O histórico prédio que abrigou a sede nacional do Correio Geral, na Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, não recebeu nenhuma proposta no leilão realizado na quinta-feira (30/07). O imóvel, um dos símbolos da trajetória dos Correios no país, foi ofertado pelo Governo Federal com lance inicial de R$ 53,5 milhões.
A venda foi revelada em primeira mão pelo DIÁRIO DO RIO, que antecipou a inclusão do edifício entre os ativos que seriam colocados no mercado pela estatal como parte do plano de reestruturação patrimonial diante da crise financeira enfrentada pelos Correios.
Sem interessados na primeira rodada, o prédio poderá voltar a ser ofertado em novos certames. De acordo com o edital, em uma terceira etapa o valor mínimo poderá ser reduzido para R$ 47,7 milhões.
Edifício construído no Império ocupa quarteirão na Praça XV
Com projeto atribuído ao engenheiro e arquiteto Antônio de Paula Freitas, a construção possui cinco pavimentos e cerca de 9.060 metros quadrados de área construída em um terreno de 1.585 metros quadrados. O edifício ocupa todo um quarteirão na Praça XV, entre as ruas Primeiro de Março, do Rosário, Visconde de Itaboraí e a Travessa Tocantins. A localização coloca o imóvel em um dos principais corredores históricos do Rio, próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e à Casa Brasil.
Valor do edital ficou acima de avaliação de mercado
Antes da realização do leilão, uma avaliação da Sergio Castro Imóveis, publicada pelo DDR em uma reportagem exclusiva, apontava que o valor de mercado do imóvel não ultrapassaria R$ 40 milhões. A análise considerava características específicas do prédio, como o perfil histórico da construção, as limitações de intervenção no imóvel e as condições do mercado imobiliário do Centro do Rio.
O edital também informa que o prédio não possui débitos inscritos em dívida ativa de IPTU. No entanto, há divergências entre as áreas registradas no cadastro municipal e aquelas constantes no registro imobiliário. A regularização ficará sob responsabilidade do futuro comprador.
A venda do prédio faz parte da estratégia dos Correios para reorganizar seu patrimônio e gerar recursos em meio ao desequilíbrio financeiro da estatal. Além da alienação de imóveis, a empresa anunciou outras medidas de ajuste, como contratação de empréstimos, encerramento de unidades consideradas deficitárias e revisão de contratos.


