segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

PF investiga participação de suspeitos em atos em frente a quartel em Campos e manifestação em Brasília

(Fotos: Hellen Souza)

Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira (16), a Polícia Federal cumpre cinco mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária em Campos dos Goytacazes (RJ), durante a “Operação Ulysses”. Um bombeiro militar foi preso. O objetivo é identificar a participação de pessoas envolvidas nos protestos antidemocráticos após a eleição presidencial em outubro, quando rodovias foram bloqueadas; acampamentos e atos em frente ao quartel do Exército na cidade; além de supostos crimes praticados em Brasília, quando os prédios da Praça dos Três Poderes foram vandalizados no dia 8 de janeiro. Os crimes investigados se baseiam no artigo 288 (Associação Criminosa); 359-L (Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito); e 286, parágrafo único (Incitação das Forças Armadas contra os poderes institucionais), todos do Código Penal.

De acordo com o delegado Wesley Amato, responsável pela operação em Campos, a Polícia Federal deverá fazer um balanço com todas as informações sobre o cumprimento dos mandados ao longo do dia. “Ainda estamos em diligências. Qualquer entrevista antes do fim das atividades policiais poderia atrapalhar as investigações”, disse. Até o fim da manhã desta segunda-feira (16), uma pessoa estava detida na Delegacia da PF, em Campos, para prestar depoimento. Outras duas estavam sendo procuradas. Segundo informações preliminares, um dos suspeitos investigados é um militar do Corpo de Bombeiros. Ele deverá ser transferido para o Grupamento Especial Prisional, em São Cristóvão, Rio de Janeiro.

Suspeitos prestaram esclarecimentos na DPF e foram liberadas

Quanto aos mandados de busca e apreensão, durante a manhã três pessoas foram ouvidas e liberadas em seguida. A PF conseguiu recolher computadores, telefones celulares e documentos nos endereços dos suspeitos. Segundo a assessoria de comunicação da PF, assim que os mandados de prisão temporária forem finalizados, os suspeitos deverão ser encaminhados para o presídio de Campos dos Goytacazes.


A investigação tem o objetivo de identificar lideranças locais que bloquearam as rodovias que transpassam o município de Campos dos Goytacazes (RJ), a organização das manifestações em frente aos quartéis do Exército na cidade. Também será investigada a suposta participação dos manifestantes e de outras lideranças na organização e financiamento dos atos que desencadearam a depredação dos prédios públicos e dos atentados contra as instituições democráticas ocorridas na capital federal, no domingo (8).


De acordo com assessoria da PF, durante a investigação, foi possível colher elementos de prova capazes de vincular os investigados na organização e liderança dos eventos. Além disso, com o cumprimento desta segunda-feira (16) dos mandados judiciais, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, será possível identificar eventuais outros partícipes/coautores na empreitada criminosa.


Pela manhã, a Polícia Federal informou que não divulgaria os nomes dos suspeitos envolvidos nos crimes praticados em Campos dos Goytacazes, e, supostamente, na capital federal, no dia 8 de janeiro. A PF contou com apoio de equipes de Macaé e do Rio de Janeiro. Uma diligência em Itaperuna também estava em andamento até o fim da manhã.

O nome da operação faz referência ao ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal, Ulysses Guimarães, responsável por apresentar a nova Constituição Federal, em 1988, após a redemocratização do país. A ditadura militar durou 21 anos no Brasil (1964-1985). Ulysses Guimarães morreu em acidente de helicóptero no mar, em Angra dos Reis, em 1992. Seu corpo nunca foi encontrado. Defensor da democracia, sempre lutou contra ditadura. Dizia ter “ódio e nojo” de quem não defendia a democracia brasileira.


Matéria  em atualização






Fonte: Terceira Via