O uso de uma ambulância da rede municipal de Teresópolis, na Região Serrana do Rio, para transportar galões de combustível provocou indignação e levou a Prefeitura a abrir uma investigação interna.
As fotos, que circulam nas redes sociais, mostram o compartimento traseiro da ambulância — área que deveria ser destinada ao atendimento de pacientes e ao transporte de equipamentos médicos — completamente ocupado por recipientes plásticos contendo líquido inflamável. O flagrante foi registrado em um posto de gasolina da cidade.
Prefeitura reconhece erro e abre apuração
Procurada, a Prefeitura de Teresópolis classificou o episódio como “reprovável” e “irregular”. Em nota, informou que determinou a abertura imediata de uma sindicância para identificar e responsabilizar os servidores envolvidos.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o combustível teria como destino o gerador da Unidade de Saúde Eitel Abdallah. Apesar disso, a pasta afirmou que não houve autorização formal para que a ambulância fosse utilizada na operação.
Em comunicado oficial, a secretaria destacou que “não houve qualquer determinação da administração para o transporte de combustível em ambulâncias do município” e sustentou que os funcionários teriam agido sem aval de superiores hierárquicos.
Riscos sanitários, legais e administrativos
A utilização de um veículo de emergência para o transporte de inflamáveis acendeu uma série de alertas. Conforme apuração do g1, ao menos três frentes de possíveis irregularidades são consideradas.
A primeira envolve segurança e legislação de trânsito. O transporte de carga perigosa, como combustível armazenado em galões, exige regras específicas e não pode ser feito em veículos destinados ao transporte de pessoas. A prática pode violar o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e normas que regulamentam produtos perigosos.
Outra preocupação é sanitária. Ambulâncias precisam manter ambiente esterilizado, livre de contaminação. O combustível libera vapores tóxicos e resíduos que podem comprometer a segurança do próximo paciente transportado, especialmente em situações de urgência ou estado crítico.
Por fim, há o aspecto administrativo. O uso de um bem público destinado ao atendimento de saúde para uma finalidade diversa pode caracterizar desvio de função e, em tese, configurar ato de improbidade administrativa, com possibilidade de responsabilização dos envolvidos.
Pontos ainda sem esclarecimento
Apesar de admitir a irregularidade e instaurar sindicância, a gestão municipal ainda não detalhou como ocorreu o desvio da ambulância, se houve autuação de trânsito pela infração e quais medidas foram adotadas para descontaminação e esterilização do veículo antes de seu eventual retorno ao serviço.

