O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), um dos principais aliados históricos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez duras críticas ao desempenho do atual governo na área da reforma agrária. Segundo o coordenador nacional do movimento, João Paulo Rodrigues, o terceiro mandato de Lula apresenta o pior resultado entre as três gestões do presidente quando o assunto é a criação de assentamentos e a distribuição de terras.
A crítica central do MST está relacionada ao ritmo considerado lento das ações do governo federal. O movimento afirma que milhares de famílias continuam aguardando uma solução enquanto o número de novos assentamentos permanece abaixo da expectativa criada durante a campanha eleitoral e no início do mandato.
João Paulo Rodrigues afirmou que, mantendo o ritmo atual, o governo levaria muitos anos para atender todas as famílias que vivem em acampamentos ligados ao movimento. Para o dirigente, essa demora representa um problema grave e demonstra que a reforma agrária não recebeu a prioridade esperada dentro da atual administração.
O MST também atribui parte da lentidão à política econômica adotada pelo governo, especialmente ao foco no equilíbrio fiscal. Segundo a liderança do movimento, as restrições orçamentárias e a prioridade dada às metas econômicas acabaram limitando investimentos e ações voltadas para a reforma agrária.
A posição do MST gerou repercussão justamente por partir de uma organização historicamente próxima ao Partido dos Trabalhadores. As declarações mostram uma cobrança interna dentro da própria base de apoio do governo, que espera medidas mais rápidas para atender suas principais reivindicações.
As críticas também reacenderam o debate sobre a relação entre o governo federal e os movimentos sociais ligados à questão agrária. Enquanto o MST cobra resultados mais concretos, o governo argumenta que enfrenta limitações econômicas e jurídicas para realizar mudanças em grande escala.
A declaração do movimento evidencia uma situação de cobrança e apoio simultâneos: o MST critica a condução da reforma agrária no governo Lula 3, mas mantém a aliança política visando a eleição presidencial de 2026.


