A Justiça de Santa Catarina determinou o arquivamento do caso envolvendo a morte do cão Orelha, ocorrida em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis.
A decisão foi assinada na noite de quinta-feira (14) pela juíza Vanessa Bonnetti Haupenthal, da Vara da Infância e Juventude da Comarca da Capital. Além de homologar o pedido de arquivamento apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), a magistrada também negou a internação do adolescente investigado pela Polícia Civil e determinou a devolução de seu passaporte, informa Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
Na decisão, a juíza destacou que cabe ao Ministério Público avaliar a existência de elementos suficientes para eventual responsabilização. Segundo ela, “compete ao Ministério Público promover o arquivamento do procedimento quando entender ausentes os pressupostos para a representação, cabendo ao Poder Judiciário o controle estritamente formal e de legalidade da manifestação apresentada”.
O pedido de arquivamento havia sido protocolado pelo MP-SC na terça-feira (12). O órgão afirmou que as investigações não reuniram provas capazes de sustentar a versão de que o animal teria sido vítima de agressão praticada pelos adolescentes investigados.
Investigação analisou milhares de arquivos
De acordo com a Promotoria, os adolescentes e o cão não estavam juntos na praia no momento em que a suposta agressão teria ocorrido. O Ministério Público informou ainda que a análise técnica dos laudos periciais e os depoimentos colhidos ao longo da investigação enfraqueceram a hipótese de traumatismo recente compatível com violência.
Os promotores também apontaram que a morte de Orelha estaria associada a uma condição de saúde preexistente. Conforme os laudos analisados, o cão apresentava sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, problema possivelmente relacionado a doenças periodontais.
Segundo o MP-SC, o animal não apresentava ferimentos ou fraturas que confirmassem agressão física recente, mas apenas um inchaço na região da cabeça. O depoimento do médico-veterinário responsável pela análise do caso também teria reforçado essa conclusão.
Polícia investigou celulares e vídeos
As investigações mobilizaram ampla coleta de provas digitais. O Ministério Público informou que foram examinados quase 2 mil arquivos, entre vídeos, fotografias e dados extraídos de celulares apreendidos durante a apuração.
Além disso, novos depoimentos dos adolescentes envolvidos foram incorporados ao inquérito ao longo dos últimos meses. Mesmo com a repercussão do caso nas redes sociais e a pressão por responsabilização, o MP concluiu que não havia elementos suficientes para oferecer representação contra o adolescente investigado.
Com a homologação da Justiça, o caso é oficialmente encerrado na esfera judicial da infância e juventude.

























