terça-feira, 5 de maio de 2026

Patrimônio de Thiago Rangel saltou de R$ 224 mil para R$ 1,9 milhão em dois anos



O deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso nesta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, registrou uma forte evolução patrimonial nos dois anos que antecederam sua eleição para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Dados declarados pelo próprio parlamentar à Justiça Eleitoral mostram que seus bens passaram de R$ 224 mil, em 2020, para R$ 1,9 milhão, em 2022 — alta de cerca de 748%.


A evolução patrimonial ocorreu no intervalo em que Thiago Rangel exercia mandato de vereador em Campos dos Goytacazes. Na eleição municipal de 2020, ele declarou possuir dois veículos, uma moto aquática e participação de R$ 60 mil em um posto de combustíveis.

Dois anos depois, já na disputa por uma cadeira na Alerj, o parlamentar apresentou uma declaração significativamente maior. O principal salto aparece no setor de combustíveis: em 2022, informou participação em 18 postos como parte do patrimônio.

As investigações da Polícia Federal também apontam que, em 2014, Rangel trabalhava como motorista e tinha remuneração mensal de R$ 1 mil.

Crescimento patrimonial sob investigação

A ampliação dos bens declarados ganhou relevância no contexto das apurações federais. Thiago Rangel já havia sido alvo da Polícia Federal em 2024, na Operação Postos de Midas, que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis de Campos dos Goytacazes.

Na ocasião, os investigadores apontaram indícios de que empresas ligadas ao parlamentar teriam sido usadas para ocultar recursos provenientes de contratos públicos sob suspeita de irregularidades.

Nova fase da Operação Unha e Carne

A prisão desta terça ocorreu no âmbito de uma nova etapa da Operação Unha e Carne, que apura suspeitas de fraudes em processos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, na Secretaria Estadual de Educação do Rio (Seeduc).

Segundo a Polícia Federal, a Diretoria Regional Noroeste da secretaria seria área de influência política do deputado. A investigação aponta indícios de direcionamento de contratações realizadas por unidades escolares para empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo investigado.

De acordo com a PF, após o recebimento de recursos públicos, parte dos valores era sacada ou transferida para empresas que integrariam a estrutura financeira do esquema. Os investigadores sustentam ainda que recursos desviados teriam sido misturados a valores lícitos em contas vinculadas a uma rede de postos de combustíveis.

Nesta terça-feira, agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão na Alerj e em endereços na capital, em Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do parlamentar. O espaço segue aberto para manifestação.


*Com informações do G1.