domingo, 12 de julho de 2026

Porto do Açu tem quebra-mar de 3,8 km feito com 42 megacaixões de concreto para conter a força do mar


O Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, usou 42 caixões flutuantes de concreto para formar parte de uma grande barreira marítima no Atlântico. As estruturas integram o sistema de proteção do complexo portuário, criado para reduzir a força das ondas e dar mais segurança às operações em uma área exposta ao mar aberto.

Segundo informações técnicas da Acciona, responsável por etapas de engenharia do projeto, o terminal foi o primeiro no Brasil a usar caixões pré-moldados de concreto nesse tipo de solução para infraestrutura portuária. A obra envolveu 21 mil toneladas de aço, 350 mil metros cúbicos de concreto e uma doca flutuante usada para fabricar os blocos em grande escala.


Caixões de concreto formam barreira contra as ondas

O sistema ajudou a erguer um quebra-mar com mais de 3,8 quilômetros de extensão. Desse total, 2,8 quilômetros foram construídos artificialmente com caixões de concreto, que funcionam como módulos gigantes instalados no mar para proteger o terminal.

Os caixões usados no Porto do Açu são grandes estruturas pré-moldadas. Eles são produzidos em ambiente controlado, levados ao mar e posicionados na área definida pelo projeto. Depois de instalados, passam a atuar como uma barreira física contra a ação das ondas.


Na prática, essas estruturas reduzem a energia do mar antes que ela chegue à área interna do porto. Isso cria condições mais estáveis para manobras de embarcações, atracação e movimentação de cargas.

A solução também diminuiu a necessidade de uso de pedras no quebra-mar. De acordo com a Acciona, a adoção dos caixões de concreto reduziu em 8,5 milhões de toneladas o volume de pedras que seria usado no aterro rochoso. A empresa também informa que a tecnologia evitou a emissão de 100 toneladas de CO2 durante a construção.

Kugira funcionou como fábrica flutuante no litoral fluminense

Um dos pontos centrais da obra foi o uso da Kugira, descrita pela Acciona como a maior doca flutuante de caixões do mundo. A estrutura foi mobilizada para fabricar os blocos de concreto próximos à área de instalação.

A tecnologia permite produzir peças de grande porte em ambiente flutuante, sem depender apenas de fabricação em terra e transporte por longas distâncias. No caso do Porto do Açu, a Kugira foi usada pela primeira vez no Brasil, segundo a empresa.

Com esse processo, os caixões foram fabricados em sequência e depois integrados aos diques artificiais. O resultado foi uma proteção marítima de grande escala, feita com concreto armado, aço e tecnologia de construção flutuante.

Localizado no litoral de São João da Barra, o Porto do Açu foi projetado como um complexo industrial e portuário de grande porte. O terminal atua em áreas ligadas à logística marítima, energia, cargas e apoio a operações offshore.

A posição no litoral do Rio de Janeiro favorece a conexão com setores estratégicos, em especial petróleo, gás e rotas usadas por embarcações de grande porte. Por estar em uma região exposta ao oceano, o porto depende de uma estrutura robusta para garantir estabilidade operacional.

Mais do que uma obra visível na paisagem, parte da engenharia do complexo está sob a linha d’água. Os 42 caixões de concreto cumprem a função de uma espécie de muralha marítima, criada para conter a força do Atlântico e permitir que o porto opere com maior segurança.