sexta-feira, 23 de outubro de 2026

PMs do 8º BPM denunciam cobrança para custear manutenção de viaturas e motos no Norte Fluminense


Agentes da 3ª Companhia do 8º BPM, em São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, estariam sendo obrigados a usar dinheiro do próprio bolso para pagar a manutenção de viaturas e motocicletas usadas em serviço. A denúncia também aponta supostas ameaças de transferência e perseguição contra militares que se recusassem a arcar com os custos. A corporação instaurou procedimento para apurar o caso. Agora, o caso está nas mãos do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ).

Mensagens compartilhadas em um grupo de troca de mensagens, que Agenda do Poder teve acesso, detalham serviços realizados em veículos da corporação e indicam que as despesas teriam sido pagas pelos próprios policiais.

Uma das mensagens, enviada em 7 de julho deste ano, relata a realização de serviços em uma viatura, incluindo a troca da ponteira da direção do lado esquerdo, além de alinhamento e balanceamento. De acordo com o registro, os custos teriam sido pagos pelos militares.

Outra texto relata a troca das pastilhas de freio traseiras de duas motocicletas da corporação. Segundo o conteúdo compartilhado no grupo, os serviços também teriam sido custeados por policiais.

Já uma mensagem de 3 de julho lista uma série de reparos em uma motocicleta, entre eles a utilização de dois litros de óleo de suspensão, a troca de quatro retentores e de duas guarnições do motor, a revisão das canelas, a troca do óleo do motor e a substituição do pneu traseiro.

Denúncia aponta ameaças de represálias

Além dos gastos com a manutenção dos veículos, a denúncia relata que policiais que se recusassem a pagar pelos reparos poderiam sofrer ameaças de transferência para outras unidades e perseguição funcional. As cobranças são atribuídas, no relato, ao comando da 3ª Companhia.

“Não se trata apenas de uma questão financeira. Estamos falando de dinheiro particular de policiais sendo utilizado para custear a manutenção de veículos públicos e do receio de sofrer represálias por se recusar a assumir despesas dessa natureza”, informou um dos denunciantes, que terá a identidade preservada.

O que diz a Polícia Militar

Em nota, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, assim que tomou conhecimento da denúncia, o comando do 8º BPM determinou a instauração imediata de um procedimento apuratório para esclarecer os fatos e adotar as medidas legais cabíveis.

Ainda segundo a corporação, os serviços de manutenção são realizados pela Seção de Manutenção do próprio batalhão ou por oficinas devidamente credenciadas pela Polícia Militar.

Ministério Público

A denúncia chegou ao Ministério Público e foi analisada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Campos dos Goytacazes.

Em decisão de 22 de setembro de 2026, a Promotoria indeferiu o procedimento no âmbito da tutela coletiva por entender que os elementos apresentados não eram suficientes para justificar medidas naquela esfera por improbidade administrativa.

No entanto, considerou que “os fatos poderiam, em tese, configurar abuso de autoridade” e determinou o encaminhamento de cópia do processo às Promotorias de Justiça de Investigação Penal de Campos dos Goytacazes para as providências cabíveis.

A reportagem procurou o Ministério Público do Rio de Janeiro para saber quais medidas foram adotadas após o encaminhamento do caso à esfera criminal e se há investigação em andamento. O posicionamento será incluído assim que houver retorno.