Sete pessoas foram presas nesta quarta-feira (28) no âmbito da Operação NXIVM, realizada pela Polícia Civil contra uma rede criminosa investigada por exploração sexual de adolescentes. A ação buscou cumprir mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio. Entre os presos estão um sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone (PSOL).
Segundo a polícia, o grupo produzia vídeos de violência sexual contra menores, incluindo registros de estupros coletivos e torturas. As imagens eram usadas para ameaçar e chantagear as vítimas, que também sofriam agressões físicas e psicológicas.
Segundo a Polícia Civil, além dos sete homens presos, um outro alvo já estava encarcerado desde o fim de junho.
Policiais da 74ª DP (Alcântara), com apoio de unidades do 4º Departamento de Polícia de Área (DPA) e da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, conduziram a ação. Os presos são:
1) Matheus Rodrigues Gonçalves, 36 – assessor parlamentar, presos desde junho
2) João Lucas Figueiredo Perrenoud, 24 anos
3) João Pedro Alecrim Soares, 25 anos
4) Natã Marques Pereira, 28 anos
5) Miguel Ribeiro Magni, 20 anos
6) Carlos Otávio de Oliveira Soares da Silva, 29 anos
7) Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho, 45 anos – assessor da deputada Talíria Petrone
8) Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, 35 anos – sargento PM lotado no 1º BPM (São Gonçalo).

Segundo a polícia, a investigação começou no início em julho, após a prisão de um assessor parlamentar investigado pelo estupro de uma adolescente de 16 anos, em Icaraí, Niterói.
Na ocasião, policiais apreenderam notebooks e celulares na casa dele. A análise dos dispositivos e de imagens de câmeras de segurança permitiu identificar outros envolvidos e avançar na investigação.
De acordo com a Polícia Civil, os integrantes da rede se denominavam “senhores” e tratavam as adolescentes como “escravas”. O grupo produzia vídeos de violência sexual e usava o material para ameaçar as vítimas com a divulgação das imagens, mantendo-as sob controle e submetendo-as a novos abusos.
A adolescente que deu origem à investigação procurou a 74ª DP (Alcântara) junto dos pais para denunciar as violências. Segundo a polícia, o relato apontou um cenário de humilhações e sofrimento extremo, “com consequências graves para a integridade física e emocional da vítima”.
De acordo com a Polícia Civil, a operação teve o objetivo de aprofundar a análise das provas, esclarecer a participação dos investigados e identificar outras possíveis vítimas.
Agenda do Poder tenta contato com a defesa dos envolvidos. Os advogados de Carlos Alberta disseram que não comentariam a ação no momento.
A assessoria da deputada disse, em nota, que determinou que o assessor seja exonerado enquanto aguarda a elucidação dos fatos. Veja a íntegra:
“Fui surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos.
Minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres. Nunca compactuaremos!
As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas.
Seguiremos lutando contra toda violência que chega nas mulheres e meninas.
Talíria Petrone, deputada federal do PSOL -RJ“
Nota do PSOL
O PSOL também se manifestou sobre o caso. Em nota, o partido defendeu a condução de uma apuração rigorosa e se solidarizou com a vítima. Veja a íntegra:
“NOTA OFICIAL – PSOL RIO DE JANEIRO
O Diretório Estadual do PSOL Rio de Janeiro vem a público se manifestar a respeito das recentes apurações conduzidas pela Polícia Civil envolvendo o nome de um assessor parlamentar do partido.
Expressamos nossa total solidariedade à vítima e à sua família. Reafirmamos que não compactuamos com qualquer forma de violência contra meninas e mulheres. A defesa da vida, da integridade e dos direitos das mulheres é um compromisso inegociável do nosso partido.
Defendemos a condução de uma apuração rigorosa, transparente e embasada em provas concretas e a devida responsabilização dos envolvidos.
O caso foi encaminhado ao Conselho de Ética com o afastamento imediato do filiado do partido, de suas funções partidárias e sua exoneração do mandato”.

