A Igreja Católica relembra, nesta segunda-feira (19), a memória litúrgica de São Pedro de Alcântara, padroeiro do Brasil. Em outubro, o país celebra duas devoções nacionais: Nossa Senhora Aparecida, a padroeira, e o santo franciscano, que protege o país desde o Império.
Pedro nasceu em 1499, em Alcântara, na Espanha, numa família nobre. Desde menino, era tranquilo, orante e de bom comportamento. Estudou na Universidade de Salamanca, onde, além de se destacar nos estudos, cultivou as virtudes cristãs e descobriu a vocação. Decidiu entrar para a Ordem de São Francisco, embora o pai quisesse que ele seguisse carreira no Direito.
Depois de ordenado, tornou-se modelo de vida religiosa e assumiu cargos de responsabilidade. Foi superior de conventos, ainda jovem, e depois eleito provincial da ordem. Vivia de oração e jejum, dormia poucas horas, usava um hábito surrado e era um pregador notável.
Como provincial, visitou todos os conventos sob sua jurisdição e promoveu uma reforma segundo a regra original de são Francisco, que ele próprio praticava à risca. Para que os frades vivessem com mais intensidade a oração, a meditação e a mortificação, fundou o ramo de “estrita observância”, os Alcantarinos. Seu rigor com o próprio corpo, feito de penitências e privações, o tornou conhecido como um dos grandes místicos espanhóis do século 16.
Conselheiro de reis e amigo de santos
Sem buscar a fama, Pedro ficou conhecido em toda a Europa. Foi conselheiro do imperador Carlos V e do rei dom João III, de Portugal, de quem também é lembrado como confessor, e se tornou o santo de devoção da família real portuguesa. Teve como amigos são Francisco de Borja e santa Teresa de Ávila. Foi diretor espiritual de Teresa e a apoiou nas reformas da Ordem das Carmelitas. Segundo a tradição, foi ele quem ajudou a obter a autorização para que ela fundasse, em Ávila, seu primeiro convento carmelita.
Morte
Pedro morreu em 1562, aos 63 anos, de joelhos, repetindo palavras do Salmo 121: “Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir à casa do Senhor”. Tinha recebido os sacramentos finais. Teresa de Ávila deixou dois testemunhos atribuídos a ela: de que ele viveu e morreu como santo e conseguiu muitas graças por intercessão, e de que lhe apareceu depois da morte para dizer que a penitência na terra lhe rendeu grandes recompensas no céu.
Pedro foi beatificado por Gregório XV, em 1622, e canonizado por Clemente IX, em 1669. Em 1826, o papa Leão XII o proclamou padroeiro do Brasil, a pedido de dom Pedro I. Era uma escolha de família: o santo era devoção da casa real, e seu nome foi dado como nome de batismo aos dois imperadores brasileiros, dom Pedro I e dom Pedro II.
Oração de São Pedro de Alcântara
“Ao nosso querido padroeiro, escolhido pela corte real, assim como elevado à corte celeste, sede o auxílio e proteção do povo brasileiro. Inspirai os políticos e representantes para que sigam os valores do evangelho e instalem o Reino de Cristo. Olhai para os mais excluídos dando a eles o necessário para encontrar Jesus. Amém.”


