O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo estadual, elevou o tom das críticas ao governador Cláudio Castro nesta quinta-feira (12). Durante declaração pública, Paes desafiou o chefe do Executivo estadual a se manifestar sobre a prisão de ex-secretários que integraram sua gestão e foram investigados por irregularidades nos últimos anos.
A fala ocorreu um dia após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), aliado político do prefeito. O parlamentar foi detido na quarta-feira pela Polícia Civil, em operação que investiga suspeitas de ligação com o crime organizado.
Ao comentar o caso, Paes fez ataques diretos ao governador, chegando a chamar Castro de ‘delinquente’ e ‘frouxo’ e afirmou que continuará defendendo o vereador até que surjam provas contra ele.
Paes desafia governador a comentar prisões
Durante discurso no Palácio da Cidade, sede da prefeitura em Rio de Janeiro, Paes lançou um desafio público a Castro para que explique as prisões de integrantes de seu próprio governo.
— Quero fazer um desafio ao governador: Cláudio Castro, comente a prisão de seus cinco secretários detidos nos últimos anos. Defenda-os ou acuse-os. Eu estou defendendo aqui nesse momento o Salvino. Tenha essa coragem — afirmou.
O prefeito também declarou que tem maior interlocução com instâncias federais do Judiciário e disse que utilizará esses canais para defender o que chamou de interesses da política do estado.
A manifestação ocorre após o PSD, partido de Paes, entrar com ações no Superior Tribunal de Justiça, na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal. A iniciativa foi liderada pelo deputado federal Pedro Paulo e questiona um suposto uso político da Polícia Civil na prisão do vereador.
Evento na prefeitura marcou novas críticas
As declarações foram dadas durante cerimônia no Palácio da Cidade, em Botafogo, onde a prefeitura assinou os dois primeiros lotes da concessão das linhas de ônibus municipais, que vão atender regiões da Zona Oeste.
Na ocasião, Paes também criticou a condução da investigação contra o vereador e afirmou que a ação atinge a honra de um parlamentar jovem.
— Até me apresentarem provas, vou continuar defendendo Salvino. Se querem me atingir, venham para cima de mim, o político experiente, não a honra de um jovem vereador — declarou.
O prefeito ainda comentou a origem social do vereador, que se apresenta como morador da Cidade de Deus, e disse não ver problema em políticos se identificarem com comunidades da cidade.
Casos citados pelo prefeito envolvem ex-integrantes do governo
Durante a entrevista, Paes relembrou episódios envolvendo integrantes do alto escalão do governo estadual. Um dos exemplos citados foi o do ex-secretário de Administração Penitenciária Raphael Montenegro.
Ele foi preso em 2021 durante operação da Polícia Federal que investigava suspeitas de acordos entre dirigentes da Secretaria de Administração Penitenciária e integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.
Segundo as investigações, Montenegro teria procurado o traficante Marcinho VP em um presídio federal para negociar uma suposta trégua entre autoridades estaduais e o grupo criminoso.
Paes também citou o caso do traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, conhecido como Abelha, que teria sido beneficiado por uma libertação irregular em 2021 no presídio Vicente Piragibe, no Complexo de Bangu.
Outro episódio mencionado pelo prefeito envolve o ex-secretário estadual de Esporte e Lazer Alessandro Carracena, preso no ano passado e novamente alvo de ordem de prisão por suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
Críticas à segurança pública e à educação
O prefeito também ampliou as críticas ao governo estadual em áreas como segurança pública e educação.
Segundo ele, a atual gestão teve anos suficientes para enfrentar o domínio do Comando Vermelho em comunidades do estado e não conseguiu apresentar resultados consistentes.
Paes também acusou a administração estadual de falhas na manutenção de escolas e mencionou suspeitas de irregularidades envolvendo recursos da previdência de servidores.
Resposta do governo do estado
Em nota, o Palácio Guanabara afirmou que a prisão do vereador seguiu critérios técnicos e foi analisada por diferentes instituições independentes, incluindo Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário.
Segundo o governo estadual, não se trata de decisão política, mas de medida baseada em elementos de investigação.
A gestão também criticou as declarações do prefeito e disse que a tentativa de politizar o caso coloca em dúvida o trabalho das instituições responsáveis pela apuração.
A nota do Palácio Guanabara:
“A investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024. A representação pela prisão foi feita em 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.
O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há ininclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança”.



