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quarta-feira, 31 de julho de 2013

TRANSPLANTE DE RIM NO INTERIOR: DESCASO E ABANDONO

(Foto: Ralph Braz)

Apesar da lista com 90 pessoas que aguardam por um transplante de rim na região, Campos não realiza mais o procedimento, segundo informações da Associação dos Crônicos Renais e Transplantados do Norte do Estado. O Hospital Escola Álvaro Alvim não está realizando o transplante e o Hospital Dr. Beda não está mais credenciado para essa realização. Atualmente, na região Norte e Noroeste do estado, apenas o Hospital São Jose do Avaí faz transplantes e o Hospital Álvaro Alvim deve voltar a realizar transplante até o final do ano.

Segundo o Diretor Superintendente do Hospital Álvaro Alvim, Jair Araujo Junior, a unidade é a única credenciada no município para a realização de transplante renal, até 2014. A unidade, que já realizou cerca de 50 transplantes, interrompeu o procedimento desde dezembro de 2011. Por meio de nota da assessoria, o coordenador do NF Transplantes, Luiz Eduardo Castro, explicou que o hospital conta com uma equipe, mas estaria passando por um processo de reorganização com a substituição de alguns profissionais. Ele informou que ainda este ano a unidade voltará a realizar o transplante.

O presidente da Associação, Renildo Santiago, disse que todos os pacientes aguardam há quase três anos essa preparação. Aqueles que esperam pelo transplante na região foram remanejados pelo Programa Estadual de Transplantes (PET) para hospitais no Rio de Janeiro. “O paciente pode escolher entre cinco unidades hospitalares na capital, mas o problema é que algumas pessoas são carentes. Estamos entrando em contato com a Secretaria de Saúde para melhorar as condições para o paciente”, explicou Renildo.

Para ele, ainda não há muita conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Além disso, quando há doador existem problemas logísticos. “Como o caso que aconteceu em Itaperuna”, lembrou Renildo Santiago, ressaltando que essas questões podem impactar no número de doadores.





Dificuldades

Em junho deste ano, o Hospital Dr. Beda anunciou que a unidade não renovou o credenciamento junto ao Programa Estadual de Transplantes (PET). Através de nota publicada em reportagem na Folha daquele período, o Hospital informou que a tabela do SUS não atendia aos investimentos dos hospitais e a baixa remuneração para a realização dos transplantes era um problema nacional.
Apenas entre janeiro e maio deste ano, foram realizados 552 transplantes em to-do o Estado do Rio de janeiro, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Desse total, seis foram de coração, 56 de fígado, 169 de rim, 82 de medula, 130 de córnea e 109 de osso.

O processo de doação de órgãos é complexo e passa por diversas etapas, começando pela comunicação da morte encefálica pelo hospital onde o paciente se encontra. Segundo a SES, essa comunicação é obrigatória por lei. Após a realização de todos os testes para comprovar a morte cerebral, a equipe do próprio hospital ou do PET aborda os familiares sobre a possibilidade da doação dos órgãos.

É apenas depois de todos esses procedimentos que, ca-so a família autorize a doação, os dados são lançados no Sistema Nacional de Transplante (SNT), para avaliação dos potenciais receptores res-peitando o ranking da lista de espera. Através de nota, a SES esclareceu que “é importante lembrar que o ranking vai determinar a ordem dos potenciais receptores daquele órgão e independe de localização geográfica. Por isso, um órgão captado em determinado município pode ser transplantado em um paciente de outra cidade”. 

Segundo informações da SES, a captação de órgãos é feita no hospital onde está o doador, por uma equipe credenciada para tanto pelo SNT, do Ministério da Saúde. Para isso, a equipe se des-loca para a unidade onde o doador está internado. O prazo ideal para captação de órgãos para doação, de acordo com a secretaria, é de 24 horas. Até o dia 20 de julho deste ano, foram feitas 123 captações de órgãos em todo o estado do Rio de Janeiro.

Mas as dificuldades existem para a família de muitos doadores, principalmente, no interior. No último dia 16, a família de Iuri Garcia Cortes Marinho Cruz, de 21 anos, conseguiu realizar a doação dos órgãos do jovem após mais de 30 horas de espera. Iuri morreu após capotar de carro na RJ 116, que liga Laje do Muriaé a Comendador Venâncio, distrito de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, na madrugada de sábado (13).

