A Justiça do Rio de Janeiro concedeu medidas protetivas de urgência à jovem Maria Clara Almeida Melo de Sá, de 21 anos, neta do ex-deputado estadual Paulo Melo. A decisão foi tomada após a jovem denunciar supostos abusos sexuais atribuídos ao avô e ao próprio pai. O processo tramita em segredo de Justiça.
A medida foi assinada pelo juiz Andrew Francis dos Santos Maciel, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Saquarema, e estabelece restrições de aproximação e contato enquanto o caso continua sendo investigado.
Medidas impedem contato
Pela decisão judicial, Paulo Melo, seu filho Paulo César Júnior e Taiti Coelho, mãe de Maria Clara, estão proibidos de se aproximar da jovem a menos de 250 metros.
Além da restrição física, os envolvidos também não poderão manter contato por telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens ou por intermédio de terceiros. O eventual descumprimento das determinações poderá resultar em prisão.
Relatos motivaram nova decisão
Segundo a decisão, Maria Clara relatou às autoridades que os supostos abusos ocorreram desde a infância. A denúncia foi apresentada à Ouvidoria da Mulher do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em novembro de 2025.
Antes de decidir sobre o pedido, a Justiça determinou a realização de um estudo psicológico. O laudo produzido por um perito do Tribunal de Justiça não concluiu de forma definitiva sobre a veracidade dos relatos, mas apontou que não seria prudente descartar os fatos narrados pela jovem.
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Saquarema também informou que Maria Clara apresenta sinais de sofrimento emocional. A Defensoria Pública acrescentou aos autos relatos de possíveis episódios de monitoramento da residência onde a jovem está acolhida.
Juiz destaca caráter preventivo
Com base nos elementos apresentados, o magistrado reformou uma decisão anterior que havia negado a proteção e concedeu as medidas protetivas por prazo indeterminado.
Na decisão, o juiz ressaltou que a concessão das medidas não representa reconhecimento de culpa dos investigados, mas uma providência cautelar destinada a preservar a integridade da denunciante enquanto as investigações prosseguem.
Acusados negam as denúncias
Paulo Melo nega as acusações. O ex-deputado afirmou que está impedido de comentar o caso em razão do segredo de Justiça.
A mãe e a avó materna de Maria Clara também negaram as acusações. A irmã mais velha da jovem manifestou apoio público ao avô e ao pai.
Maria Clara, por sua vez, declarou que a decisão judicial está fundamentada em laudos e afirmou confiar no trabalho da Justiça.


