segunda-feira, 9 de março de 2026

Falta de reação do governo aos problemas de Petrópolis aumenta sensação de abandono


É inegável que Petrópolis atravessa, hoje, uma profunda crise. A face mais visível é a questão orçamentária, com a penúria financeira após a “montanharussa” do ICMS “a mais”, a gastança e a perda definitiva, ainda na gestão Bomtempo, e a falta de medidas duras de ajuste fiscal por parte de Hingo Hammes, o que contribui para piorar ainda mais o quadro e gerar, na população, um sentimento de abandono. 

Abandono que pode ser visto no dia a dia da cidade: nos buracos nas ruas; nos serviços de limpeza urbana, como lixo e capina; nos postes apagados; nos problemas com a saúde; no transporte ruim e caro. 

Mas a crise também é de liderança, representatividade e credibilidade, e o pior mesmo é a falta de respostas. Porque a vida de uma gestão pública é enfrentar problemas. Desafios sempre vão surgir. Mas o que o governo está fazendo? Qual o projeto para o futuro? Como a máquina está sendo redesenhada para ser viável? Ninguém sabe. Às vezes fica a sensação, para o cidadão comum, de que boa parte do governo “jogou a toalha”. 

É unânime, até na base aliada, a sensação de que é preciso corrigir o rumo urgentemente. Ou a crise, que poderia ser uma marolinha, mas já é uma onda, pode virar uma tsunami.



Eleitor deu cheque em branco para mudanças profundas

Se Hingo entrou com uma situação muito difícil, teve um crédito dado por 108 mil petropolitanos. E a “penúria financeira” foi decretada ainda na gestão anterior com a perda do ICMS a mais. Ou seja: havia legitimidade para plantar um ajuste e colher depois. Mas o primeiro ano foi perdido com escolhas erradas e injustificáveis, e a esperança frustrada de volta do ICMS. Não voltou, não é provável que volte e, se um dia voltar, deve demorar.

 Para recuperar pelo menos parte da credibilidade perdida, só uma sinalização firme de mudança. Como se fosse um recomeço do governo, com um mea culpa e um pacote de ações com começo, meio e fim. E sem estar restrito à crise financeira. 

Sempre vale lembrar que, além dos problemas de ocasião, Petrópolis tem demandas crônicas a serem resolvidas: estagnação econômica de pelo menos 30 anos, num combo que une desindustrialização, falta de empregos com progressão de carreira e a consequente fuga de talentos.

 É preciso apontar um rumo. Pensar na cidade. Olhando para o presente, “consertando” a máquina. E olhando para o futuro, sem pensar na próxima eleição. É a alternativa que resta a Petrópolis.





Com informações: Les Partisans (Tribuna de Petrópolis)