segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Esposa de Bacellar relata problemas de saúde e condições do ex-deputado em presídio


Esposa do ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União), Manoella Duarte publicou nas redes sociais, nesta segunda-feira (14), uma nota em que relata as condições em que encontrou o ex-deputado durante uma visita na última quinta-feira (10). Bacellar está preso provisoriamente no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Entre os relatos apresentados por Manoella estão o uso de um caneco para tomar banho, a falta de ventilador na cela, dificuldades relacionadas à presença de mosquitos e problemas de saúde.

“Eu vi Rodrigo com as marcas da algema no corpo. Ele me relatou que toma banho usando um caneco. Que não tem ventilador na cela. Que dorme com sabonete no corpo para os mosquitos não se aproximarem”, escreveu.

Ainda segundo a esposa, Bacellar estava com o dedo do pé inflamado e teria colocado o pé em comida quente para tentar aliviar a dor.


Manoella também afirmou que, embora a unidade disponha de atendimento médico, haveria restrições à entrada de medicamentos prescritos pelos médicos que acompanham o ex-deputado.

Outro ponto citado na publicação é a impossibilidade de Bacellar ter o banho de sol. Segundo Manoella, os horários seriam divididos entre facções e milícias e o marido não faria parte de nenhum desses grupos.

A esposa afirmou que não pretende discutir as acusações contra Bacellar nem o andamento das investigações.

“Não venho a público discutir o processo. Não venho falar de acusações nem de investigações. Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá”, relatou.

Na sequência, Manoella afirmou que sua manifestação trata das condições de custódia do marido.

“Venho aqui falar sobre dignidade. A dignidade de uma pessoa não depende de sentença. Não depende de decisão alguma. Ela não se perde na porta de um presídio”, afirma.

Ela ressaltou que Bacellar é preso provisório e ainda não foi condenado.

“Não peço privilégio. Não peço tratamento diferenciado. Não peço, nesta nota, a sua liberdade. Peço o mínimo: água, ventilador e atendimento médico adequado à situação dele. Exatamente o que a legislação brasileira assegura a qualquer pessoa prea neste país”, escreveu.

Transferência para Mossoró


Rodrigo Bacellar foi transferido em 8 de julho para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, localizado a cerca de 280 quilômetros de Natal. Antes, ele passou uma semana na unidade de segurança máxima de Brasília, após deixar o Bangu 8, no Rio de Janeiro.

Segundo apuração do jornalista Ricardo Bruno, do Agenda do Poder, a transferência foi vista por amigos e familiares do político como mais uma tentativa de isolamento absoluto. A avaliação atribuída a pessoas próximas é de que o objetivo seria pressioná-lo a fechar um acordo de delação premiada.

A distância também teria agravado o impacto para a família. Parentes disseram ao Agenda do Poder que ficaram emocionalmente abalados com a decisão, justamente pela dificuldade maior para realizar visitas e manter contato com o ex-deputado.

Inaugurado em 2009, o presídio federal de Mossoró tem capacidade para 208 presos considerados de “alta periculosidade” pela Justiça. Entre os nomes que estão ou já passaram pela unidade estão Marcola, Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP.

O que diz a Secretaria Nacional de Políticas Penais

Através de nota, a SENAPPEN informou que todos os custodiados do Sistema Penitenciário Federal recebem as assistências previstas na Lei de Execução Penal e atendimento conforme os protocolos adotados pelas unidades e que todas as penitenciárias federais dispõem de Unidade Básica de Saúde, atendimento por telemedicina e equipe multiprofissional, composta por médicos, farmacêuticos, profissionais de enfermagem, técnicos de enfermagem e outros especialistas.

Disse ainda que, informações individualizadas sobre o estado de saúde, diagnóstico, tratamento ou uso de medicamentos não são divulgadas, em respeito ao sigilo médico e à legislação de proteção de dados pessoais, e que mais informações sobre os procedimentos de segurança do Sistema Penitenciário Federal estão disponíveis no site.

A reportagem solicitou, novamente, informações sobre o relato de marcas de algemas pelo corpo, banho com caneco, cela sem ventilador, mosquitos, alívio de dor dentro de comida quente e falta de banho de sol, e aguarda retorno.