planilhas eletrônicas com os dados alcançados. Segundo a pesquisa, “das 55 amostras de água coletadas, 10,9% estavam fora do padrão normal para fins de irrigação, referente ao parâmetro de condutividade elétrica” e “aproximadamente 33% dos pontos de coleta de solo apresentaram caráter sódico em pelo menos uma das profundidades analisadas (0 a 60 cm), o que pode trazer prejuízos à agricultura”, conclui o estudo.

Os técnicos destacaram que o problema da salinização do solo pode ser decorrente de diversos fatores e citam como exemplos o processo de formação dos solos da região, a irrigação conduzida de forma inadequada, a adubação sem recomendação técnica e qualquer ação antrópica capaz de modificar o ambiente. “A salinização dos solos pode ser causada por um fator isolado ou pela combinação dos mesmos”, diz o texto.


Fonte: Jornal do Brasil

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PORTO DO AÇU: PODE TER CAUSADO GRANDE DESASTRE AMBIENTAL EM SJB



As obras realizadas pela empresa OSX, do grupo de Eike Batista, na região do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense, podem ter causado uma das maiores tragédias ambientais do estado. Durante as perfurações e extração do sal para a construção do Complexo Portuário do Açu uma falha técnica em um dos tanques de transferência provocou o derrame de água salgada para os córregos, rios e propriedades de pequenos agricultores, contaminando toda a região. 



As denúncias são do geógrafo Marcos Pedlowski, doutor em Environmental Design And Planning - Virginia Polytechnic Institute and State University, que está desenvolvendo pesquisas de campo nos terrenos afetados. O impacto ambiental também está em análise por cientistas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), que já constataram que tanto a água quanto o solo da região sofreram contaminação, apresentando um aumento expressivo de salinidade, que pode representar danos irreversíveis para a natureza e, consequentemente, para a economia do lugar, que tem base na agricultura e pecuária.


Segundo Marcos Pedlowski, a primeira queixa partiu de um agricultor no bairro de Água Preta, em novembro do ano passado, que notou um sabor estranho na água que estava consumindo. Amostras de água e solo deste agricultor foram encaminhadas ao Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da Uenf, que constatou através de testes com equipamentos de precisão que o nível de sal no líquido colhido estava muito além do normal. Os estudos foram conduzidos pelo biólogo Carlos Rezende, que continua prestando apoio aos agricultores do Açu, com orientações técnicas que visam amenizar os efeitos da salinização no uso familiar.



Rezende explicou que as montanhas de areias extraídas pelas dragas da OSX e colocadas num aterro hidráulico, não tiveram a contenção adequada e a água salgada migrou para o solo das áreas mais baixas. “Precisa de um plano eficiente de contingência do sistema de drenagem, para evitar falhas como essa. É só imaginarmos que, numa dragagem, 70% do resíduo é água e somente 30% sólido. Isso é básico”, disse o biólogo.


Para o geógrafo Marcos Pedlowski, a questão da contaminação do solo e da água em São João da Barra é muito séria e representa grave risco à saúde da população. “O processo de salinização da terra é acelerado e irreversível, pode prejudicar a fauna, a agricultura e, principalmente, as pessoas que consumirem os alimentos e a água contaminada”, alertou Pedlowski. Segundo ele, a prefeitura de São João da Barra não está realizando o monitoramento da água distribuída na região, serviço que é da sua competência e as conseqüências podem ser ainda mais sérias.




Fonte: Jornal do Brasil