O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso nesta terça-feira (5) durante a 4ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A ação tem como foco apurar fraudes em processos de contratação de materiais e serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
Ao todo, agentes saíram para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão em diferentes municípios do estado, como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Esquema de direcionamento de contratos
Segundo as investigações, as irregularidades envolvem a Diretoria Regional Noroeste da Seeduc, apontada como área de influência política de Rangel. De acordo com a PF, houve direcionamento de contratações realizadas por escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo investigado.
Após o recebimento dos recursos públicos, os responsáveis pelas empresas realizavam saques e transferências financeiras que, segundo a apuração, alimentavam uma rede de empresas vinculadas ao esquema. Parte dos valores desviados teria sido misturada a recursos lícitos em contas de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo líder da organização criminosa.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
Outro mandado de prisão expedido pelo STF teve como alvo o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que já se encontra preso.
Desdobramentos de investigações anteriores
A atual fase da operação teve origem na análise de materiais apreendidos nas etapas anteriores da Unha e Carne, iniciadas em dezembro de 2025. Na ocasião, a investigação mirava o vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho.
Segundo a Polícia Federal, esses vazamentos teriam comprometido ações policiais e beneficiado investigados ligados à facção. O caso passou a integrar o contexto da ADPF 635, que trata de diretrizes para operações de segurança pública no estado.
Na primeira fase, Bacellar foi apontado como responsável por repassar informações confidenciais da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025. O principal beneficiado, segundo a PF, seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, acusado de atuar como articulador político da facção criminosa.
Avanço das investigações
A segunda fase da operação aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos e levou à prisão preventiva do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. De acordo com os investigadores, há indícios de que o magistrado teria repassado informações a Bacellar, que posteriormente as encaminhava a TH Joias.
A Polícia Federal afirma ter identificado mensagens, registros de ligações e evidências de proximidade entre os envolvidos, sugerindo a existência de troca de favores.
Na terceira fase, deflagrada em março deste ano, Bacellar foi preso novamente após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral, no caso relacionado ao escândalo da Ceperj. A decisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, com base em denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Operação amplia foco para desvios na Educação
A quarta fase marca uma mudança de foco na investigação, que passa a incluir suspeitas de desvios de recursos públicos na área da educação. A ação integra a chamada Missão Redentor II, voltada à repressão qualificada ao crime organizado e à descapitalização de grupos criminosos.
Segundo a PF, o objetivo é desarticular estruturas financeiras que sustentam atividades ilícitas, ampliando o alcance das investigações para além do tráfico de drogas.


