O governador Cláudio Castro (PL) anunciou sua renúncia ao comando do Executivo fluminense nesta segunda-feira (23). O comunicado foi feito a aliados no Palácio da Guanabara, antecipando o prazo de desincompatibilização de abril. Castro confirmou sua pré-candidatura ao Senado.
A decisão estratégica ocorre na véspera da retomada do julgamento do caso Ceperj pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Interlocutores apontam que a saída antecipada é uma tentativa de esvaziar o processo e evitar a cassação do mandato por abuso de poder político e econômico.
A renúncia, contudo, não impede evental sanção de inelegibilidade, como também solicitou o Ministério Público Eleitoral.
Balanço e despedida
Em coletiva, Castro defendeu sua gestão, citando a segurança pública como pilar. Ele relembrou a operação no Complexo da Penha (2023) como um divisor de águas para sua aprovação popular.
“Saio de cabeça erguida. Vencemos a guerra da narrativa na segurança pública”, declarou.
Entenda o risco jurídico (Caso Ceperj)
O TSE julga Castro e seu antigo vice, Thiago Pampolha, por contratações irregulares de cabos eleitorais. Se condenado, o agora ex-governador pode ficar inelegível, o que barraria seus planos para o Legislativo federal.
Quem assume o Rio de Janeiro?
- Com a renúncia de Castro, a ausência de um vice-governador e o afastamento de Rodrigo Bacellar da Alerj, o estado vive um vácuo de poder imediato:Interinidade: O presidente do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto, assume o cargo temporariamente.
- Eleição Indireta: A Alerj deverá organizar uma votação interna para escolher quem cumprirá o “mandato-tampão” até o fim do ano.
- Impasses: Uma liminar do STF (Ministro Luiz Fux) recente exige que candidatos à eleição indireta tenham deixado cargos públicos seis meses antes, o que pode inviabilizar nomes governistas como Douglas Ruas (PL).

