quinta-feira, 21 de maio de 2026

Thiago Rangel é acusado de pressionar diretor de escola por R$ 200 mil para campanha



Um diretor de uma escola da rede estadual no Noroeste Fluminense, não identificado pelos investigadores, denunciou à Polícia Federal ter sofrido pressão para liberar R$ 200 mil da conta de uma unidade escolar. Segundo o relato, o valor seria usado para abastecer a campanha eleitoral de Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel, preso durante a quarta fase da Operação Unha e Carne.

A denúncia integra um dossiê anexado às investigações conduzidas pela PF sobre supostos desvios de recursos públicos na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc). O servidor afirma que o parlamentar apareceu em uma videochamada para pressioná-lo a autorizar o pagamento.

De acordo com o depoimento, o dinheiro seria retirado da conta da escola por meio da emissão de uma nota fiscal falsa. O valor, segundo a proposta apresentada ao diretor, seria devolvido duas semanas depois.


“Houvesse muita pressão para que eu fizesse a transferência, mas me neguei”, relatou o diretor em documento anexado à investigação federal.

Videochamada teria contado com participação do deputado

Segundo o servidor, as cobranças aumentaram após a primeira recusa em liberar os recursos. O diretor afirma que o assessor parlamentar Luis Fernando Passos de Souza, identificado nas investigações como “pastor”, realizou uma videochamada na qual Thiago Rangel apareceu defendendo o pagamento.

Ainda conforme o relato, o deputado teria garantido que o pagamento poderia ser feito sem riscos e prometido novas emendas parlamentares para futuras etapas de obras na unidade escolar.

A Polícia Federal afirma que mensagens extraídas do celular do parlamentar indicam que Luis Fernando atuaria como operador financeiro do suposto esquema investigado.

O diretor também relatou que outros gestores da rede estadual teriam sido pressionados a realizar pagamentos antecipados em parcelas de 30%, 40% e 30%, antes mesmo do início das obras.

Conselho escolar rejeitou pagamentos antecipados

Após novas cobranças, o diretor afirmou que reuniu o conselho escolar para registrar em ata que a escola não faria pagamentos antes da conclusão dos serviços contratados.

Segundo ele, a reação foi imediata e culminou na videochamada envolvendo o assessor e o deputado estadual.

No depoimento, o servidor ainda afirmou que empresários relataram cobranças de propina de até 30% sobre contratos ligados às escolas estaduais.

O diretor declarou ter pedido exoneração do cargo por estar “cansado de tanta corrupção”.

PF aponta  esquema em contratos da Seeduc

A Polícia Federal sustenta que o grupo investigado atuava no direcionamento de obras em escolas estaduais para empresas previamente escolhidas. Parte dos recursos públicos, segundo os investigadores, retornaria aos integrantes da suposta organização criminosa.

A corporação também aponta indícios de que o esquema tenha se expandido dentro da Seeduc após a eleição de Thiago Rangel para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

As investigações concentram suspeitas sobre contratos de reformas escolares no Norte e Noroeste Fluminense, regiões onde o grupo político do deputado possui forte atuação.

Para os investigadores, o relato do diretor é “repleto de detalhes” e apresenta convergência com provas obtidas em outra apuração da PF, a Operação Postos de Midas.

Vídeo com mala de dinheiro reforçou investigação

Durante a investigação, a Polícia Federal encontrou no celular de Thiago Rangel um vídeo mostrando uma mala cheia de dinheiro em espécie. Segundo os investigadores, as imagens registrariam cerca de R$ 500 mil.

A PF suspeita que os valores façam parte de um esquema de caixa dois destinado ao financiamento de campanhas políticas em Campos dos Goytacazes nas eleições municipais de 2024.

Os investigadores estimam que o acordo investigado possa envolver cerca de R$ 2,9 milhões destinados ao grupo político do parlamentar, incluindo recursos para a campanha de Thamires Rangel e de aliados políticos no Norte Fluminense.

O ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar também foi citado na investigação. Ele nega qualquer irregularidade.