quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Márcio Canella e ex-secretário de Polícia Civil são presos pela PF

 

O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, foram presos nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal. Além deles, outras quatro pessoas estão presas.

A ação faz parte da 8ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio, e foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Veja os alvos:

Christiano Gaspar Fernandes
Giovanni Gaspar Fernandes
José Carlos Alves de Souza Júnior
Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella
Marcus Vinicius Amim Fernandes
Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, inspetor da Polícia Civil

A ação dá continuidade à investigação que já havia levado agentes a cumprir mandados contra Canella e Amim em julho, durante a sexta fase da operação. Na ocasião, os dois foram alvo de buscas.

O ex-prefeito permaneceu quatro dias preso em Bangu 8 e deixou a unidade em 11 de julho, por determinação de Alexandre de Moraes. Inicialmente, ele precisou cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite.

Em 24 de julho, o ministro retirou as restrições. Na decisão, Moraes afirmou que não havia, naquele momento, provas diretas que ligassem Márcio Canella às operações financeiras investigadas, mas manteve o andamento das apurações.
Como funcionava o esquema

Segundo a PF, uma rede de postos teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos em um esquema de lavagem de dinheiro que contaria com o consentimento de políticos.

Nesta quinta, os agentes saíram para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.

A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis utilizados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa, segundo a polícia.

Além do crime de organização criminosa armada, os investigados podem responder por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
Canella nega ser dono do fuzil

A Polícia Federal informou que o fuzil foi localizado no porta-malas do veículo utilizado por Márcio Canella durante o cumprimento dos mandados. Desde a prisão, o ex-prefeito sustenta que a arma não lhe pertence.