O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal (PF). Na manhã desta terça-feira (26), agentes da corporação deflagraram uma operação para apurar aportes realizados pelo governo estadual em fundos ligados ao Banco Master. Os recursos partiram especialmente do Rioprevidência e da Cedae, a companhia que produz água para boa parte do RJ.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por expedir 10 mandados de busca e apreensão que estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
A nova ofensiva da PF aprofunda o cerco sobre operações financeiras realizadas durante a gestão de Cláudio Castro e amplia a pressão política sobre aliados do ex-governador, que deixou o cargo em meio a investigações envolvendo contratos e movimentações financeiras do estado.
Investigação mira aplicações do estado
Segundo informações ligadas à investigação, a PF busca esclarecer a destinação e a legalidade de aportes realizados com recursos públicos estaduais em fundos relacionados ao Banco Master.
Os investigadores apuram possíveis irregularidades nas operações financeiras e tentam identificar eventuais favorecimentos, além da participação de agentes públicos e operadores do mercado financeiro.
O caso é acompanhado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal porque envolve autoridades com foro privilegiado.
A operação desta terça-feira ocorre em meio ao avanço de outras investigações que atingem a antiga gestão estadual e ampliam o desgaste político do grupo ligado a Cláudio Castro.
Discussão chegou à Alerj
O tema já vinha provocando repercussão política na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No início deste mês, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) anunciou ter conseguido as assinaturas necessárias para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar os investimentos realizados pelo estado no Banco Master. Apesar disso, a comissão ainda não foi instalada oficialmente.
Dados apresentados na Alerj apontam que o Rioprevidência investiu aproximadamente R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master. Além disso, o fundo previdenciário estadual teria aplicado cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela própria instituição financeira.
Segundo parlamentares que defendem a investigação, parte desses investimentos ocorreu mesmo após alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O órgão de controle chegou a determinar a proibição de novos aportes do Rioprevidência no banco.
A Cedae também aparece entre os órgãos que realizaram operações financeiras junto ao Banco Master. Os investimentos da companhia somam cerca de R$ 200 milhões.
Banco Master na mira
Os investimentos realizados pelo estado em ativos ligados ao Banco Master já vinham sendo alvo de questionamentos e apurações nos últimos meses.
Mudanças recentes promovidas pelo governador em exercício Ricardo Couto em órgãos estratégicos do estado atingiram diretamente áreas relacionadas à análise desses investimentos.
Na Cedae e no Rioprevidência, por exemplo, houve troca de dirigentes em meio ao avanço das investigações envolvendo aplicações financeiras que passaram a ser examinadas por órgãos de controle.
A gestão interina também promoveu uma ampla reformulação administrativa desde março, substituindo integrantes do primeiro escalão e exonerando milhares de cargos comissionados.
Operação amplia pressão política
A nova operação da Polícia Federal acontece em um momento de indefinição política no Rio de Janeiro.
Com a renúncia de Cláudio Castro, o estado passou a ser comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, enquanto o STF decide se haverá eleição indireta para escolha de um governador-tampão.
O julgamento da questão está suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Enquanto isso, investigações envolvendo contratos públicos, investimentos financeiros e supostos favorecimentos seguem avançando sobre integrantes da antiga gestão estadual.


