Após reiteradas aparições públicas ao lado do presidente Lula, o governador interino Ricardo Couto foi aconselhado por ministros da Suprema Corte a submergir. A estratégia é evitar que prospere a percepção de que estaria se vinculando demasiadamente ao líder petista, comprometendo a imagem de imparcialidade esperada de um magistrado no exercício temporário do cargo.
A orientação acontece 20 dias antes de o STF retomar o julgamento do mandato-tampão. O vínculo, de acordo com fontes do STF, poderia contaminar a análise do caso. Segundo esses interlocutores, alguns ministros, em tese inclinados a facilitar a continuidade de Couto no cargo, passaram a admitir a possibilidade de rever a posição diante de tantas demonstrações públicas de afeto entre o interino e o primeiro mandatário — numa delas, Couto chegou a chorar.
Em decorrência da orientação, Ricardo Couto cancelou todas as entrevistas marcadas para as próximas semanas e vai evitar ao máximo aparições em cerimônias de cunho político. O objetivo é retomar a postura discreta que marcou os primeiros dias de sua gestão interina.
Marcado para 19 de agosto, o julgamento apresenta, no momento, o placar de quatro votos a um por eleições indiretas. Os ministros Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia votaram pela realização da eleição por meio do voto dos deputados estaduais fluminenses. O relator, Cristiano Zanin, votou por eleições diretas, e os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino já indicaram que também deverão votar nesse sentido.
Assim, a maior expectativa gira em torno dos votos dos ministros Dias Toffoli e do presidente do STF, Edson Fachin.
Mais do que uma hipotética demonstração pública de afinidade, a movimentação de Couto tem a ver com o desejo de ocupar uma das próximas vagas no STJ. A aproximação com Lula abriria caminho para sua indicação à Corte. Daí a presença em todos os atos do presidente no Rio. Até mesmo em alguns de notória conotação política.
“Há casos inevitáveis de conteúdo institucional, como foi, por exemplo, a assinatura da adesão ao Propag. Mas outros, como a inauguração da nova subida da Serra das Araras, eram dispensáveis, pois se transformaram em palanques eleitorais”, comenta uma fonte com trânsito no STF.








