domingo, 19 de julho de 2026

Quissamã afunda em dívidas e perde investimentos


Com a maior arrecadação de sua história, superior a R$ 528 milhões em 2025, e quase R$ 279 milhões arrecadados apenas até junho de 2026, Quissamã vive um paradoxo difícil de explicar. Enquanto municípios vizinhos aceleram investimentos, atraem empresas e ampliam infraestrutura, a cidade acumula perda de recursos, alto endividamento e indicadores fiscais preocupantes.

O caso mais emblemático foi a recente perda dos R$ 15 milhões do Novo PAC destinados ao sistema de esgotamento sanitário de Barra do Furado, já noticiado pelo RJINTERIOR. Mas o problema vai além da perda do investimento.


Dados do Tesouro Nacional mostram que Quissamã possui Capacidade de Pagamento C (CAPAG C), uma das classificações mais baixas do indicador. O resultado impede o município de contratar novos empréstimos com garantia da União e reforça o alerta sobre a sua situação fiscal.

Ao mesmo tempo, registros do Sistema de Análise da Dívida Pública, Operações de Crédito e Garantias (SADIPEM), plataforma oficial do Tesouro Nacional para o acompanhamento da dívida pública, apontam que a cidade acumula mais de R$ 700 milhões em dívidas, entre precatórios, parcelamentos previdenciários, débitos trabalhistas e outras obrigações financeiras.

O cenário chama ainda mais atenção porque ocorre justamente no período de maior arrecadação da história do município. Nunca entrou tanto dinheiro nos cofres públicos de Quissamã. Ainda assim, faltam obras estruturantes, investimentos estratégicos e resultados proporcionais ao volume de recursos disponíveis.

A sequência de oportunidades perdidas reforça a percepção de que o problema deixou de ser falta de recursos e passou a ser falta de gestão. Perder R$ 15 milhões por não cumprir prazos, registrar uma dívida superior a R$ 700 milhões, apresentar restrições fiscais mesmo com arrecadação recorde e ver investimentos escaparem das mãos do município formam um retrato preocupante da administração pública.

A pergunta que fica é inevitável: como uma cidade que arrecada cada vez mais consegue entregar cada vez menos?