sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Audiência sobre contas da Prefeitura de Petrópolis termina sem respostas e com críticas


A falta de esclarecimentos sobre a situação financeira de Petrópolis e os questionamentos sobre a condução dos trabalhos marcaram a audiência pública, realizada na terça-feira (27), na Câmara Municipal. O encontro, convocado para avaliar as contas da Prefeitura entre maio e agosto, ocorreu com quase um mês de atraso e foi marcado por embates entre vereadores da oposição e o presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, Tiago Leite (PSD), integrante da base governista.

Durante a apresentação dos dados financeiros, vereadores cobraram explicações sobre diferentes pendências da administração municipal. Entre as principais preocupações estavam os R$ 242,3 milhões registrados nos cofres públicos ao fim de agosto e os recorrentes atrasos nos pagamentos aos servidores aposentados.

A situação dos empréstimos consignados também entrou na pauta. Os parlamentares questionaram a falta de regularização dos valores descontados dos contracheques dos funcionários municipais, mas ainda não repassados às instituições financeiras. Em apenas um banco, a quantia pendente ultrapassaria R$ 15 milhões.




Questionamentos sem respostas

As cobranças se estenderam a compromissos financeiros do município com unidades de saúde. Os vereadores solicitaram informações sobre o cumprimento de acordos judiciais envolvendo o Hospital de Olhos Dr. Tannure, o Hospital Santa Teresa e o Hospital Clínico de Corrêas (HCC).

Outro assunto levantado foi a paralisação das obras do Liceu Municipal. Segundo relato apresentado pelo vereador Léo França (PT), os responsáveis pelos serviços estariam sem receber os pagamentos.

Os parlamentares também cobraram informações sobre as medidas adotadas pela Prefeitura para reduzir despesas durante os decretos de calamidade pública e sobre a destinação dos 2% do orçamento municipal previstos para ações de prevenção de tragédias climáticas.

Apesar da quantidade de questionamentos, a audiência terminou sem respostas consideradas satisfatórias pelos vereadores que fizeram as cobranças. A falta de esclarecimentos contribuiu para o aumento das discussões, levando Léo França a contestar a condução da sessão e solicitar sua suspensão. O pedido, porém, não foi atendido.

A condução da audiência também provocou críticas da vereadora Júlia Casamasso (Psol), que teve o microfone desligado durante os questionamentos. Após a reunião, ela afirmou que seu direito de manifestação foi restringido enquanto tentava obter explicações sobre a utilização dos recursos públicos.

Júlia argumentou que o regimento interno da Câmara permite a apresentação de perguntas, réplicas e tréplicas durante esse tipo de procedimento. A parlamentar também criticou a ausência de respostas do secretário municipal de Fazenda às questões levantadas pelos vereadores.

Em manifestação nas redes sociais, Tiago Leite defendeu a condução dos trabalhos. O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento afirmou que seguiu as regras previstas no regimento interno da Câmara, que estabelece 15 minutos para a participação, além de outros três minutos destinados às considerações finais.