De acordo com informações de familiares, a morte cerebral foi confirmada na segunda-feira (15), e a família autorizou a doação de todos os órgãos do jovem Iuri. Apesar disso, a equipe do PET só chegou ao município na noite de terça-feira (16). Em reportagem publicada na Folha, a tia da vítima, Iara Ferreira, de 65 anos, informou que devido à demora, apenas os rins do jovem estavam em condições para doação. A assessoria da SES, na época, não informou o motivo da demora, alegando apenas que “segue o sigilo determinado pela legislação em relação a receptores e doadores de órgãos”. Também não informou quais órgãos foram transplantados.



Fonte: Folha da Manhã

quinta-feira, 18 de julho de 2013

FAMÍLIA DECIDE DOAR ÓRGÃOS DE JOVEM E ESPERA POR MAIS DE 30 HORAS

(Foto: Helen Souza)

Mais de 30 horas. Esse foi o tempo que familiares de um jovem de 21 anos, que teve morte cerebral, esperaram para doar os órgãos e realizar o enterro ontem. Mesmo em um momento de grande dor, a família autorizou a doação de todos os órgãos de Iuri Garcia Cortes Marinho Cruz, mas, devido à demora, apenas os rins puderem ser doados. Iuri morreu após capotar de carro na RJ 116, que liga Laje do Muriaé a Comendador Venâncio, distrito de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, na madrugada do último sábado. 

A tia de Iuri, Iara Ferreira, de 65 anos, disse que o sobrinho chegou ao Hospital São José do Avaí (HSJA), em Itaperuna, na madrugada de sábado já em estado grave. “Ele teve uma assistência médica muito grande, mas infelizmente a batida foi no crânio e o estado era gravíssimo”, relatou. Ainda segundo Iara, no domingo (14) os familiares foram informados pela equipe do hospital que os primeiros testes já apontavam a morte cerebral.

A mulher de Iuri, Daniela Kronemberger, de 28 anos, disse que na segunda-feira (15) pela manhã foi realizado o exame de arteriografia, que confirmou a morte encefálica. “A psicóloga do hospital veio conversar com a família, que assinou o termo autorizando a doação de todos os órgãos”, informou. Depois disso, os familiares foram comunicados que os procedimentos para a doação iriam começar dentro de uma hora, mas acabaram esperando mais de 30.
Segundo Daniela, os médicos informaram que apenas a equipe do Programa Estadual de Transplantes (PET) poderia realizar os procedimentos, e eles já teriam sido notificados. Já Iara lembra que, questionados sobre a demora, os médicos respondiam sempre que aguardavam a equipe do Rio. “Todos os médicos diziam a mesma coisa, que aguardavam e que já haviam feito o pedido novamente. A gente notava constrangimento quando vinham nos comunicar, porque eles também estavam sendo usados. Esse é o termo”, desabafou.

De acordo com os familiares, a equipe só chegou ao HSJA na noite de terça-feira, após iniciarem uma manifestação nas redes sociais. Os médicos do Programa Estadual de Transplantes alegaram que não havia meio de transporte, além disso, tiveram que pousar em Campos e seguir de carro para Itaperuna, porque o aeroporto local não era adequado para a aeronave que usavam, segundo Iara. Por conta da demora, os familiares informaram que apenas os rins puderam ser doados. Com comoção e revolta, eles lembram que já haviam recebido informação de que um adolescente de 16 anos estava apto a receber o coração de Iuri.

Secretaria não informa motivo da demora

Através de nota, o HSJA informou que Iuri não era o único caso que aguardava para doação dos órgãos. A unidade afirmou que conseguiu os doares, atendeu todas as exigências para a doação inédita no Estado do Rio, de sete de órgãos de dois pacientes. “Infelizmente a Equipe de Captação do Programa Estadual de Transplantes chegou a Itaperuna com 30 horas de atraso, causando transtorno para o Hospital e muito mais para os familiares dos doadores. Somente o Programa Estadual de Transplantes pode esclarecer o motivo do atraso”, finaliza a nota. 

Já a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde não informou o motivo da demora, alegando apenas que “segue o sigilo determinado pela legislação em relação a receptores e doadores de órgãos”. Sem esclarecer qual aeronave a equipe utilizou como transporte até Campos, a secretaria diz que dispõe, desde dezembro de 2012, de um helicóptero que, entre outras finalidades, atua no transporte das equipes desse programa e que, quando não há condições climáticas para voo visual de helicóptero, o avião da FAB é utilizado. Ainda, a nota da assessoria admite que tempo ideal para captação de órgãos para doação é de 24h, “mas, por transplante requerer, logística complexa, esse período pode ser ampliado”, conclui.



Fonte: Folha da Manhã