A participação do advogado Victor Travancas em um podcast do ex-governador Anthony Garotinho, terminou em exoneração no governo do Rio de Janeiro. Depois de afirmar que o “Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado no Rio de Janeiro”, ele foi desligado do cargo de assessor na Secretaria estadual da Casa Civil. A exoneração foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial na quinta-feira (12).
Travancas havia sido nomeado para a função em julho de 2025 e já ocupou outros cargos no segundo escalão da administração do governador Cláudio Castro (PL), incluindo a subsecretaria no Gabinete do Governador. A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Pode Garotinho?, apresentado pelo ex-governador Anthony Garotinho.
Durante a conversa, Travancas afirmou que falava “como alguém de dentro” do governo e disse que havia solicitado a própria exoneração, alegando que o pedido ainda não havia sido atendido. “Pedi ontem para ser exonerado, mas ninguém me exonera”, afirmou na entrevista.
O trecho da entrevista foi divulgado nas redes sociais por Garotinho, mas posteriormente o vídeo foi removido do perfil do ex-governador no Instagram na mesma noite.
No episódio, Garotinho também comentou o que classificou como aumento do nível de influência do crime organizado na política do estado. Ele citou um suposto relatório da Polícia Federal ao discutir o tema durante a conversa com Travancas.
Histórico de polêmicas
Victor Travancas ficou conhecido por protagonizar episódios controversos em diferentes administrações públicas. Ao longo dos anos, fez denúncias públicas contra governos dos quais participou e afirmou ter ingressado com ações judiciais contra colegas servidores, secretários e dirigentes de estatais, embora depois tenha retirado alguns desses processos.
Ele também move ações frequentes na Justiça para tentar impedir o desfile das escolas de samba no Sambódromo, alegando supostas falhas de segurança na estrutura do local.
Outro ponto recorrente em sua trajetória é o anúncio de pedidos de demissão. Em diversas ocasiões, Travancas afirmou publicamente que deixaria cargos que ocupava na administração pública, mas acabou permanecendo nas funções.



